sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sexta-feira das têmporas.

27/02 Sexta-feira
Festa de Segunda Classe
Paramentos Roxos
Jejum e abstinência
Façam penitência.


Intróito/Sal. 24, 17 e 18.
Senhor, livra-me da minha angústia; veja minha humilhação e minha dor e perdoe-me todos os meus pecados.Ps. ibid., 2. A ti, Senhor, elevo a minha alma; meu Deus, confio em ti, para não ter de corar V/. Glória Patri.

Coleta
Sê, Senhor, propício ao teu povo; você o inspira com piedade para com você, que sua misericórdia o sustente com sua ajuda benéfica.

Leitura da Epístola do livro do profeta

Ezequiel 18,20-28
20 É o pecador que deve perecer. Nem o filho responderá pelas faltas do pai nem o pai pelas do filho. É ao justo que se imputará sua justiça, e ao mau a sua malícia. 21 Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a eqüidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer. 22 Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou. 23 Terei eu prazer com a morte do malvado? - oráculo do Senhor Javé. - Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva? 24 E, se um justo abandonar a sua justiça, se praticar o mal e imitar todas as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade da qual se tornou culpado e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer. 25 Dizeis: não é justo o modo de proceder do Senhor. Escutai-me então, israelitas: o meu modo de proceder não é justo? Não será o vosso que é injusto? 26 Quando um justo renunciar à sua justiça para cometer o mal e ele morrer, então é devido ao mal praticado que ele perece. 27 Quando um malvado renuncia ao mal para praticar a justiça e a eqüidade, ele faz reviver a sua alma. 28 Se ele se corrige e renuncia a todas as suas faltas, certamente viverá e não perecerá.

Gradual/Sal. 85, 2 e 6.
Salva, meu Deus, o teu servo que em ti espera.
V / Dá ouvidos, Senhor, à minha oração.

Trato/ Sal. 102, 10.
Senhor, não nos trates segundo os nossos pecados, e não nos castigues segundo as nossas iniqüidades.
V/.  Sal. 78, 8-9.Senhor, não se lembre mais de nossas antigas iniqüidades; que suas misericórdias venham apressadamente ao nosso encontro, pois estamos reduzidos à última miséria.
Ajoelhamo-nos V/.Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, e para a glória do teu nome, Senhor, livra-nos e perdoa-nos os nossos pecados, por amor do teu nome.

Sequência do Santo Evangelho 

São João 5,1-15
1 Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos. 3 Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. 4 [Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.] 5 Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. 6 Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado? 7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim. 8 Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. 9 No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. 10 E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito. 11 Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. 12 Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? 13 O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior. 15 Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.

Ofertório/ Pr. 102, 2 e 5.
Minha alma, bendiga ao Senhor, e nunca se esqueça de todas as suas bênçãos; e a tua mocidade se renovará como a da águia.

Secreta
Nós te imploramos, Senhor, aceita as ofertas oferecidas a ti por nosso ministério, e em tua misericórdia, santifica teus dons.
Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma .

Comunhão/Ps6, 11.
Deixe todos os meus inimigos corarem e serem tomados de medo; que eles recuem rapidamente e logo sejam confundidos.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Concede, Senhor, pela virtude deste mistério que nossos erros sejam apagados e nossos justos desejos realizados.

Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração. Ouve-nos, ó Deus de misericórdia, manifesta às nossas almas a luz da tua graça.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

