sábado, 25 de março de 2017

Sermão de Santo Antônio de Pádua sobre a Anunciação



“10.“O anjo Gabriel foi enviado” etc.
Acabamos de ouvir de que maneira a Sempre Virgem Maria concebeu o Filho de Deus Pai. Vamos ver agora, brevemente, de que jeito a alma concebe o espírito da salvação. Na Virgem Maria vemos representada a alma fiel:“virgem” pela integridade da fé. Com efeito, diz o Apóstolo: “Eu vos prometi a um único esposo, para apresentar-vos como virgem casta a Cristo”(2Cor 11,2). “Maria”, isto é, estrela do mar, pela profissão da própria fé.“Crê-se com o coração para obter a justiça”, eis a virgem. “Com a boca faz-se a profissão de fé para obter a salvação” (Rm 10,10): eis a estrela que da amargura do mundo guia ao porto da salvação eterna. Essa virgem mora em Nazaré da Galiléia, quer dizer, “na flor da emigração”.

A flor é a esperança do fruto. Com efeito, a alma fiel espera “emigrar”, passar da fé à visão, da sombra à verdade, da promessa à realidade, da flor ao fruto, do visível ao invisível. Dizem os pastores: “Vamos até Belém, porque ali encontraremos bons pastos, o pão dos anjos, o Verbo Encarnado”. Lemos em Isaías: “Alegria dos burros selvagens, pastagem dos rebanhos” (32,14). Nos burros selvagens estão simbolizados os justos, cuja alegria será a pastagem dos rebanhos, quer dizer, o esplendor e a felicidade dos anjos, porque junto com os anjos pastarão, isto é, gozarão da visão do Verbo Encarnado. A essa virgem é enviado o anjo Gabriel, cujo nome significa “Deus me confortou”. Nele é indicada a infusão da graça divina e sem o seu conforto a alma desfalece. Por isso diz Judite: “Dai-me forças, ó Senhor, Deus de Israel, nesta hora”. “E, com o punhal, golpeou duas vezes o pescoço de Holofernes e cortou-lhe a cabeça” (13,9-10). Holofernes significa “enfraquece o boizinho engordado”. Nele é representado o pecador que, engordado com a gordura das coisas temporais, é despojado pelo diabo das virtudes e assim se enfraquece e fica doente. A cabeça de Holofernes é a soberba do diabo.

Diz Gênesis: “Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (3,15). No calcanhar é indicado o fim da vida. A Virgem Maria esmigalhou a soberba do diabo por meio da humildade, mas ele a tentou, no calcanhar, durante a paixão de seu Filho. Quem quiser arrancar de si mesmo a soberba do diabo, deve golpeá-lo duas vezes. Esse duplo golpe é a lembrança do nosso nascimento e o pensamento da nossa morte. Quem medita assiduamente sobre esses dois momentos da sua vida arranca de si a soberba do diabo, mas antes é preciso que implore o sustento da graça divina. “Agi virilmente e o vosso coração será confortado” (Sl 30,25).

11. “Entrando o anjo onde ela estava”.
Aqui é colocada em evidência a solidão da alma que mora em si mesma, lendo no livro da própria miséria e indo à busca da doçura divina: por isso ela merece ouvir dizer: “Ave!” O nome de Eva que quer dizer “ai” ou desgraça. Lido ao contrário fica Ave. A alma que se encontra no pecado mortal é Eva, ou seja, “ai” e desgraça, mas se ela se converte à penitência e ouve dizer-lhe Ave, quer dizer “sem ai”. “Cheia de graça”. Quem derrama ainda alguma coisa numa vasilha cheia perde tudo aquilo que nela coloca. Assim também na alma, se ela for cheia de graça, não pode entrar nela a sujeira do pecado. A graça penetra todos os espaços e não deixa nenhum pedacinho vazio em que possa entrar e ficar aquilo que lhe é contrário. Quem tudo compra, tudo quer possuir. E a alma é tão grande que ninguém pode preenchê-la a não ser somente Deus que, como diz São João, “é infinitamente maior que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1Jo 3,20).

Uma vasilha bem cheia derrama em todas as partes. Da plenitude da alma recebem todos os sentidos porque, como diz o profeta Isaías, “será de sábado a sábado” (66), quer dizer, da paz interior virá a paz dos sentidos e dos membros. “O Senhor é contigo”. Ao contrário, lemos no Êxodo: “Não irei contigo, porque tu és um povo de cabeça dura” (33,3), isto é, desobediente e soberbo. É como se dissesse: “Eu iria contigo se fosses humilde!” Por isso ao humilde ele promete: “Tu és o meu servo: mesmo que tiveres que atravessar as águas eu estarei contigo e os rios não te submergirão. Se tiveres que atravessar o fogo, não te queimarás, a chama não poderá te queimar” (Is 43,2). Nas águas é simbolizada a sugestão do diabo, nos rios a gula e a luxúria; no fogo, o dinheiro e a abundância das coisas materiais; na chama, a vanglória. O servo, isto é, a pessoa humilde com quem está o Senhor, passa ileso através das sugestões do diabo, porque nem a gula nem a luxúria o cobrem. Quem está com a cabeça totalmente coberta não pode ver, cheirar, falar e ouvir distintamente. Assim, também quem estiver totalmente coberto pela gula e pela luxúria fica privado da faculdade de contemplar, discernir, reconhecer o seu pecado e obedecer. O humilde, mesmo que caminhe através do fogo das coisas temporais, não se queima com a avareza ou com a vanglória.

