domingo, 25 de dezembro de 2016

Natal do Nosso Senhor Jesus Cristo.

25/12 Domingo
Festa de Primeira Classe
Paramentos  Brancos

O Presépio

     Feliz Natal São os Votos das Escravas de Maria!
 
   Não menos do que a cruz, o presépio é a escola da vida interior. Começamos pelo presépio e acabamos pela cruz: um contém elementos dessa vida, e outra encerra a sua consumação. E como, em todas as ciências, os elementos são o que há de mais importante e necessário, estudemos o presépio e esforcemo-nos por traduzir em nosso procedimento o que ele nos ensina. Contemplemos o Verbo feito carne, o Filho de Deus tornado criancinha. Vejamos quais eram as Suas disposições ao nascer; consideremos as circunstâncias exteriores do Seu nascimento e quais foram as pessoas por Ele chamadas ao presépio.
 Foi atraído à terra pelo amor que dedicava a Seu Pai e aos homens. O sentimento que Lhe enchia o coração era o de oferecer-Se em holocausto ao Pai para reparar a Sua glória e salvar o gênero humano. São Paulo, após David, no-lo ensina. Diz o apóstolo: ao entrar no mundo exclamou: "Os sacrifícios e as vítimas da antiga lei não Vos agradaram, mas me destes um corpo. Então disse: Eis-me aqui, para cumprir, ó meu Deus, a Vossa vontade". E qual era essa vontade?
  Vontade infinitamente rigorosa, segundo a qual devia Ele sobrecarregar-Se de todos os nossos pecados e suportar o peso da justiça divina. Tem, pois, essa vontade ao nascer, a ele submete-se com amor. Desde o berço visa a Cruz, suspira pela cruz e o Seu primeiro desejo é morrer nela pregado para apaziguar o Pai e nos reunir.
  Aprendamos por aí que a cruz é o grande objeto da vida interior; a primeira coisa que, ao ingressarmos nesta, Deus nos apresenta e a sua aceitação o primeiro sentimento do coração entregue inteiramente a Deus. Ora a cruz significa esquecimento, perda completa de nós mesmos em Deus, sacrifício perfeito de todos os interesses para só pensarmos nos interesses de Deus. Só Ele que no-lo propõe, nos inspira a coragem de aceitá-lo e nos dá a força para realizá-lo. Mas, da nossa parte, não devemos arrastá-lo constantemente e suspirar pela sua realização como fez Jesus Cristo.
  Mas por que nasceu Ele criancinha? Por que não veio ao mundo, como Adão, em estado de homem feito? Dependia, certamente, d'Ele vir assim, mas teve razões para preferir o estado de infância. E a principal de todas foi o desejo de nos ensinar que, uma vez entregues a Deus, é preciso depositarmos a Seus pés o nosso discernimento, a nossa vontade e força; volvermos inteiramente à pequenez, à fraqueza e à falta de juízo da criança; em suma, aniquilarmos todo o passado, ficarmos em novo estado, iniciarmos vida nova, cujo princípio é Deus.
  E que vida é essa? Dependência perfeita da graça, simplicidade e obediência. Contemplemos o nascimento de Jesus Cristo: Ele adora ao Pai tão perfeitamente no berço, quanto na cruz. Toda a Sua admiração, porém, está contida no coração: nada diz, nada faz, está como que aniquilado: e nesse próprio aniquilamento consiste a perfeição da Sua homenagem.
  Compreendamo-lo bem, nós que nos queixamos diante de Deus como animais, sem pensamento, sem palavra, sem ação. Este estado, que é a morte do amor próprio, é incomparavelmente mais agradável a Deus, do que tudo quanto o nosso espírito, o nosso coração, e a nossa boca pudessem exprimir de mais sublime.
  Calarmo-nos diante de Deus, humilharmo-nos, aniquilarmos, como se aí não estivéssemos, é a adoração perfeita em espírito e verdade. Que necessidade tem Deus das nossas luzes e dos nossos sentimentos que só servem para alimentar secreto orgulho e vã complacência em nós mesmos? Quanto mais se aproximar a nossa oração da de Jesus Menino, quanto mais humilde e desprezível ela nos parecer, tanto mais elevada será aos olhos de Deus.
  Passemos as circunstâncias exteriores do nascimento de Jesus.
  A Virgem Maria, repelida de todas as hospedarias, vê-Se obrigada a procurar abrigo em um estábulo.
  Aí nasce o Filho de Deus: no seio da pobreza, humilhação e sofrimento. Uma manjedoura, na qual há um pouco de palha, serve-Lhe de berço; são pobres os paninhos que O envolvem; no meio da noite, na mais rude estação do ano, em lugar exposto a todos os ventos, o Seu tenro e delicado corpo é sujeito a todas as intempéries do ar. Ninguém assiste ao Seu nascimento; nenhum socorro ou alívio Lhe é prestado.
  Que entrada no mundo para o Filho de Deus! Para Aquele que vem resgatar o mundo e fora anunciado desde o começo do mundo aos nossos primeiros pais como o libertador do gênero humano! Quem jamais acreditaria que Ele escolhesse nascimento tão pobre, tão obscuro, tão amargurado!
  Mas como esse nascimento é instrutivo para aqueles que o Espírito Santo faz nascer para a vida interior!