27 de fevereiro dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

  São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o São Luiz Gonzaga de nossos dias, nasceu em Assis a 1 de março de 1838, filho de Sante Possenti di Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia que viu a luz do mundo, recebeu a graça do batismo, na mesma pia, em que foi batizado o grande patriarca S. Francisco, na Igreja de S. Rufino. O pai do Santo, já com vinte e dois anos era governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima do Papa Pio IX e Leão XIII honrava-o com sua sincera amizade. A mãe era de nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges apresentavam modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no batismo recebeu nome de Francisco, em homenagem a seu avô e ao Seráfico de Assis. Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado, no que diz respeito à piedade e à instrução. Nossa mãe era piedosíssima e nos educou segundo as máximas da nossa santa Religião”. Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e pronunciar os santos nomes de Jesus e Maria.
 A grande felicidade que na infância reinava, experimentou um grande abalo, quando inesperadamente o anjo da morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhe a mãe. D. Inês sentindo a última hora se aproximar, na compreensão do seu dever de mãe cristã reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os sacramentos, confortada pela graça de Deus, na idade de 38 anos deixou este mundo, para, na eternidade, perto de Deus, receber o prêmio de suas raras virtudes. Do pai, o próprio filho Francisco ao seu diretor espiritual deu o seguinte testemunho: Meu pai, declarou, tinha por costume levantar-se bem cedo. Dedicava uma hora à oração e meditação; se neste tempo alguém desejava falar-lhe, havia de esperar pelo fim das práticas religiosas. Terminadas estas, ia à igreja assistir a santa Missa e costumava levar consigo dos filhos os que não fossem impedidos. Finda a santa Missa metia-se ao trabalho. À noite reunia seus filhos e dava-lhes sábios conselhos e úteis exortações. Falava-lhes dos deveres para com Deus, do respeito devido à autoridade paternal e do perigo das más companhias. “Os maus companheiros, dizia ele, são os assassinos da juventude, os satélites de Lúcifer, traidores escondidos e por isso para os temer e deles ter cuidado”. 
  Os biógrafos de Francisco fazem ressaltar em primeiro lugar a extraordinária bondade de coração do menino, principalmente para com os pobres. Muitas vezes ficou ele sem a merenda, por tê-la dado aos pobres. Entre seus irmãos era ele o anjo da paz, sempre pronto para desculpar e para defendê-los, quando acusados injustamente. Não suportava a injúria, fosse ela atirada a si ou a um dos seus. Com a maior facilidade se desfazia de objetos de certo valor, com que tinha sido homenageado. Assim presenteou a um de seus irmãos de uma bela corrente de prata, que tinha recebido de um parente. Estes belos traços no caráter de Francisco não afastam certas sombras que nele subsistiam também. Os que o conheciam meigo, bondoso, compassivo, sabiam-no também ser nervoso, impaciente, irascível. Por felicidade sua o senhor Sante, seu pai não era daqueles que desculpam os caprichos de seus filhos, pretextando serem crianças, sem pensar que mais tarde terão de pagar bem caro esta condescendência e fraqueza. O verdadeiro amor cristão fê-lo combater sem tréguas todos os defeitos. 
 Francisco era obediente e tinha grande respeito ao pai, o que aliás não impedia que diante de uma severa repreensão desse largas ao seu gênio impulsivo, com palavras e gestos demonstrando o seu descontentamento, sua raiva. Mas tudo isto era fogo fátuo. Logo voltava às boas; sua boa índole não permitia, que estas revoltas interiores durassem muito tempo. Era encantador ver, momentos depois, o menino desfeito em pranto, procurar o pai e por seus modos ingênuos e infantis, assegurar-se do perdão e do amor do Sr. Sante. Este, fingindo não dar crédito a estas demonstrações, retrucava bruscamente: “Nada de carícias; quero ver fatos”. Então o menino se atirava ao colo do pai, beijava-o e sentia-se feliz, em ter voltado à paz, com o perdão paterno. Nesta escola de sábia pedagogia Francisco cedo aprendeu combater e vencer seus defeitos. Por algum tempo Francisco ficou entregue aos cuidados de um mestre; depois freqüentou o colégio dos Irmãos das Escolas Cristãs, onde fez rápidos progressos, figurando sempre entre os melhores alunos. Na idade de sete anos fez a sua primeira confissão. Um ano depois, em junho de 1846 recebeu o sacramento da confirmação. Tudo isto prova que o menino já se achava bem instruído nas verdades da nossa fé, graças ao sólido ensino que lhe dispensavam os beneméritos Irmãos Sallistas.
 Nesse mesmo tempo caiu também a data da sua primeira comunhão, para qual se preparou com todo o esmero. Testemunha de vista desse grandioso ato diz: “O fervor com que o vi chegar-se da sagrada mesa, o espírito de fé, que se estampava no seu semblante, o vigor dos seus afetos foram tais, que se chegava a crer ser ele levado por um Serafim”. Esses sentimentos de fé e de piedade, aquelas chamas de amor ao SS. Sacramento não mais se separaram do coração de Francisco nos anos de sua mocidade, nem no meio de uma vida dissipada de certo modo mundana. Não menos certo é que a freqüente recepção da santa comunhão preservou-o de graves desvios no meio das tentações do mundo. Terminados os estudos elementares, o pai pensou em procurar para Francisco uma educação mais elevada, de acordo com a sua posição social e confiou seu filho aos Padres Jesuítas que na cidade de Spoleto dirigiram um colégio. Neste educandário passou Francisco os anos todos de sua mocidade no mundo e chegou a cursar os quatro semestres de estudos filosóficos. Estudante inteligente e cumpridor exato de seu dever que era, deixou boa memória naquele colégio e formavam-se as mais belas esperanças a seu respeito. Ano não passava, que não tirasse um prêmio; no fim dos seus estudos foi distinguido com uma medalha de ouro. Mestres e colegas igualmente o estimavam. Tudo nele encantava: os seus modos delicados e gentis, a modéstia no falar, o sorriso benévolo que lhe afloravam aos lábios, o garbo com que se sabia ver em circunstâncias mais solenes, os sentimentos nobres que dominam em todo o seu proceder. Aos seus mestres devotava sempre a máxima estima e profunda gratidão. 
Das práticas de piedade era rígido observador e com regularidade freqüentava os santos sacramentos. Não há dúvida, que, dada a ocasião, o seu gênio impetuoso e quente o levava a transportes de veemência e de cólera. Mais estes excessos eram sempre seguidos de lágrimas de arrependimento e de penitência. Desde a sua infância mostrou devoção particular a Nossa Senhora das Dores, uma imagem da qual se conservava em sua família; e cabia-lhe a ele adorná-la de flores e manter acesa uma lâmpada diante da estátua. Afirma um dos seus irmãos, Eurique Possenti, que viu Francisco, no último ano que passou em casa, usar de cilício de couro com pontinhas de ferro. Outro testemunho, da família Parenzi, declara: “Sua conduta religiosa e moral tem sido irrepreensível; dada a grande vigilância de meus pais, não teria sido admitido em nossa família, se não fosse realmente virtuoso”. Para completar a imagem do jovem estudante e assim melhor poder compreender a mudança que nele mais tarde se efetuou, tenha aqui lugar a descrição da solene distribuição de prêmios, da última em que Francisco tomou parte no colégio dos Jesuítas em Spoleto, em setembro de 1856. Os melhores alunos tinham sido escolhidos para abrilhantar a cerimônia com discursos e declamações poéticas. Entre eles Francisco ocupava o primeiro lugar. Ninguém se lhe igualava em elegância exterior, no garbo de representar, na graça de declamar, na graciosidade da gesticulação, no timbre encantador da voz. Podendo representar no palco, parecia estar no seu elemento e fazia-o com toda a naturalidade e perfeição. Em sua aparência não deixava nada a desejar: tudo obedecia às exigências da última moda: o cabelo esmeradamente penteado, o traje elegante e ricamente adornado, as luvas brancas, gravata de seda, sapatos luzidios e artisticamente acabados, a tudo isso Francisco ligava máxima importância. Em certa ocasião recitou com tanto ardor e tamanho foi o entusiasmo que excitou no auditório, que o delegado apostólico Mons. Guadalupe, que presente se achava, ao pai de Francisco que ao seu lado se achava disse: “se vosso filho aqui presente estivesse, abraçava-o em vosso lugar”.

As raras qualidades morais, que o adornavam, a figura simpática e atraente na flor da mocidade, a extrema vivacidade que nele se observava, não deixaram de emprestar-lhe um leve sombreado de vaidade, que de algum modo chegou a dominá-lo. Esta vaidade se lhe patenteava na exigência que fazia no modo de se trajar, sempre na última moda, de perfumar o cabelo e este sempre tratado com cuidado, de se aborrecer com uma nódoa por mais insignificante que fosse, no fato, no amor que tinha a divertimentos alegres e aos esportes mundanos. O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”
 Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem o chamasse à atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a eternidade, etc. Em uma carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S. J. há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os sacramentos. Com todas as leviandades e suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão. “Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”. Seu diretor, Pe. Norberto, Passionista, declara: “A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”. O mesmo sacerdote relata: “A sua vocação se manifestou do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal, que o fez pensar na morte. Teve então a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceita, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. A promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afeto ao mundo e se entregou à dissipação como antes. Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave, que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo, e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras se acentuaram quase instantaneamente e teve o enfermo uma noite tranquila e não mais voltaram as angústias da dispneia. Deste extraordinário favor o jovem se lembrou sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou e no mundo continuou a viver. Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados e seu diretor espiritual não hesitou em atribuir a este esporte a cruel moléstia, que o ceifou na flor da idade. Certa vez, em pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade, que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe retinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.
 A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afeto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia Corpus Christi, e a notícia alcançou Francisco, quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia, que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes a procurar a sociedade, freqüentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a idéia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de nos entendimentos inocentes ela conseguir de fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos. Na igreja metropolitana de Spoleto gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Icone”. Na oitava do dia 15 de agosto esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. 
Em 1856 Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos se fixavam na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Icone” vinha aproximando-se do jovem, parecia ela lhe atirar um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento te espera”. Esta palavra, qual uma seta de fogo cravou-lhe no coração; assim saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar por enquanto nenhuma demonstração do seu intento. Embora certo de sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão procurou seu mestre no liceu e diretor espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta e a ele se abriu inteiramente, fazendo do conselho do mesmo depender sua resolução definitiva. O exame foi feito com toda sinceridade e tendo tomado em consideração todos os fatores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a seguí-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes de sua inteira confiança, tiveram o mesmo resultado. Francisco se resolveu então a pedir sua admissão na Congregação dos Passionistas. Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza de seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. 
Francisco, porém, ficou firme. Tomou ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prêmios, no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita a seu tio Cesare, cônego da Basílica de Loreto e a um parente de seu pai, Frei João Batista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cônego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir às suas vontades, sem restrição de comodidades. A visita à Santa Casa em Loreto Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a N. Sra. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para convento Morrovale, dos Passionistas onde já em 21 de setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriel dell’Adolorata. Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos, comunicando-lhes o fato. Ao pai pede perdão, aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis. 
Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir as culminâncias da perfeição. Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu caráter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado, à Santa Eucaristia, sua devoção singular a Mãe de Deus, em particular à Nossa Senhora das Dores e sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um. Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres. Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia, que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem Gabriel o aproveitou para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e à Maria Santíssima, mãe das dores. 
Em fevereiro de 1862 ainda pôde andar e receber a santa comunhão na igreja, junto com seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de N. Sra. das Dores, que freqüentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas: “Minha mãe, faze depressa!” – “Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!” – “Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”. – Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afeto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do crucifixo e da Mater dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fêz-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo. Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa no catálogo dos Beatos e em 1920 Bento XV decretou-lhe as solenes honras da canonização.
Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932. 

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Quinta-feira da Primeira Semana da Quaresma

26/02 Quinta-feira 
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos


Intróito/ Sal. 95, 6.
Louvor e esplendor estão diante dele; santidade e magnificência no seu santuário.Ps. ibid., 1.Cante um novo cântico ao Senhor; cantai ao Senhor, toda a terra.V/. Glória Patri.

Coleta
lha, em tua benevolência, te imploramos, Senhor, a devoção de teu povo, para que o fruto das boas obras fortaleça e renove segundo o espírito aqueles que mortificam seu corpo pela abstinência.

Leitura da Epístola extraída de

Ezequiel 18,1-9

1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: por que repetis continuamente esse provérbio entre os israelitas: 2 os pais comeram uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados? 3 Por minha vida - oráculo do Senhor Javé -, não tereis mais ocasião de repetir esse provérbio em Israel. 4 É a mim que pertencem as vidas, a vida do pai e a vida do filho. Ora, é o culpado que morrerá. 5 O homem justo - que procede segundo o direito e a equidade, 6 que não participa dos festins das montanhas, que não volve os olhos para os ídolos da casa de Israel, que não desonra a mulher do próximo, e não tem relação com uma mulher durante o tempo de sua impureza, 7 que não oprime ninguém, que restitui o penhor ao seu devedor, que não exerce a rapina, que dá seu pão aos famintos, e cobre com vestimenta o que está nu, 8 que não empresta à taxa usurária e não recebe com juros, que afasta a sua mão da iniquidade, e julga equitativamente entre um homem e outro, 9 que segue os meus preceitos e observa as minhas leis, para proceder com retidão - esse homem é um justo: certamente viverá. Oráculo do Senhor Javé. 
Deo Gracias

Gradual/ Pr. 16, 8 e 2.
Defenda-me, Senhor, como a menina dos seus olhos. Proteja-me à sombra de suas asas.
V / Deixe meu julgamento proceder de seu semblante; deixe seus olhos olharem para a equidade.

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 15,21-28

21 Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia. 22 E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. 23 Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos. 24 Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25 Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me! 26 Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. 27 Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos... 28 Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada. 
Laus tibi, Christe

Ofertório/Sal. 33, 8-9.
O Anjo do Senhor cercará os que o temem e os livrará. Prove e veja quão doce é o Senhor.

Secreta
Suplicamos-te, Senhor, que por tua misericórdia estes sacrifícios nos salvem, já que foram estabelecidos nestes termos de jejuns de purificação.
Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma
 
Comunhão/Ioann. 6, 52.
O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Pela abundância de teus dons, eleva-nos, Senhor, acima dos bens temporais e renova-nos para aqueles que são eternos.
Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração.Concede, Senhor, aos povos cristãos que conheçam bem as verdades em que professam crer e que amem o dom celestial do qual participam com frequência.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.


Dia 26 de fevereiro dia de São Porfírio,o vigoroso destruidor da idolatria.


   São Porfírio, o vigoroso destruidor da idolatria, nasceu em Tessalônica, na Macedônia Grécia, onde nasceu no ano 347.Instruído nas ciências, tendo a idade de 25 anos, retirou-se para a solidão de Scete, onde passou cinco anos numa gruta, nas proximidades do Jordão. A insalubridade do lugar causou-lhe grande mal à saúde, e doente chegou a Jerusalém, onde teve a notícia da morte dos pais. Em sua companhia achava-se um jovem de nome Marco. A este incumbiu de receber a herança e distribuir o dinheiro entre os pobres, o que se fez.São Porfírio, não tendo reservado nada para si, viveu sempre pobre.
  Na visita diária aos Santos Lugares teve uma vez um desmaio que se transformou em visão. Apareceu-lhe Nosso Senhor na Cruz e com ele o Bom Ladrão.Nosso Senhor  Jesus Cristo deu a este um sinal de ajudar São Porfírio a levantar-se do chão. O Bom Ladrão São Dimas estendeu-lhe a mão e disse: “Agradece a teu Salvador tua cura”. No mesmo momento Jesus Cristo desceu da Cruz e entregou-lhe a mesma, com a recomendação de guardá-la bem. Quando o Santo voltou a si, notou que estava perfeitamente curado. O sentido das palavras de Cristo, porém ficou-lhe enigmático, até que o Bispo de Jerusalém o ordenou e o nomeou guarda do Santo Lenho.
  Os sacerdotes da diocese de Gaza, tendo perdido o Bispo, insistiram com São Porfírio para que aceitasse a direção da diocese orfanada. Embora sua modéstia quisesse fugir dessa dignidade, à obediência teve de sujeitar-se. Existiam em Gaza muitos pagãos e um templo magnífico para o culto das divindades. Os idólatras, conhecendo já de antemão o zelo do novo Bispo, principalmente seu repudio ao culto pagão, assentaram matá-lo antes de tomar posse do rebanho. Este plano ímpio, por qualquer circunstância imprevista, não pôde ser efetuado. Bem se arrependeram da iniquidade  pois São Porfírio, apesar de inimigo do paganismo, pela modéstia, paciência e caridade, soube ganhar os corações dos próprios pagãos. Um fato extraordinário, que se deu logo no princípio do seu governo, aumentou ainda a confiança e veneração para com o novo Pastor. Uma seca atroz de muitos meses aniquilara as esperanças dos lavradores e o espectro da fome começava a apavorar os ânimos. Nesta expectativa desoladora os sacerdotes de Marnas, a quem era devotado o templo, se dirigiram à sua divindade com preces e sacrifícios, para obter o benefício de uma chuva. Marnas, porém, chuva nenhuma mandou e a seca continuou a assolar a região. Porfírio, condoído com a miséria pública, ordenou um dia de jejum, organizou uma procissão de penitência a uma capela situada fora da cidade. Apenas recolhida à procissão, caiu uma chuva abundantíssima, refrigerando a terra ressecada. Muitos, diante deste espetáculo e vendo nisto o grande poder do Deus dos cristãos, converteram-se. Outros, porém, encheram-se de inveja e forjaram novos planos malignos contra a vida do santo Bispo e de alguns cristãos.
  Entretanto, veio um édito do imperador Arcádio, ordenando o fechamento dos templos pagãos. Esta ordem foi por muitos funcionários obedecida, por outros não. Assim ficou aberto o templo de Marnas. Porfírio, desejando ardentemente a execução da ordem imperial, conseguiu em Constantinopla a autorização para derrubar o templo em Gaza.
  A influência, porém, de ministros subornados pelos sacerdotes pagãos, fez com que o imperador revogasse a autorização exarada. Não obstante, algum tempo depois, foi publicada nova ordem no mesmo sentido de fechar os templos pagãos, sob pena de os refratários perderem a colocação; mas mesmo assim, o templo não se fechou. A imperatriz Eudóxia prometeu a  São Porfírio empregar toda a influência junto ao imperador, para conseguir o fechamento e a destruição do templo. Porfírio, inspirado por Deus, predisse à imperatriz o advento de um filho. Logo que esta profecia se cumpriu, dirigiu-se o Bispo a Constantinopla, para administrar o sacramento do Batismo ao príncipe herdeiro. Aconselhado pela imperatriz,São Porfírio redigiu novamente o requerimento ao imperador.
  A petição foi entregue ao monarca logo depois do ato religioso, por assim dizer, pela criança recém – batizada. Arcádio achou-a depositada sobre o peito do filhinho. No momento em que a abria, a pessoa que segurava nos braços a criancinha disse-lhe:
  “Digne-se Vossa Majestade de deferir o requerimento apresentado por seu filho”. O imperador respondeu com sorriso nos lábios: “Como poderia eu negar o primeiro pedido de meu filhinho?” – Imediatamente foi mandado para Gaza um oficial do exército, com ordem estrita de demolir o templo de Marnas. Poucos dias depois, quando Porfírio se aproximou da cidade, os cristãos, seus diocesanos, receberam-no com muita solenidade. O préstito havia de passar por um lugar onde se achava uma imagem de Vênus, ponto predileto para reuniões de mulheres, que costumavam encontrar-se lá, para tratar projetos de casamentos. Mal o Bispo se achava defronte daquela estátua, quando esta, sem que pessoa alguma lhe tivesse tocado, ruiu por terra, fazendo-se em pedaços. Este fato causou grande sensação e foi o início de muitas conversões. O templo de Marnas desapareceu e em seu lugar se ergueu uma belíssima Igreja, dedicada a Deus vivo e verdadeiro.
 O triunfo de Porfírio sobre a idolatria foi completo. Quando, em 421, Deus o chamou para o descanso eterno, o santo Bispo teve a grande satisfação de ver muito reduzido o número de pagãos em sua diocese.
 São Porfírio exemplo de luta contra idolatrias rogai por nos pela conversão dos infiéis e modernistas ecumênicos.


 Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de Têmporas. (Quaresma)

25/02 Quarta-feira
Festa de Segunda Classe
Paramentos Roxos

Jejum e abstinência
Façam penitência.

Intróito/Sal. 24, 6, 3 e 22.
Lembre-se de sua bondade, Senhor, e de sua misericórdia que remonta a séculos. Que nossos inimigos nunca triunfem sobre nós. Deus de Israel, livra-nos de todas as nossas tribulações.Ps. ibid., 2.A ti, Senhor, elevo a minha alma; meu Deus, confio em ti, para não ter de corar. V/. Glória Patri.

Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oratio. Rezar
Preces nostras, quǽsumus, Dómine, clementer exáudi: et contra cuncta nobis adversántia, déxteram tuæ maiestátis exténde. Per Dominum nostrum. Rogamos-te, Senhor, por tua clemência, que ouças nossas orações e estenda a mão direita de tua majestade para nos preservar de tudo o que é contra nós.

Leitura da Epístola do livro dos 

Êxodo 24, 12-18.
"12.O Senhor disse a Moisés: “Sobe para mim ao monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua instrução”. 13.Moisés levantou-se com Josué, seu auxiliar, e subiu ao monte de Deus. 14.E disse aos anciãos: “Esperai-nos aqui até que voltemos. Tendes convosco Aarão e Hur. Se alguém tiver um litígio, se dirigirá a eles”. 15.Moisés subiu ao monte. A nuvem cobriu o monte 16.e a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem. 17.Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte. 18.Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites."

Gradual/Sal. 24, 17-18.
Multiplicaram-se as tribulações do meu coração: tira-me da minha angústia.
V / Veja minha humilhação e dor e perdoe-me todos os meus pecados.
Aqui dizemos V/. O Senhor esteja convosco , sem dobrar os joelhos.

Oração
Olha, em tua benevolência, te imploramos, Senhor, a devoção de teu povo para que o fruto das boas obras fortaleça e renove segundo o espírito aqueles que mortificam seu corpo por meio da abstinência

Leitura da Epístola do livro dos 

Reis.19, 3-8.
Naqueles dias, Elias chegou a Berseba, que pertence a Judá, e deixou ali seu servo. Para ele, ele foi ao deserto pelo espaço de um dia de caminhada; chegou lá, sentou-se debaixo de uma vassoura e pediu sua morte, dizendo: "Basta! Agora, Senhor, tire minha vida, porque não sou melhor do que meus pais!" Deitou-se e adormeceu debaixo da vassoura. E eis que um anjo o tocou e lhe disse: “Levanta-te, come”. Ele olhou, e eis que havia um bolo assado em pedras aquecidas e um jarro de água ao lado de sua cama. Depois de comer e beber, voltou para a cama. O anjo do Senhor veio pela segunda vez, tocou nele e disse: "Levante-se, coma, pois o caminho é muito longo para você". Levantou-se, comeu e bebeu, e com a força que este alimento lhe deu,Horeb.

Trato/  Ps. 24, 17, 18 e 1-4.
Tira-me da minha angústia, Senhor, vê a minha humilhação e a minha dor e perdoa-me todos os meus pecados.
V / A ti, Senhor, elevo a minha alma; meu Deus, confio em ti, que não devo corar; e que meus inimigos não riem de mim.
V /Porque todos aqueles que esperam por você não ficarão confusos. Confunda todos os que cometem iniqüidade sem causa.

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 12, 38-50 
38 Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre. 39 Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: 40  do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. 42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão. 43 Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha. 44 Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. 45 Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa. 46 Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. 47 Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te. 48 Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? 49 E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 50 Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Ofertório/Sal. 118, 47 e 48.
Meditarei nos teus mandamentos, porque os amo, e levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos que amo.

Secreta
Apresentamos-te, Senhor, hostes de propiciação para que, na tua misericórdia, perdoes-nos as nossas faltas e dirijas os nossos corações vacilantes.
Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma

Comunhão/Sal. 5, 2-4.
Entenda meu choro. Esteja atento à voz da minha oração, meu rei e meu Deus, porque é a ti que orarei, Senhor.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Senhor, ao receber o teu sacramento, sejamos purificados de nossos pecados ocultos e libertos das armadilhas que nossos inimigos armaram para nós.

Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração Ilumina as nossas almas com a claridade da tua luz, nós te suplicamos, Senhor, para que vejamos o que devemos fazer e tenhamos força para fazer o que é certo.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

25 de fevereiro dia de São Tarásio,Defensor das Sagradas Imagens.

   

 São Tarásio, natural de Constantinopla, foi um dos Patriarcas mais célebres da Igreja oriental. O pai, nobre patrício e bom cristão, teve todo empenho em proporcionar-lhe uma boa educação. O filho satisfez perfeitamente aos desejos e esperanças do progenitor, tanto que, uma vez conhecido na sociedade, era objeto da admiração de todos, por causa do seu saber e belo caráter. Abriram-lhe ao futuro as perspectivas mais risonhas e prometedoras. Convidado pelo imperador Constantino V e sua esposa Irene, ocupou o cargo de cônsul e mais tarde de secretário do Estado. Os atrativos do mundo, o brilho de posições elevadas não conseguiram entretanto, ofuscar-lhe a vista. A vida na corte, tão cheia de seduções e escolhas.A virtude, em nada lhe modificou os sentimentos de piedade e a sobriedade de seu caráter. A todos e em todas as emergências, dava o exemplo de cristão reto.
    Havia no Oriente uma seita, que combatia o culto das imagens, chamada a dos iconoclastas. Paulo III, Patriarca de Constantinopla embora merecedor dos maiores elogios, como Prelado virtuosíssimo e caridoso que era, teve a fraqueza de não se opor à perniciosa seita, com a energia que as circunstâncias exigiam, tanto que a opinião de muitos católicos o açoitava como falta da mesma. Uma doença grave, que Deus lhe mandou, abriu-lhe os olhos. Muito arrependido do erro que cometera, renunciou o cargo e retirou-se para a solidão, a fim de fazer penitência. Tão firme ficou nesse propósito, que amigos íntimos não o puderam demover do intento. Uma visita da própria imperatriz Irene, (esposa de Leão IV) e suas insistências para que voltasse ao cargo, não tiveram melhor resultado.
  Paulo tomou o hábito de monge e propôs São Tarásio para seu sucessor. A indicação não podia ser mais acertada, apesar de São Tarásio se opor com toda a força. Paulo morreu pouco depois e São Tarásio recebeu a sagração patriarcal, na festa de Natal de 784. Uma das condições principais, sob as quais São Tarásio tinha aceito o cargo de Patriarca, fora a convocação de um Concílio, que decidisse a questão do culto das imagens. O Concílio realizou-se em Nicéia, na Bitinia, e o resultado foi à anatematizado a heresia dos iconoclastas.
São Tarásio, na compreensão nítida da alta missão de Bispo e Patriarca, praticou as virtudes cristãs, procurando ao mesmo tempo implantá-las na alma do povo. A todos dava o exemplo da caridade prática, convidando a pobreza para com ele partilhar as refeições em palácio. Esta praxe não teve a aprovação de todos, e houve quem o censurasse por isso, querendo fazer-lhe ver que a caridade assim compreendida e efetuada, não conduzia a dignidade que representava, como Patriarca. “Minha ambição única, respondia São Tarásio, é imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, que viveu para servir aos outros e não para ser servido”.
  Para que o povo tivesse sempre mestres que o instruíssem na religião e o defendessem contra as heresias,São Tarásio fundou alguns conventos e tudo fez para que nada faltasse ao rebanho, que a Divina Providência aos seus cuidados confiara.
  Tanto zelo, tanta dedicação não podia subsistir, sem que o inferno contra eles se enfurecesse. Não só iconoclastas, como também maus católicos, moveram uma campanha atroz contra o Prelado. À campanha aberta preferiram a encoberta, e muitos meses não se passaram, sem que Tarásio se visse emaranhado nas malhas de calúnias de toda espécie.
  O Bispo opôs à vil campanha as armas da fé em Deus, da paciência e da caridade.
 O imperador, tomado de amores ilícitos por uma dama da corte, acusando a esposa de tentativa de morte por veneno, requereu do Patriarca o divórcio, para contrair matrimônio com Teodata, era esse o nome da adúltera.São Tarásio opôs-se ao alvitre do monarca, pediu-lhe que desistisse do ímpio projeto e ameaçou-o com os efeitos da vingança divina. Constantino, cego de paixão, não tomando em consideração as advertências e conselhos do Patriarca, exigiu-lhe a aprovação do casamento com Teodata, alegando – infelizmente com razão – a atitude de Patriarcas anteriores, em condições idênticas.São  Tarásio, porém, ficou firme e disse: “Mais temo cair em desagrado do Rei dos reis, que perder as boas graças de um rei mortal”. Constantino, uma vez no caminho dos desregramentos, adotou o sistema monárquico absoluto, afastando a mãe da gerência nas coisas de política. Irene soube vingar-se. Se no princípio disfarçadamente, mais tarde fez guerra aberta ao filho; moveu contra ele elementos poderosos militares. Constantino foi preso; por ordem da mãe arrancaram-lhe os olhos, com tanta crueldade, que morreu em conseqüência disso. Irene subiu novamente ao trono, mas seu governo pouca duração teve. Vento semeara, tempestade havia de colher e colheu. Em 802 foi derrubada do poder e desterrada para Lesbos, onde morreu desgostosa.
 Pela morte de Constantino, voltaram para São Tarásio dias de sossego, que não mais foi perturbado por novas lutas. Tanto Irene, como seu sucessor Nicéforo, deixaram a Igreja em paz. Vinte e dois anos pode  São Tarásio governar o patriarcado, dedicando-se de corpo e alma aos trabalhos na vinha de Cristo.
  Embora já velho e doente, celebrava todos os dias o santo sacrifício da Santa Missa, preparando-se assim santamente para a morte.
  Antes de entregar a alma ao eterno repouso o demônio armou-lhe uma luta terrível, molestando e martirizando-o com pensamentos de desespero. Pessoas que o puderam observar de perto, viram-no tremer no corpo todo, acusando sinais de temor e de angustia. Uma outra vez ouviram exclamar: “Não fiz tal coisa! É mentira!” – “Sim, isto eu fiz, mas confessei-me sinceramente e espero de Deus misericórdia”. – Os circunstantes, observando esta luta entre a alma e o demônio, puseram-se a rezar fervorosamente. São Tarásio, livre daquele pesadelo terrível, serenamente entregou a alma a Deus em 806.
  Quatorze anos depois da morte de São o imperador Leão, amigo dos iconoclastas, viu em sonhos o falecido Patriarca que lhe lançava olhares ameaçadores, dando a um tal Miguel ordem para que o matassem. Em vão procurou Leão descobrir esse Miguel. Seis dias depois foi assassinado por Miguel, o Gago, que se apoderou do trono imperial.
 

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

24 ou 25 de fevereiro dia de São Matias,Apostolo.

24/02 Terça-feira
Festa de Segunda Classe
Paramentos Vermelhos
  
  São Matias entre os 72 discípulos de Jesus Cristo. Os Atos dos Apóstolos referem que São Matias foi eleito pelos Apóstolos, para substituir o traidor Judas Iscariotes, e esta eleição se fez nos dias depois da gloriosa Ascensão de Jesus Cristo e antes da vinda do Espírito Santo.Da vida anterior do Apóstolo, do lugar de sua origem, nada sabemos. O que lemos de sua atividade apostólica, da sua morte, não traz o cunho da certeza histórica. Os martirológicos gregos afirmam que Matias pregou o Evangelho na Judéia, em Jerusalém, depois da Etiópia, onde fundou um bispado e terminou a vida na cruz. Outras fontes históricas confirmam a comunicação do martirológio grego e acrescentam que Matias morreu em Sebastópolis, onde foi sepultado perto do templo do sol. Há outros historiadores que discordam radicalmente das fontes citadas, nada dizendo do martírio do Apóstolo, mas afirmam que Matias morreu em Jerusalém e lá foi sepultado. Há ainda uma terceira versão, segundo a qual Matias teria sido apedrejado pelos judeus e decapitado.A história deixa-nos, portanto, por completo na ignorância relativamente ao tempo e ao lugar da morte ou Martírio de São Matias. A mãe de Constantino o Grande, Santa Helena, trouxe as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte destas relíquias é venerada na Igreja antiquíssima de São Matias em Tréves (Alemanha) e outra na Igreja Santa Maria Maggiore em Roma. 

Intróito/Sal. 138, 17.
Na minha opinião, seus amigos foram mais do que honrados, ó Deus; sua dignidade como príncipes da Igreja foi poderosamente estabelecida,Ps. ibid., 1-2.Senhor, você me provou e me conhece; você conheceu minha entrada no descanso e minha futura ressurreição.V/. Glória Patri.

Coleta
Ó Deus, que associastes o Beato Matias ao colégio dos vossos Apóstolos, concedei-nos, por favor, que, por sua intercessão, possamos sentir sempre os efeitos: da vossa misericórdia para conosco.

Leitura da Epístola do Profeta

Jeremias 17,5-10
5Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!6Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside.7Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor.8Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos.9Nada mais ardiloso e irremediavelmente mau que o coração. Quem o poderá compreender?10Eu, porém, que sou o Senhor, sondo os corações e escruto os rins, a fim de recompensar a cada um segundo o seu comportamento e os frutos de suas ações.

Gradual/Sal. 138, 17-18.
Ó Deus, quão singularmente honrados são seus amigos aos meus olhos! Seu império cresceu extraordinariamente forte.
V /  Se me comprometo a contá-los, seu número supera o da areia do mar.

Trato/ Sal. 20, 3-4.
Você concedeu a ele o desejo de seu coração, e você não o privou do pedido de seus lábios.
V/. Pois você o advertiu das mais doces bênçãos.
V/.  Você colocou uma coroa de pedras preciosas na cabeça dele.
 
Sequência do Santo Evangelho segundo 

São Lucas 16,19-31
19Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava.20Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico.21Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas.22Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.23E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.24Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.25Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento.26Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.27O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos,28para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos.29Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!30O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão.31Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

Ofertório/Sal. 44, 17-18.
Tu os farás príncipes sobre toda a terra; eles se lembrarão do seu nome de geração em geração.

Secreta
Que a oração de São Matias, teu Apóstolo, acompanhe, ó Senhor, estas hóstias que te oferecemos para serem consagradas ao teu santo nome, e que por isso nos dás para sermos purificados e defendidos.

Prefácio aos Apóstolos .
 
Comunhão/ Mat. 19, 28.
Vocês que me seguiram se sentarão em tronos e julgarão as doze tribos de Israel.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Concede-nos, por favor, Deus Todo-Poderoso, que o Beato Matias, teu Apóstolo, intervindo em nosso favor, possamos receber por meio dos santos mistérios que recebemos o perdão e a paz.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.