12. “Tu és bendita entre as mulheres”.

Lê-se na História Natural que as mulheres sentem compaixão bem mais intensamente do que os homens, derramam lágrimas bem mais do que os homens e possuem uma memória muito mais duradoura do que os homens (Aristóteles). Nessas três qualidades são indicadas a piedade com o próximo, a devoção das lágrimas, a lembrança da paixão do Senhor. Lemos no Cântico dos Cânticos: “Coloca-me como um selo em teu coração, uma tatuagem em teu braço, porque forte como a morte é o amor!” (8,6): o teu amor pelo qual morreste! Bem-aventuradas aquelas almas que possuem essas três qualidades. Entre elas é bendita, com o privilégio de uma bênção especial, a alma fiel e humilde, rica de obras de caridade. E em mérito a essa bênção, continua: “Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus”. Lemos ainda na História Natural que as mulheres grávidas sentem dores, perdem o apetite, a vista fica anuviada. Outras mulheres grávidas não gostam de vinho, porque bebendo-o perdem as forças. Isso acontece também com a alma. Quando, sob a ação do Espírito Santo, concebe o espírito da salvação: começa a arrepender-se de seus pecados, sente repugnância pelas coisas temporais, desagrada-se a si mesma, (este é o significado do anuviamento da vista); acostumada a admirar-se com gosto, não gosta do vinho da luxúria.

Por estes sinais poderás julgar se a alma concebeu o espírito da salvação que em seguida dará à luz quando der fruto na luz das obras boas. E a esse fruto dará o nome de “salvação” (Jesus), porque tudo o que faz é em vista da salvação. É a intenção – foi dito – que qualifica a obra. A alma fiel age para agradar a Deus, para obter o perdão dos pecados, edificar o próximo e alcançar a salvação. Digne-se conceder a salvação também a nós Aquele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.”


Sermões de Santo Antônio. Ed. Messaggero – Padova,1979 – Volume III, pp. 158-161)





Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário. 



Anunciação da Virgem Maria.

25/03 Sábado
Festa de Primeira Classe
Paramentos Brancos

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Anunciação da Virgem Maria
Oração(25 de março a 25 de dezembro)  Para ser rezada diariamente, durante 9 meses: de 25 de março até 25 de dezembro, ou seja, da Anunciação até o Natal do Senhor.   Ó Maria, Sempre Virgem Imaculada, Porta do Céu e causa da Nossa Alegria, Respondendo com generosidade ao Anúncio do Arcanjo São Gabriel,Vós pudestes dar curso ao plano de Deus para nossa salvação.Vós fostes, pela Providência Santíssima desde toda a eternidade, constituída morada digna do Filho de Deus Encarnado. Pelo vosso “sim” e fidelidade ao Pai celeste, O Espírito Santo teceu em vosso ventre Jesus, nosso Senhor e Salvador.Eis que desejando que o Filho de Deus que quis nascer em Vós, nasça também em meu coração e conceda-me o perdão de meus pecados, prostro-me aos vossos pés e vos imploro, com todo o fervor de minha alma, que vos digneis alcançar-me, do vosso Filho, a graça que tanto necessito… (pedir a graça) 
  Ouvi minha súplica, ó Virgem Santíssima, Vós que, perante o trono da Graça, sois a “Onipotência Suplicante”, enquanto vou meditando, com reverência e filial afeto, todos os momentos de dor e de alegria, de desolação e de providência, que vos acompanharam em vossa bendita e singular Gestação, na qual trouxestes em vosso ventre por nove meses o Filho do Deus Altíssimo. 
Amém. 
Rezar 25 Ave-Marias, acompanhadas da jaculatória: Bendita seja sua Santa Imaculada Conceição da Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus. 


Leitura da Epístola do livro do profeta

Isaías 7,10-15

10O Senhor disse ainda a Acaz:11Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto.12Acaz respondeu: De maneira alguma! Não quero pôr o Senhor à prova.13Isaías respondeu: Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus?14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.15Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem

Sequência do Santo Evangelho 

São Lucas 1,26-38

26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,33e o seu reino não terá fim.34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,37porque a Deus nenhuma coisa é impossível.38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário. 

25 de março dia de São Dimas.


   Contam antigas tradição que a Sagrada Família, ao fugir para o Egito, quis refugiar-se, para passar a noite, numa cova que, por desgraça, era uma guarida de ladrões. O Capitão dos bandidos sentiu-se comovido ao ver a venerável bondade de S. José, a pureza e formosura da SS. Virgem e o olhar todo celeste do Menino Jesus. Acolheu-os, deu-lhes de comer e, na manhã seguinte, ofereceu-lhes pão para a viagem e , a Maria, uma bacia d'água para banhar o Menino. O capitão tinha um filhinho, da idade de Nosso Senhor Jesus aproximadamente, que se achava coberto de lepra. Nossa Senhora, correspondendo às finezas daquele homem rude e duro, mas que algo de bom tinha no coração, aconselhou-o a lavar o filhinho na água em que banhara o Menino Jesus. Assim o fêz o bandoleiro e, no mesmo instante, seu filhinho ficou curado da lepra. O capitão lembrou muitas vêzes ao filho a quem devia a saúde e a vida, dizendo: "Foi o milagre dum Menino de .....
tua idade, que seria, quem sabe, o Messias anunciado pelos profetas". Crescendo, seguiu aquêle menino o exemplo do pai, tornado-se ladrão. Prêso e condenado à morte, ao subir ao Calvário, ia pensando em Nosso Senhor Jesus, seu companheiro de suplício, que era tão santo e paciente, que, sem dúvida, havia de ser o Messias, aquêle mesmo menino que o livrara da lepra. As tradições dizem que o bom ladrão se chamava Dimas e o mau, Gestas. Ambos foram condenados a morrer junto com Nosso Senhor Jesus e no mesmo suplício. Atrás de Jesus subiram ao Calvário, levando suas cruzes. Junto com êle foram levantados nas respectivas cruzes. Viram como os soldados repartiam entre si as vestes do Salvador; mas, como a túnica era de uma só peça, tiraram a sorte a ver quem a levaria. Ouviram as palavras de Cristo: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem".
Nosso Senhor Jesus era objeto de todos os insultos. A multidão, curiosa e soez, passava por diante dêle, e, movendo a cabeça em sinal de desprêzo, dizia: "Vamos! tu que destróis o templo de Deus e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és o Filho de Deus, desce da cruz..."
Todos blasfemavam e insultavam a Nosso Senhor Jesus. Mas a graça operou um milagre: Um dos ladrões, Dimas, considerando as virtudes sôbre-humanas de Jesus, creu ser êle o Messias prometido e amou de todo o coração a Bondade infinita. Dirigindo-se a Gestas, o outro crucificado, repreedeu-o, dizendo: "Como não temes a Deus, estando como estás no mesmo suplício? É justo, na verdade, que soframos por nossos crimes, mas Nosso Senhor Jesus, que mal fêz êle?"
E cheio de esperança e com grande arrependimento disse a Nosso Senhor Jesus: "Senhor, quando chegares ao teu reino, lembra-te de mim". Jesus, olhando Dimas com infinita misericórdia, respondeu: "Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso".
Naquela mesma noite, a alma de Jesus visitou o limbo dos justos e concedeu ao bom Ladrão a vista de Deus, a felicidade eterna.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.
Façam penitência.

Dom Marcel Lefebvre: 26 anos de sua entrada na vida.

Defensor da Verdade Católica.

Quem como Deus!Viva realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria Rainha

  Gabon 1990

Apostolado no Gabon 1990

A VISIBILIDADE DA IGREJA E A SITUAÇÃO ATUAL

 http://www.beneditinos.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17:a-visibilidade-da-igreja-e-a-situacao-atual-&catid=3:dom-marcel-lefebvre&Itemid=59
Apresentamos aqui alguns extratos de uma conferência de Dom Marcel Lefebvre. A dita conferência tem várias qualidades. Além de tratar com profundidade da questão da visibilidade de Igreja em meio à crise terrível que atravessamos, traz o pensamento autêntico de Dom Marcel Lefebvre, tal como ele o expôs aos seus padres pouco tempo depois de Dom Gérard Calvet ter feito seu acordo com o Vaticano, respondendo a alguns argumentos teológicos que este desenvolveu numa publicação do jornal Présent do dia 18 de agosto de 1988. Mesmo se em determinadas cartas, como é natural, S. Exa. tenha falado com maiores cuidados na esperança de mover os adversários a compreender e aceitar a Tradição, não resta dúvida de que seu pensamento estava longe de aceitar o Vaticano II ou a Missa de Paulo VI. Dom Lefebvre responde, assim, com antecedência aos argumentos que tentam justificar a atual posição de Campos. Nossa tradução é tirada da revista Fideliter 66 de novembro/dezembro de 1988, p. 27-31).

Dom Marcel Lefebvre

Meus caros Padres,

Penso que vós que saístes dos seminários e que, estais agora exercendo o ministério e que desejastes guardar a Tradição, vós que desejastes ser padres para sempre, como foram os santos padres de outrora, todos os santos vigários e os santos sacerdotes que nós mesmos pudemos conhecer nas paróquias. Vós continuais e representais verdadeiramente a Igreja Católica. Acredito que é necessário convencer-vos disso: "representais verdadeiramente a Igreja Católica".

A Igreja Visível

Não quero dizer que inexista Igreja fora de nós; não se trata disso. Mas há pouco tempo, disseram-nos que é necessário que a Tradição entre na Igreja visível. Penso que se comete aí um erro muito grave.

Onde está a Igreja visível? A Igreja visível é reconhecida pelos sinais que ela sempre deu de sua visibilidade: ela é una, santa, católica e apostólica.

Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? Estão eles na Igreja oficial (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou conosco, no que representamos, no que somos? É evidente que somos nós que guardamos a unidade da fé, que desapareceu da Igreja oficial. Um Bispo acredita nisso, outro já não acredita, a fé é diversa, seus catecismos abomináveis estão cheios de heresias. Onde está a unidade da fé em Roma?

Onde está a unidade da fé no mundo? Fomos nós que a guardamos. A unidade da fé espalhada no mundo inteiro é a catolicidade. Ora, esta unidade da fé no mundo inteiro, não existe mais, não existe mais catolicidade. Existem tantas Igrejas católicas quantos Bispos e Dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de fazer seu catecismo. Não existe mais catolicidade.

E a Apostolicidade? Eles romperam com o passado. Se eles fizeram algo, foi exatamente isso. Eles não desejam mais o que é anterior ao Concílio Vaticano II. Vede o Motu proprio do Papa que nos condena, ele diz muito bem: "a Tradição viva é o Vaticano II": não se deve reportar mais a fatos anteriores ao Vaticano II, isso não significa nada. A Igreja guarda a Tradição de século em século. O que passou passou, desapareceu. Toda a Tradição encontra-se na Igreja de hoje. Qual é esta Tradição? A que ela se liga? Como ela se liga ao passado?

É o que lhes permite dizer o contrário do que foi dito outrora, sempre pretendendo que somente eles guardaram a Tradição. É o que nos pede o Papa: que nos submetamos à Tradição viva. Nós possuiríamos um conceito equivocado de Tradição, visto que ela é viva e evolutiva. Mas, isto é o erro modernista: o Santo Papa Pio X, na encíclica Pascendi, condenou estes termos: "Tradição viva, Igreja viva, fé viva", etc, no sentido que os modernistas os entendem, ou seja, da evolução que depende das circunstâncias históricas. A verdade da Revelação, a explicação da Revelação, dependeria das circunstâncias históricas.

A Apostolicidade: nós nos vinculamos aos Apóstolos pela autoridade. Meu sacerdócio vem através dos Apóstolos; vosso sacerdócio vem através dos Apóstolos. Nós somos filhos daqueles que nos deram o episcopado. Nosso episcopado descende do Santo Papa Pio V e através dele chegamos até aos Apóstolos. Quanto à Apostolicidade da fé, nós cremos na mesma fé que foi a dos Apóstolos. Nós não mudamos nada e nem queremos mudar nada.

E enfim, a santidade. Não nos faremos louvores e cumprimentos. Se não quisermos considerar a nós mesmos, consideremos os outros, e consideremos os frutos de nosso apostolado, os frutos vocacionais, de nossas religiosas e também dentro das famílias cristãs. Boas e santas famílias cristãs germinam, graças a vosso apostolado. É um fato, ninguém o pode negar. Mesmo nossos visitantes progressistas de Roma constataram a boa qualidade de nosso trabalho. Quando Mons. Perl disse às irmãs de Saint-Pré e às irmãs de Fanjeaux que é com base como a delas que se deverá reconstruir a Igreja, não é um pequeno elogio.

Tudo isso mostra que somos nós que possuímos os sinais da Igreja visível. Se ainda existe uma visibilidade da Igreja hoje em dia, é graças a vós. Estes sinais, não se encontram mais nos outros. Não existe mais neles unidade da fé; ora, é precisamente a fé que é a base de toda a visibilidade da Igreja.

A catolicidade é a fé no espaço. A Apostolicidade é a fé no tempo, e a santidade é o fruto da fé, que se concretiza nas almas pela graça do bom Deus, pela graça dos sacramentos. É completamente falso considerar-nos como se não fizéssemos parte da Igreja visível. É inacreditável. É a Igreja oficial que nos rejeita, não somos nós que rejeitamos a Igreja, longe de nós. Ao contrário, nós estamos sempre unidos à Igreja romana e mesmo ao Papa, evidentemente, ao sucessor de Pedro. Penso que devemos ter esta convicção para não cair nos erros que estão sendo espalhados agora.

Sair da Igreja?

Evidentemente, poderão objetar-nos: “Deve-se, obrigatoriamente, sair da Igreja visível para não perder sua alma, sair da sociedade dos fiéis unidos ao Papa?”

Não somos nós, mas os modernistas que saíram da Igreja. Quanto a dizer "sair da Igreja VISÍVEL" é equivocar-se assemelhando Igreja oficial e Igreja visível.

Nós pertencemos à Igreja visível, à sociedade dos fiéis sob a autoridade do Papa, pois, não recusamos a autoridade do Papa, mas o que ele faz. Nós reconhecemos que o Papa tem autoridade, mas quando ele a usa para fazer o contrário daquilo que lhe é facultado fazer, é evidente que não podemos segui-lo.

Sair, portanto, da Igreja oficial? Em uma certa medida, sim, evidentemente. Todo o livro de Jean Madiran, A Heresia do século XX, é a história das heresias dos Bispos. É necessário, portanto, que saiamos do meio destes Bispos, se não desejamos perder nossa alma.

Mas isso não é suficiente, posto que é em Roma que a heresia se instalou. Se os Bispos são heréticos (mesmo sem tomar este termo no sentido e com as conseqüências do direito canônico), não é sem a influência de Roma.

Se nós nos distanciamos deste tipo de gente, é com a mesma precaução que se toma para com as pessoas que estão com AIDS. Não queremos nos contaminar. Ora, eles estão com AIDS espiritual, uma doença contagiosa. Se quisermos guardar a saúde, não devemos aproximarmo-nos deles.

Sim, o liberalismo e o modernismo se introduziram no Concílio e no interior da Igreja. São idéias revolucionárias e a Revolução, que encontrávamos na sociedade civil, passou para dentro da Igreja. O Cardeal Ratzinger não mais esconde esse fato: eles adotaram as idéias não da Igreja, mas do mundo e eles acham que devem fazê-las entrar na Igreja.

Ora, as autoridades não mudaram sequer uma vírgula de suas idéias sobre o Concílio, o liberalismo e o modernismo. Eles são a anti-Tradição, Tradição como a Igreja compreende e como entendemos. Essa noção não entra no conceito deles. Pois sendo o conceito deles evolutivo, eles são contra essa Tradição fixa, na qual nós nos mantemos. Estimamos que tudo aquilo que nos ensina o catecismo nos vem de Nosso Senhor e dos Apóstolos e que nada mudou. Isto é claro. As três partes do catecismo nos vêm de Nosso Senhor. Por que mudá-las? Nós não podemos evoluí-las. O Credo, os Mandamentos de Deus, os meios de nos salvar, os Sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa e a oração, tudo isso, vem diretamente de Nosso Senhor. Tudo isso, é nosso catecismo, que nos é dado, geralmente, com nosso batismo, que nos é colocado entre nossas mãos. Tudo isso é nosso estatuto, desde o momento que Nosso Senhor desejou que todos fossem batizados, que todos adotassem o Credo, o Decálogo, os Sacramentos que Ele instituiu, bem como o Santo Sacrifício da Missa e as orações. Para eles, não, tudo isso evolui e evoluiu com o Vaticano II. O fim atual da evolução é o Vaticano II. É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma. Teria sido possível, se tivéssemos podido nos proteger completamente como, de fato, pedíamos. Mas eles não quiseram. Eles recusaram os membros que pedíamos para a comissão, eles recusaram o número de Bispos que pedíamos, recusaram o número de Bispos que eu lhes apresentei. Estava claro: eles não queriam que estivéssemos protegidos. Eles queriam ter-nos diretamente debaixo de seus golpes e poder, assim, impor-nos esta política anti-Tradição da qual eles estão imbuídos.

Roma não mudou

Um exemplo mostra-nos que nada mudou no espírito dos que estão em Roma: em 1º de maio (1988), em Veneza realizou-se um importante congresso sobre a liberdade religiosa nas atuais situações políticas. Esse congresso foi dirigido pelo reitor da Universidade de Latrão, Mons. Pierre Rossano, famoso por suas idéias liberais, e Mons. Pavan, que é o autor de, praticamente, todos os documentos sociológicos publicados desde o Papa João XXIII, de todos os documentos que dizem respeito à sociedade. As encíclicas dos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II foram praticamente redigidas por ele. É o grande pensador do Vaticano.

Foram estes dois prelados que fizeram e dirigiram essa reunião de Veneza sobre a liberdade religiosa dentro das situações políticas. É muito interessante notar o que eles dizem a respeito da liberdade religiosa: "Mudança da concepção da liberdade religiosa". Eles não se escondem. Eles falam da influência da Segunda Guerra mundial. Eles buscam motivações longínquas: já sob Pio XII realiza-se uma tomada de consciência da liberdade religiosa, realizada na tragédia da Segunda Guerra mundial. Isso permitiu, para utilizar uma frase estereotipada, A PASSAGEM DO DIREITO DA VERDADE AO DIREITO DA PESSOA.

Examinemos um pouco melhor essa frase. O direito da verdade nos ensina que existe a liberdade da verdadeira religião, mas que o homem não possui a liberdade de escolher a sua religião, de escolher a verdade. Somos feitos e criados com inteligência e vontade livres, não resta a menor dúvida, mas essa liberdade só deve servir para nos fazer aderir à verdade e não a outra coisa. Pois um laço fundamental, essencial, une a liberdade e a verdade. Romper este laço para dizer: a partir de agora, compreendemos que não se trata mais de ligar liberdade com verdade, mas liberdade e natureza humana, é um erro fundamental. Nossa própria natureza, com a inteligência e a vontade, é feita para aderir à verdade. E, eis que agora (e os autores do congresso de Veneza o escreveram em seus relatórios) suprime-se o direito da verdade (que é o laço que por natureza une o sujeito à verdade) para colocar em seu lugar o direito da pessoa, um direito inteiramente independente. Esse direito estaria fundado sobre a natureza, mas considerada dentro de sua dignidade de sujeito livre, ou seja, autônomo e sem laços. E os ditos autores precisam que isso deve ser particularmente verdadeiro em matéria religiosa, que trata da orientação da vida. É preocupante. Como se pudéssemos mudar coisas tão profundas na natureza. Deus nos criou para a verdade, Ele não nos deu a liberdade para escolhermos o erro. Não é possível. Não temos o direito ao erro. Ora, praticamente, é a isto que conduz a liberdade religiosa: permitir à natureza de escolher livremente a sua verdade, é dar-lhe direito ao erro.

E, segundo essa teoria, todos os países deveriam aceitar isso, sem se lhe opor no limite da ordem pública. Mas a ordem pública é muito extensa! Estas sociedades deveriam aceitar o ecumenismo, a laicização dos estados, a liberdade de culto. Elas deveriam reconhecer como diretivas tudo aquilo que o homem pode retirar de si mesmo, as idéias que puderem conceber, os conceitos religiosos forjados por eles mesmos.

Depois da afirmação da liberdade religiosa, eles reafirmam o princípio absolutamente revolucionário da Declaração dos Direitos do homem. É verdadeiramente um princípio satânico: "non serviam", “eu não quero servir”, não quero ser submisso à verdade. Mas se Deus nos impõem uma verdade, assim será. "Aquele que não crer será condenado". Que exista a tolerância religiosa pelo fato das pessoas enganarem-se, é admissível, mas o princípio da liberdade religiosa não existe e não pode existir.

Eu tinha que vos dizer isso, para que vejais bem, que Roma não mudou em nada. Não é uma acusação vazia, mas retirada dos relatórios oficiais da reunião de Veneza, que aconteceu recentemente: 1º de maio. O reitor da universidade de Latrão é a cabeça de toda a formação universitária da Igreja de Roma. São os representantes oficiais de Roma. E eis o que eles reafirmam. Nada mudou. Não podemos seguir pessoas como estas. São erros graves, profundos.

Aconteça o que acontecer, devemos continuar, e o bom Deus nos mostra que seguindo esta via nós cumprimos o nosso dever. Não negamos a Igreja Romana. Não negamos a sua existência, mas não podemos seguir suas diretivas. Não podemos seguir os princípios do pós-Concílio. Nós não podemos ligar-nos a eles.

Só existe uma Igreja,... a Igreja conciliar!

Percebo a vontade de Roma de nos impor suas idéias e suas maneiras de ver. O Cardeal Ratzinger sempre me diz: "Mas Excelência, existe apenas uma Igreja, não se deve fazer uma Igreja paralela". Qual é esta Igreja, para ele? A Igreja conciliar, é evidente. Quando ele nos disse explicitamente: "Evidentemente, se lhe damos, neste protocolo, alguns privilégios, o senhor deve, também, aceitar o que fazemos; e conseqüentemente, na Igreja São Nicolas-du-Chardonnet deve-se celebrar uma Missa Nova todos os domingos", vós bem vedes que eles querem nos arrastar para a Igreja conciliar. Isso não é possível, pois, é claro que eles querem nos impor essas novidades para acabar com a Tradição. Eles não concederão nada por estima pela liturgia tradicional, mas, simplesmente, para enganar aqueles a quem eles o oferecem e para diminuir nossa resistência, encontrar uma brecha no bloco tradicional para destruí-lo. É a política deles, sua tática consciente. Eles não se enganam, e vós conheceis a pressão que eles fazem. Entre vós, alguns já foram pressionados pelo Bispo ou por outrem para deixardes a Tradição. Eles fazem esforços consideráveis em todos os lugares.

As irmãs de Saint-Pré foram visitadas pelo Pe. Philippe que tentou doutriná-las. Mas vos asseguro que ele não foi recebido de braços abertos. O Bispo de Carcassonne ofereceu amizade e compreensão para com as irmãs de Fanjeaux e ao nosso Pe. Pozzera. E o bispo também foi devidamente convidado a se retirar. Mas eles continuam. Eles voltarão. O Pe. Innocent-Marie telefonou-me recentemente e me disse que ele estava sendo vítima de pressões do Bispo de Angers. Agora eles não cessarão de tentar nos capturar. É verdadeiramente incrível essa guerra movida contra a Tradição. [...]

Penso que se deve evitar tudo aquilo que puder manifestar, por meio de expressões muito duras, nossa desaprovação àqueles que nos deixam. Não devemos enchê-los de epítetos que podem ser vistos como injuriosos. Isso de nada nos serve, pelo contrário. Pessoalmente, sempre tive essa atitude para com aqueles que nos deixam - e Deus sabe quantas vezes isso aconteceu durante a história da Fraternidade; a história da Fraternidade é quase que a história das separações - Sempre tive como princípio: não mais ter relações, acabou. Eles nos deixaram, eles irão a outros pastores, a outros rebanhos: nenhuma relação mais. Tanto aqueles que partiram como "sedevacantistas" quanto aqueles que nos deixaram por não sermos suficientemente papistas, todos tentaram engolfar-nos em uma polêmica. Eu nunca respondi uma palavra. Rezo por eles, é tudo. [...]


Não Morro entro na Vida.
Santa Teresinha.


Obrigado por tudo Monsenhor.

 REZEM TODOS OS DIAS O SANTO ROSÁRIO,

façam penitência.

 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Sexta-feira da Terceira Semana da Quaresma.

24/03  Sexta-feira  
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos

Leitura da Epístola do livro do 

Número 20,1-3 e 6-13

1 Toda a assembléia dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin no primeiro mês. O povo ficou em Cades; ali morreu Maria, que foi sepultada no mesmo lugar. 2 Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e Aarão, 3 procurou disputar com Moisés e gritou: ?Oxalá tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor!
6 Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de reunião, onde se prostraram com a face por terra. Apareceu-lhes a glória do Senhor, 7 e o Senhor disse a Moisés: 8 ?Toma a tua vara e convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos seus rebanhos.? 9 Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado. 10 Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes Moisés: ?Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?? 11 Moisés levantou a mão e feriu o rochedo com a sua vara duas vezes; as águas jorraram em abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais. 12 Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: ?Porque faltastes à confiança em mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta assembléia na terra que lhe destino.? 13 Estas são as águas de Meribá, onde os israelitas se queixaram do Senhor, e onde este fez resplandecer a sua santidade.

Sequência do Santo Evangelho 

São João 4, 5-42
 5 Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. 6 Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7 Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. 8 (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) 9 Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) 10 Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva. 11 A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? 12 És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? 13 Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, 14 mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna. 15 A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la! 16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá. 17 A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido. 18 Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade. 19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!... 20 Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar. 21 Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. 22 Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. 24 Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade. 25 Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas. 26 Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo. 27 Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela? 28 A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: 29 Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo? 30 Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. 31 Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come. 32 Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. 33 Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer? 34 Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra. 35 Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa. 36 O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão. 37 Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa. 38 Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos. 39 Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. 40 Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. 41 Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras. 42 E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo. 
Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário. 

24 de março dia de São Gabriel Arcanjo.

São Gabriel Significa "Fortaleza de Deus". O menciona o Profeta (Daniel 9:24-26)e o Evangelho de Lucas (Dan. 8:16; 9:21 e Luc. 1:19-26). Nas Escrituras é representado como mensageiro de Mistérios Divinos. Aparece com um ramo do Paraíso na mão. ( Homem, confidente de Deus) é um dos anjos que assistem diante de Deus (Lc. 1, 19). São João Evangelista fala diversas vezes nos sete espíritos, nos sete anjos que viu em pé diante de Deus. (Apoc. 1, 4 – 8, 2). 
  Com razão São Gabriel é chamado o anjo da Redenção, porque sua Missão, tanto no Antigo como no Novo Testamento se relaciona com a vinda do Salvador. Ao profeta Daniel foi o arcanjo Gabriel que lhe explicou a visão que teve do carneiro e do bode (Dan. 8, 1). Importantes são as revelações sobre a época de o Messias aparecer. Diz o capítulo 9 do livro de Daniel: “Eis que Gabriel me tocou no tempo do sacrifício da tarde... e disse: “Daniel, eu vim para te ensinar e para que tu entendas os desígnios de Deus. Setenta semanas (de anos) foram decretadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, a fim de que a prevaricação se consume, e o pecado tenha seu fim, e a iniquidade se apague, e a justiça eterna seja trazida, e as visões e profecias se cumpram, e o Santo dos santos seja ungido... Desde a saída da ordem para Jerusalém ser edificada até ao Cristo chefe, passarão sete semanas e sessenta e duas semanas; e depois será morto o Cristo, e o povo que o há de negar, não será mais seu”.
 É o mesmo arcanjo Gabriel que apareceu ao sacerdote Zacarias, quando este prestava o serviço de levita no templo. Da boca do arcanjo o sacerdote ouviu a anunciação do nascimento de São João Batista, precursor do Messias. Pondo em dúvida a veracidade da mensagem celeste, e argumentando com a idade provecta sua e da sua esposa, teve do arcanjo esta resposta: “Eu sou Gabriel, que assiste diante de Deus, e fui enviado para te falar e trazer-te esta boa nova. E desde agora ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas sucederem, visto que não acreditastes as minhas palavras, que se hão de cumprir a seu tempo”. (Lc. 1,5-23). 
 – Sua maior e mais nobre missão, porém, foi a de levar à Bem-aventurada Virgem Maria a mensagem da Encarnação do Verbo Divino no seu castíssimo seio de a transmitir à SS. Trindade. Se o arcanjo Gabriel teve outras missões ainda relativas à vida de Nosso Senhor, nós não sabemos. Não é improvável, que tenha sido ele, quem aos pastores de Belém trouxe a Boa Nova do nascimento de Jesus; improvável não é que do Anjo São Gabriel os reis Magos receberam o aviso de não voltar a Jerusalém; que tenha sido o mesmo Anjo, que a São José deu a ordem de fuga para o Egito, e mais tarde, de retornar para Nazaré (Mat. 2-13-20). Não está fora de propósito supor que tenha sido Gabriel o consolador de Jesus no horto das Oliveiras (Lc. 22, 43) e quem às santas mulheres anunciou a ressurreição gloriosa do Mestre (Mt. 28, 2, 5). Da Sagrada escritura sabemos, que São Gabriel é o anjo que mais íntimo contato apareceu com o mistério da Anunciação, e portanto de preferência merece o belo título de anjo da Encarnação de Cristo. As razões porque São Gabriel foi por Deus escolhido para desempenhar tão alta missão, encontramo-las no próprio amor divino, e na predileção de Deus por esta sublime criatura celeste. Nada impede supor, que São Gabriel tenha sido dono de qualidades especiais, que mais do que a qualquer outro anjo o indicaram para tão elevada incumbência. Como São Miguel se distinguiu por uma fidelidade sem par a Deus, cuja autoridade defendeu contra os anjos rebeldes, assim pode ser que, ao lado do arcanjo batalhador fosse São Gabriel a revelar um amor extraordinário e dedicação especial a Deus Filho, futuro Salvador, em cuja Encarnação os maus espíritos encontraram o que os escandalizasse. Se assim foi, como asseveram abalizados teólogos, a missão confiada a Gabriel constitui uma recompensa bem merecida pela sua fidelidade e amor ao Salvador. Era bem digno pois de ser intermediário entre Deus e a Virgem Imaculada. Por sua alta posição no céu e seus extraordinários merecimentos que tem em relação ao Salvador, à Santa Igreja e a todos nós, São Gabriel é credor da nossa veneração e gratidão. Temos no Arcanjo São Gabriel um modelo de veneração e amor a Maria Santíssima; pois foi ele que pronunciou a primeira “Ave Maria”, e com quanto respeito, com quanta devoção e amor não o fez! Em cada “Ave Maria”, que rezamos, poderá o arcanjo São Gabriel servir-nos de modelo. Pronunciando suas palavras, imitemo-lo também na sua devoção, no seu amor à Mãe de Deus.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.
Façam penitência.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Reliquias de Santa Teresinha do Menino Jesus,

Exumação do seu corpo em 23 de março de 1925.
Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.

Quinta-feira da 3ª Semana da Quaresma.

23/03 Quinta-feira  
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos



Leitura da Epístola do livro do profeta

Jeremias  7,1-7

1 A palavra do Senhor foi nestes termos dirigida a Jeremias: 2 Vai à porta do templo do Senhor; lá pronunciarás este discurso: escutai a palavra do Senhor, vós todos, povos de Judá, que entrais por estas portas para vos prosternar diante dele. 3 Eis o que diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: reformai vosso procedimento e a maneira de agir, e eu vos deixarei morar neste lugar. 4 Não vos fieis em palavras enganadoras, semelhantes a estas: Templo do Senhor, templo do Senhor, aqui está o templo do Senhor. 5 Se reformardes vossos costumes e modos de proceder, se verdadeiramente praticardes a justiça; 6 se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão, a viúva; se não espalhardes neste lugar o sangue inocente e não correrdes, para vossa desgraça, atrás dos deuses alheios, 7 então permitirei que permaneçais neste lugar, nesta terra que dei a vossos pais por todos os séculos. 

Sequência do Santo Evangelho 

São Lucas 4,38-44

38 Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela. 39 Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los. 40 Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava. 41 De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo. 42 Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse. 43 Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão. 44 E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.
Façam penitência.

23 de março da de Santo Turibio, Bispo (Peru).


  A cidade de Lima, capital do Peru, na América do Sul, bem pode ser chamada a cidade dos santos na América Latina. No período de um século, Lima viu morrerem Santa Rosa de Lima, São Francisco Solano, São Martinho de Porres e, o santo que comemoramos hoje, São Turíbio de Mongrovejo.
  São Turíbio foi para Lima com 42 anos, como novo arcebispo, e por 25 anos dedicou-se incansavelmente ao apostolado no Peru e à luta pela justiça, com profunda piedade e espírito de penitência. Modelo de pastor e de verdadeiro benfeitor dos humildes e dos índios, reformador dos costumes e das instituições eclesiásticas, opunha-se energicamente aos desmandos do poder civil e dos colonizadores espanhóis.
  Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, numa família nobre e rica, vivendo uma vida normal até os quarenta anos. Era protegido de um tio cônego, estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e preparava o doutorado em Oviedo. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério.
  Gozando da simpatia do rei Filipe II, foi nomeado presidente do tribunal da Inquisição em Granada, mesmo sendo leigo. Em seguida, visando uma solução adequada aos problemas que agitavam o Peru, o rei apresentou sua candidatura a arcebispo de Lima. Nomeado pelo Papa Gregório XIII, recebeu as ordens sagradas até ao episcopado e partiu para a América. urgiu a partir daí um dos maiores apóstolos da história da Igreja.
  A pé ou a cavalo, percorreu em condições bem precárias, mais de quarenta mil quilômetros, visitando várias vezes sua enorme diocese, chegando aos lugarejos mais distantes, enfrentando desde as neves perpétuas dos Andes, até os desertos tórridos do lado do Pacífico, organizando paróquias e reunindo sínodos para tratar dos problemas eclesiásticos, segundo as normas do recente Concílio de Trento. Na aplicação da reforma do Concílio de Trento teve de enfrentar por vezes os vice-reis, o Conselho das Índias e o próprio rei.
  Tinha especial preocupação com a condição espiritual e econômica dos indígenas, explorados e maltratados por muitos colonizadores. Defendeu os oprimidos contra a crueldade e falta de escrúpulos dos brancos. Bondoso, e caridoso, sabia responder com suavidade e beneficência à rudeza dos índios, magoados com os brancos e, conseguiu atrair muitos deles para a Igreja.


  Morreu longe de Lima, em visita pastoral. Tendo adoecido gravemente, deu tudo o que tinha aos pobres, falecendo no dia 23 de março de 1606, com 68 anos de idade. Foi beatificado em 1679 e canonizado em 1726 pelo Papa Bento XIII, que o declarou "Apóstolo e Padroeiro do Peru".

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.
Façam penitência.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Quarta-feira da 3ª Semana da Quaresma .

   22/03 Quarta-feira 
Festa de Terceira Classe 
Paramentos Roxos


Leitura da Epístola do livro do 

Êxodo 20, 12-24
12 Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. 13 Não matarás. 14 Não cometerás adultério. 15 Não furtarás. 16 Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. 17 Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.? 18 Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância. 19 E disseram a Moisés: ?Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos.? 20 Moisés respondeu-lhes: ?Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar?. 21 E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus. 22 O Senhor disse a Moisés: ?Eis o que dirás aos israelitas: vistes que vos falei dos céus. 23 Não fareis deuses de prata, nem deuses de ouro para pôr ao meu lado. 24 Tu me levantarás um altar de terra, sobre o qual oferecerás teus holocaustos e teus sacrifícios pacíficos, tuas ovelhas e teus bois. Em todo lugar onde eu fizer recordar o meu nome, virei a ti para te abençoar. 

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 15,1-20
1 Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: 2 Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer. 3 Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? 4 Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17). 5 Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus, 6 esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. 7 Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: 8 Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. 9 Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13). 10 Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes: 11 Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem. 12 Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram? 13 Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz. 14 Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala. 15 Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola. 16 Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão? 17 Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto? 18 Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem. 19 Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. 20 Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.