  No Menino divino encontram modelo perfeito das três virtudes que devem dali em diante ser as Suas companheiras inseparáveis: Completo desapego dos bens da terra, até abraçar a mais rigorosa penitência, se assim aprouver a Deus. Soberano desprezo de todas as honras mundanas até desejar ser não só ignorado, mas também ridicularizado e menosprezado. Renúncia absoluta de todos os prazeres do mundo, até entregar o corpo a todo gênero de mortificações. Eis a lição que Jesus, ao nascer, deu às almas interiores. Durante toda Sua vida Ele amou e praticou o que escolhera no presépio. Foi sempre pobre, vivendo do trabalho manual, não tendo nem sequer onde repousar a cabeça. Foi sempre desconhecido pelo mundo, ou vítima dos seus desprezos, das suas calúnias e perseguições. Absteve-Se de todos os prazeres, e sofreu, na Sua vida particular e pública, todas as privações e dores imagináveis. Na Sua morte demonstrou no mais elevado grau a prática dessas três virtudes.
  Abracemo-las também ao entrarmos na vida espiritual, e jamais delas nos separemos.
  Finalmente, quais foram às pessoas admitidas no presépio de Jesus? É coisa bem notável terem aí comparecido apenas as que foram chamadas por uma voz celeste ou por sinal milagroso. Isto nos ensina que para adotarmos a vida interior, cujo começo o presépio simboliza, precisamos ter vocação divina e que, portanto, ninguém de motu proprio pode nela entrar. Podemos, no entanto, contribuir para a vocação mediante algum preparo nosso, isto é, procurando ter as mesmas disposições e, que estavam os pastores e os magos.
  Devemos, pois, a exemplo dos pastores, ser simples, pobres de espírito e pequenos; como eles ter grande retidão de coração, viver na inocência ou romper absolutamente com o pecado. Geralmente são ainda as pessoas de condição comum, de vida humilde e obscura, ignoradas e desprezadas pelo mundo, as que Deus chama à vida interior.
  Ao demais, os pastores, mesmo durante a noite, velavam pelos seus rebanhos - o que demonstra constituírem preparo para a vocação do céu a vigilância e atenção para nós mesmos, o temor de Deus, a delicadeza da consciência - a fuga das ocasiões. Os pastores prestaram ouvidos às palavras dos anjos, acreditaram sem refletir ou raciocinar, e, abandonando tudo, partiram imediatamente para ver o Menino recém-nascido. Assim também a alma deve escutar com atenção o que Deus lhe diz ao coração, crer na Sua palavra com fé humilde e cega, largando tudo para seguir pronta e fielmente o instinto da graça.
  Nas pessoas dos magos, os grandes e sábios são também chamados ao presépio, porém, grandes humildes, desapegados de tudo, prontos a sacrificar tudo para acudir ao chamado de Deus, sábios sem arrogância, sem presunção, dóceis à luz divina, ante a qual fazem calar todos os raciocínios. Tais foram um São Luiz, um Santo Agostinho, tantos santos de ambos os sexos, distintos pelo brilho do seu nascimento e dos seus cargos, ou pela extensão de seu gênio e dos seus conhecimentos.
  O caráter de Herodes, dos fariseus, dos sacerdotes e doutores da lei dá-nos a conhecer aqueles que Jesus rejeita e que a seu turno não aproveitam os meios ordinários fornecidos pela graça para o conhecimento e a prática da vida interior.
(Manual das almas interiores - Compêndio de Opúsculos inéditos do Pe. Grou, da Companhia de Jesus, 1932, Vozes de Petrópolis)

Santa Missa do dia


Leitura da Epístola

Hebreus 1,1-12
1 Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. 2 Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. 3 Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, 4 tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou. 5 Pois a quem dentre os anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (Sl 2,7)? Ou então: Eu serei seu Pai e ele será meu Filho (II Sm 7,14)? 6 E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem (Sl 96,7). 7 Por outro lado, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seus anjos sopros de vento e dos seus ministros chamas de fogo (Sl 103,4), 8 ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça. 9 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade. Por isso, ó Deus, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria, mais que aos teus companheiros (Sl 44,7s); 10 e ainda: Tu, Senhor, no princípio dos tempos fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos. 11 Eles passarão, mas tu permaneces. Todos envelhecerão como uma veste; 12 tu os envolvas como uma capa, e serão mudados. Tu, ao contrário, és sempre o mesmo e os teus anos não acabarão (Sl 103,26s).

Sequência do Santo Evangelho

São João 1,1-14
1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio junto de Deus. 3 Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. 4 Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. 6 Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. 7 Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. 8 Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 9 [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. 10 Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. 11 Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. 12 Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. 14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário