sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sábado das Quatro Têmporas.

28/02 Sábado 
Festa de Segunda Classe 
Paramentos Roxos
Jejum e penitência.


Intróito/Sal. 87, 3.
Deixe minha oração penetrar em você, Senhor, dê ouvidos à minha súplica.Sal. 56, 2.Senhor, Deus da minha salvação, diante de ti clamei dia e noite. V/. Glória Patri.

Coleta
Post Kyrie, eleison , dicitur: Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oração. Rezar
Pópulum tuum, quǽsumus, Dómine, propítius respice: atque ab eo flagella tuæ iracúndiæ clementer avérte. Por Dominum. Olha para o teu povo com favor, ó Senhor, e na tua misericórdia afasta dele os flagelos da tua ira

Leitura do livro de 

Deuteronômio 26, 12-19.
 "12.Quando tiveres acabado de separar o dízimo de todos os teus produtos, no terceiro ano, que é o ano do dízimo, e o tiveres distribuído ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que tenham em tua cidade do que comer com fartura,* 13.dirás em presença do Senhor, teu Deus: ‘Tirei de minha casa o que era consagrado para dá-lo ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, como me ordenastes; não transgredi nem omiti nenhum dos vossos mandamentos. 14.Não comi dessas coisas durante o meu luto, nem delas separei coisa alguma em estado de impureza, e delas nada dei a um morto. Obedeci à voz do Senhor meu Deus e conformei-me inteiramente às vossas ordens.* 15.Olhai de vossa santa morada, do alto dos céus, e abençoai vosso povo de Israel, e a terra que nos destes, como jurastes a nossos pais, terra que mana leite e mel’.” 16.“O Senhor, teu Deus, ordena-te hoje que guardes estas leis e estes preceitos. Observa-os cuidadosamente e pratica-os de todo o teu coração e de toda a tua alma. 17.Hoje, fizeste o Senhor, teu Deus, prometer que ele seria teu Deus, e que andarias nos seus caminhos, observando suas leis, seus mandamentos e seus preceitos, e obedecendo-lhe fielmente. 18.E o Senhor fez-te prometer neste dia, também de tua parte, que serias um povo que lhe pertenceria de maneira exclusiva, como te disse, e que observarias todos os seus mandamentos, 19.para que ele te eleve em glória, renome e esplendor, acima de todas as nações que criou, e sejas, assim, um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, como te disse.”"

Gradual/ Sal. 78, 9 e 10.
Senhor, perdoa-nos os nossos pecados, para que não digam entre as nações: Onde está o seu Deus?
V / Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, e pela honra do teu nome, Senhor, livra-nos.

Post Kyrie, eleison , dicitur: Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oração. Rezar
Protéctor noster, aspice, Deus: ut, qui malórum nostrorum póndere prémimur, percépta misericórdia, líbera tibi mente famulémur. Por Dominum. Ó Deus, nosso protetor, olhe para nós que somos esmagados sob o peso de nossos males, para que, por sua misericórdia, possamos servir com espírito livre.

Leitura do livro de 

Deuteronômio 11, 22-25.
"22.Se observardes fielmente todos os mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor, vosso Deus, andando em seus caminhos e apegando-vos a ele, 23.então o Senhor expulsará de dian­te de vós todas essas nações, e des­pojareis povos mais numerosos e mais fortes do que vós. 24.Todo lugar em que pisar a plan­ta de vossos pés vos pertencerá. Vossas fronteiras irão desde o deserto até o Líbano e desde o rio Eufrates até o mar do ocidente. 25.Ninguém vos poderá resistir. O Senhor, vosso Deus, semeará o pânico e o terror de vós em todas as terras onde pisardes, como vos prometeu."

Gradual. Sal. 83, 10 e 9. Gradual
Protéctor noster, aspice, Deus e réspice super servos tuos. Você que é nosso protetor, olhe, ó Deus, e lance seus olhos sobre seus servos.
V/. Dómine, Deus virtútum, exáudi preces servórum tuórum. Senhor, Deus dos exércitos, ouve as orações dos teus servos.
Post Kyrie, eleison , dicitur: Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oração. Rezar
Adésto, quǽsumus, Dómine, supplicatiónibus nostris: ut esse, te largiente, mereámur et inter próspera húmiles, et inter advérsa secúri. Por Dominum. Digna-te, rogamos-te, Senhor, que estejas atento às nossas súplicas, para que, pela tua graça, possamos permanecer humildes na prosperidade e confiantes na adversidade.

Leitura do livro de 

Macabeus.2 Mach. 1, 23-26 e 27.
"23.Enquanto se consumia o sacrifício, os sacerdotes puseram-se a rezar, e todos rezavam com eles. Jônatas entoava e os outros, inclusive Neemias, juntavam sua voz à dele. 24.Eis a oração: “Senhor, Senhor Deus, criador de todas as coisas, temível e forte, justo e misericordioso, que sois o rei único e bom, 25.único generoso, único justo, Todo-poderoso e eterno, vós que salvastes Israel de todo mal, que fizestes de nossos pais vossos escolhidos e os santificastes, 26.aceitai este sacrifício, oferecido por todo o vosso povo de Israel; guardai vossa parte de eleição e santificai-a.""27.Congregai nossos irmãos dispersos, devolvei a liberdade aos que estão escravizados entre os pagãos, deitai vosso olhar sobre os que são desprezados e abominados, para que as nações saibam que sois nosso Deus."

Gradual
Convértere, Dómine, aliquántulum e deprecáre super servos tuos. Volta, Senhor, deixa-te inclinar a favor dos teus servos.
V/. Dómine, refúgium factus es nobis, uma geração e descendência. Senhor, tu tens sido um refúgio para nós de geração em geração.
Post Kyrie, eleison , dicitur: Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oração. Rezar
Preces pópuli tui, quǽsumus, Dómine, clementer exáudi: ut, qui iuste pro peccátis nostris afflígimur, pro tui nóminis glória misericórditer liberémur. Per Dominum nostrum. Suplicamos-te, Senhor, em tua misericórdia, ouve as orações do teu povo, para que nós, que somos afligidos com justiça por nossos pecados, sejamos misericordiosamente libertos para a glória do teu nome.

Leitura da Epístola de São Paulo

I Tessalonicenses 5, 14-23
14 Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos. 15 Vede que ninguém pague a outro mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos. 16 Vivei sempre contentes. 17 Orai sem cessar. 18 Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. 19 Não extingais o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias. 21 Examinai tudo: abraçai o que é bom. 22 Guardai-vos de toda a espécie de mal. 23 O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!

Gradual. Sal. 140, 2. Gradual
Dirigátur orátio mea sicut incensum in conspéctu tuo, Dómine. Que minha oração, Senhor, suba diante de ti como incenso.
V/. Elevátio mánuum meárum sacrifícium vespertínum. Que a elevação de minhas mãos seja como o sacrifício da tarde para você.
Post Kyrie, eleison , dicitur: Depois do Kýrie, eléison , dizemos:
Oremus. Flectamus genua. Vamos rezar. Vamos dobrar os joelhos.
V/. Levante. V/. Ficar de pé.
Oração. Rezar
Actiones nostras, quǽsumus, Dómine, aspirándo prǽveni, et adiuvándo proséquere: ut cuncta nostra orátio et operatio a te sempre incípiat, et per te cœpta finiátur. Por Dominum. Suplicamos-te, Senhor, que antecipes as nossas ações por tua inspiração e as guies por tua graça, para que todas as nossas orações e todas as nossas obras tenham sempre seu início e seu término em ti.

Leitura do livro do 

Profeta Daniel3, 47-51.
"47.Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, 48.ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto. 49.Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. 50.Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. 51.Então, os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:"

Hic non respondetur Deo gratias. aqui não respondemos Damos graças a Deus
Hino. Dan. ibid., 52-53. Hino.
Benedictus es, Dómine, Deus patrum nostrorum. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Et benedíctum nomen glóriæ tuæ, quod est sanctum. E laudábile et gloriósum in sǽcula.
Benedictus es in templo sancto glóriæ tuæ. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Benedictus es super thronum sanctum regni tui. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Benedíctus es super sceptrum divinitátis tuæ. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Benedictus es, qui sedes super Chérubim, intuens abýssos. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Benedíctus es, qui ámbulas super pennas ventórum et super undas maris. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula.
Bendito te omnes Angeli et Sancti tui. Et laudent te et gloríficent in sǽcula.
Benedícant te cæli, terra, lagoa, et ómnia quæ in eis sunt. Et laudent te et gloríficent in sǽcula.
Glória Patri, e Fílio, e Spirítui Sancto. E laudábili et glorióso in sǽcula.
Sicut erat in princípio, et nunc, et sempre: et in sǽcula sæculórum. Um homem. E laudábili et glorióso in sǽcula.
Benedictus es, Dómine, Deus patrum nostrorum. Et laudábilis et gloriósus in sǽcula. Bendito és tu, Senhor, Deus de nossos pais. E digno de louvor e glória para sempre.


E bendito seja o nome da tua glória, que é santo. E digno de louvor e glória para sempre.
Você é abençoado no santo templo de sua glória. E digno de louvor e glória para sempre.
Você é abençoado no trono sagrado do seu reino. E digno de louvor e glória para sempre.
Você é abençoado no cetro de sua divindade. E digno de louvor e glória para sempre.
Bem-aventurados vós que, sentados sobre os Querubins, vedes o fundo do abismo. E digno de louvor e glória para sempre.
Bem-aventurados vocês que andam nas asas dos ventos e nas ondas do mar, e dignos de louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Que todos os Anjos e Santos te abençoem. Que eles te louvem e glorifiquem para sempre.
Que os céus, a terra e o mar, e tudo o que eles contêm, te abençoem. Que eles te louvem e glorifiquem para sempre.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. E para aquele que é digno de louvor e glória para sempre.
Como era no princípio, e agora, e sempre, e sempre e sempre. Que assim seja. E para aquele que é digno de louvor e glória para sempre.
Bendito és tu, Senhor, Deus de nossos pais. E digno de louvor e glória para sempre.
Hic dicitur V/. Dóminus vobíscum , sine Flectamus génua. Aqui dizemos V/. O Senhor esteja convosco , sem dobrar os joelhos.
Oração. Rezar
Deus, qui tribus púeris mitigásti flammas ígnium: concede propítius; ut nos fámulos tuos non exúrat flamma vitiorum. Per Dominum nostrum. Ó Deus, que removeste o ardor das chamas da fornalha para os três jovens, concede-nos em tua misericórdia que nós, teus servos, não sejamos queimados pelo fogo das paixões.

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos 

Tessalonicenses.1 Tes. 5, 14-23.
"14.Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos.* 15.Vede que ninguém pague a outro mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos. 16.Vivei sempre contentes. 17.Orai sem cessar. 18.Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. 19.Não extingais o Espírito.* 20.Não desprezeis as profecias. 21.Examinai tudo: abraçai o que é bom. 22.Guardai-vos de toda a espécie de mal. 23.O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!*"

Gradual/Sal. 116, 1-2.
Nações, todas louvam ao Senhor; povos, louvai-o a todos.
V /  Pois a sua misericórdia foi estabelecida, e a verdade do Senhor dura para sempre.

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 17, 1-9
1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. 2 Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 3 E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4 Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. 5 Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. 6 Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. 7 Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. 8 Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. 9 E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos. 

Ofertório/ Sal. 87, 2-3.
Senhor, Deus da minha salvação, diante de ti clamei dia e noite; que minha oração te alcance, Senhor.

Secreta
Nós vos suplicamos, Senhor, dignai-vos santificar nossos jejuns por este sacrifício presente, para que a mudança que sua observação marca exteriormente possa ser realizada interiormente em nossas almas.

Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma .

Comunhão/Sal. 7, 2.
Senhor, meu Deus, esperei em ti; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Deus Todo-Poderoso, graças à tua ajuda santificadora, nossos vícios sejam curados e nossa alma provida de remédios espirituais para a eternidade.
Super populum: Oremus. Humiliate capita vestra Deo.Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração. Rezar
Fiel tuos, Deus, benedíctio desideráta confírmet: quæ eos et a tua voluntáte numquam fáciat discrepáre, et tuis sempre indúlgeat benefíciis gratulári. Por Dominum. Que a tua bênção, ó Deus, fortaleça os teus fiéis que a desejam, que ela os retenha na tua vontade e lhes permita regozijar-se sem cessar nos teus benefícios.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

28 de fevereiro dia de São Romão,Confessor.


   São Romão, que viveu no século 5, foi o primeiro eremita que existiu na França. Natural de Borgonha, entrou bem cedo no célebre e mais antigo mosteiro da França, Ainay.
  Tendo aprendido os princípios da vida religiosa, retirou-se para a solidão, num lugar chamado Condat, entre a Suíça e Borgonha, onde mais tarde se lhe associou o irmão, Lupicino. Algum tempo viveram juntos, entregues às práticas religiosas, quando começaram a experimentar impertinentes perseguições do demônio, que procurou assustá-los de mil modos. Bastante incomodados com as artimanhas do inimigo, retiraram-se daquele lugar, em demanda de um outro. Surpreendidos pela noite, hospedaram-se na choupana de uma pobre mulher. Esta, sabendo do motivo da fuga, disse-lhes: “Fizestes mal em ter abandonado a vossa casa. Se tivésseis lutado com mais coragem e pedido sossego a Deus, teríeis vencido as insídias do demônio”.  Envergonhados com esta advertência, voltaram ao lugar de onde tinham saído e de fato nunca mais o demônio os incomodou.
  A fama dos dois santos homens chamou muita gente ao lugar onde estes moravam, uns para pedir conselho, oração e consolo, outros, a estes em maior número, para, sob sua direção, levar uma vida em Deus. Santo Hilário tinha conferido a Romão as ordens do sacerdócio. Junto com seu irmão Lupicino fundou três conventos: o de Condat, hoje Santa Claude, o de Laucone e de la Baume. Ao redor deste último se agrupou a cidadezinha de St. Romain-de-Roche. Estes conventos gozavam de grande reputação na França, devido ao bom espírito, à vida santa que lá se levava.São Romão era para todos o modelo de perfeição.
  Em certa ocasião fez uma romaria ao túmulo de São Maurício e levou em sua companhia o monge Paládio. À noite os surpreendeu e tiveram de abrigar-se numa gruta, que servia de albergue a dois leprosos. Grande foi o espanto destes, ao avistarem os dois religiosos na pobre habitação. Romão, para convencê-los de que nada precisavam temer, abraçou-os e beijou-os com muito afeto. Quando, no dia seguinte, os romeiros se despediram dos pobres lázaros, Romão fez o sinal da cruz sobre eles e no mesmo momento a lepra os deixou.
  Este grande milagre aumentou ainda mais o grande conceito do Santo, em que o tinha todo o povo. Romão, porém muito se aborreceu com as honras de que o fizeram alvo e retirou-se para o convento de St. Claude, onde morreu no odor de santidade.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sexta-feira das têmporas.

27/02 Sexta-feira
Festa de Segunda Classe
Paramentos Roxos
Jejum e abstinência
Façam penitência.


Intróito/Sal. 24, 17 e 18.
Senhor, livra-me da minha angústia; veja minha humilhação e minha dor e perdoe-me todos os meus pecados.Ps. ibid., 2. A ti, Senhor, elevo a minha alma; meu Deus, confio em ti, para não ter de corar V/. Glória Patri.

Coleta
Sê, Senhor, propício ao teu povo; você o inspira com piedade para com você, que sua misericórdia o sustente com sua ajuda benéfica.

Leitura da Epístola do livro do profeta

Ezequiel 18,20-28
20 É o pecador que deve perecer. Nem o filho responderá pelas faltas do pai nem o pai pelas do filho. É ao justo que se imputará sua justiça, e ao mau a sua malícia. 21 Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a eqüidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer. 22 Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou. 23 Terei eu prazer com a morte do malvado? - oráculo do Senhor Javé. - Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva? 24 E, se um justo abandonar a sua justiça, se praticar o mal e imitar todas as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade da qual se tornou culpado e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer. 25 Dizeis: não é justo o modo de proceder do Senhor. Escutai-me então, israelitas: o meu modo de proceder não é justo? Não será o vosso que é injusto? 26 Quando um justo renunciar à sua justiça para cometer o mal e ele morrer, então é devido ao mal praticado que ele perece. 27 Quando um malvado renuncia ao mal para praticar a justiça e a eqüidade, ele faz reviver a sua alma. 28 Se ele se corrige e renuncia a todas as suas faltas, certamente viverá e não perecerá.

Gradual/Sal. 85, 2 e 6.
Salva, meu Deus, o teu servo que em ti espera.
V / Dá ouvidos, Senhor, à minha oração.

Trato/ Sal. 102, 10.
Senhor, não nos trates segundo os nossos pecados, e não nos castigues segundo as nossas iniqüidades.
V/.  Sal. 78, 8-9.Senhor, não se lembre mais de nossas antigas iniqüidades; que suas misericórdias venham apressadamente ao nosso encontro, pois estamos reduzidos à última miséria.
Ajoelhamo-nos V/.Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, e para a glória do teu nome, Senhor, livra-nos e perdoa-nos os nossos pecados, por amor do teu nome.

Sequência do Santo Evangelho 

São João 5,1-15
1 Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos. 3 Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. 4 [Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.] 5 Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. 6 Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado? 7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim. 8 Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. 9 No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. 10 E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito. 11 Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. 12 Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? 13 O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior. 15 Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.

Ofertório/ Pr. 102, 2 e 5.
Minha alma, bendiga ao Senhor, e nunca se esqueça de todas as suas bênçãos; e a tua mocidade se renovará como a da águia.

Secreta
Nós te imploramos, Senhor, aceita as ofertas oferecidas a ti por nosso ministério, e em tua misericórdia, santifica teus dons.
Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma .

Comunhão/Ps6, 11.
Deixe todos os meus inimigos corarem e serem tomados de medo; que eles recuem rapidamente e logo sejam confundidos.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Concede, Senhor, pela virtude deste mistério que nossos erros sejam apagados e nossos justos desejos realizados.

Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração. Ouve-nos, ó Deus de misericórdia, manifesta às nossas almas a luz da tua graça.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

27 de fevereiro dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

  São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o São Luiz Gonzaga de nossos dias, nasceu em Assis a 1 de março de 1838, filho de Sante Possenti di Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia que viu a luz do mundo, recebeu a graça do batismo, na mesma pia, em que foi batizado o grande patriarca S. Francisco, na Igreja de S. Rufino. O pai do Santo, já com vinte e dois anos era governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima do Papa Pio IX e Leão XIII honrava-o com sua sincera amizade. A mãe era de nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges apresentavam modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no batismo recebeu nome de Francisco, em homenagem a seu avô e ao Seráfico de Assis. Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado, no que diz respeito à piedade e à instrução. Nossa mãe era piedosíssima e nos educou segundo as máximas da nossa santa Religião”. Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e pronunciar os santos nomes de Jesus e Maria.
 A grande felicidade que na infância reinava, experimentou um grande abalo, quando inesperadamente o anjo da morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhe a mãe. D. Inês sentindo a última hora se aproximar, na compreensão do seu dever de mãe cristã reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os sacramentos, confortada pela graça de Deus, na idade de 38 anos deixou este mundo, para, na eternidade, perto de Deus, receber o prêmio de suas raras virtudes. Do pai, o próprio filho Francisco ao seu diretor espiritual deu o seguinte testemunho: Meu pai, declarou, tinha por costume levantar-se bem cedo. Dedicava uma hora à oração e meditação; se neste tempo alguém desejava falar-lhe, havia de esperar pelo fim das práticas religiosas. Terminadas estas, ia à igreja assistir a santa Missa e costumava levar consigo dos filhos os que não fossem impedidos. Finda a santa Missa metia-se ao trabalho. À noite reunia seus filhos e dava-lhes sábios conselhos e úteis exortações. Falava-lhes dos deveres para com Deus, do respeito devido à autoridade paternal e do perigo das más companhias. “Os maus companheiros, dizia ele, são os assassinos da juventude, os satélites de Lúcifer, traidores escondidos e por isso para os temer e deles ter cuidado”. 
  Os biógrafos de Francisco fazem ressaltar em primeiro lugar a extraordinária bondade de coração do menino, principalmente para com os pobres. Muitas vezes ficou ele sem a merenda, por tê-la dado aos pobres. Entre seus irmãos era ele o anjo da paz, sempre pronto para desculpar e para defendê-los, quando acusados injustamente. Não suportava a injúria, fosse ela atirada a si ou a um dos seus. Com a maior facilidade se desfazia de objetos de certo valor, com que tinha sido homenageado. Assim presenteou a um de seus irmãos de uma bela corrente de prata, que tinha recebido de um parente. Estes belos traços no caráter de Francisco não afastam certas sombras que nele subsistiam também. Os que o conheciam meigo, bondoso, compassivo, sabiam-no também ser nervoso, impaciente, irascível. Por felicidade sua o senhor Sante, seu pai não era daqueles que desculpam os caprichos de seus filhos, pretextando serem crianças, sem pensar que mais tarde terão de pagar bem caro esta condescendência e fraqueza. O verdadeiro amor cristão fê-lo combater sem tréguas todos os defeitos. 
 Francisco era obediente e tinha grande respeito ao pai, o que aliás não impedia que diante de uma severa repreensão desse largas ao seu gênio impulsivo, com palavras e gestos demonstrando o seu descontentamento, sua raiva. Mas tudo isto era fogo fátuo. Logo voltava às boas; sua boa índole não permitia, que estas revoltas interiores durassem muito tempo. Era encantador ver, momentos depois, o menino desfeito em pranto, procurar o pai e por seus modos ingênuos e infantis, assegurar-se do perdão e do amor do Sr. Sante. Este, fingindo não dar crédito a estas demonstrações, retrucava bruscamente: “Nada de carícias; quero ver fatos”. Então o menino se atirava ao colo do pai, beijava-o e sentia-se feliz, em ter voltado à paz, com o perdão paterno. Nesta escola de sábia pedagogia Francisco cedo aprendeu combater e vencer seus defeitos. Por algum tempo Francisco ficou entregue aos cuidados de um mestre; depois freqüentou o colégio dos Irmãos das Escolas Cristãs, onde fez rápidos progressos, figurando sempre entre os melhores alunos. Na idade de sete anos fez a sua primeira confissão. Um ano depois, em junho de 1846 recebeu o sacramento da confirmação. Tudo isto prova que o menino já se achava bem instruído nas verdades da nossa fé, graças ao sólido ensino que lhe dispensavam os beneméritos Irmãos Sallistas.
 Nesse mesmo tempo caiu também a data da sua primeira comunhão, para qual se preparou com todo o esmero. Testemunha de vista desse grandioso ato diz: “O fervor com que o vi chegar-se da sagrada mesa, o espírito de fé, que se estampava no seu semblante, o vigor dos seus afetos foram tais, que se chegava a crer ser ele levado por um Serafim”. Esses sentimentos de fé e de piedade, aquelas chamas de amor ao SS. Sacramento não mais se separaram do coração de Francisco nos anos de sua mocidade, nem no meio de uma vida dissipada de certo modo mundana. Não menos certo é que a freqüente recepção da santa comunhão preservou-o de graves desvios no meio das tentações do mundo. Terminados os estudos elementares, o pai pensou em procurar para Francisco uma educação mais elevada, de acordo com a sua posição social e confiou seu filho aos Padres Jesuítas que na cidade de Spoleto dirigiram um colégio. Neste educandário passou Francisco os anos todos de sua mocidade no mundo e chegou a cursar os quatro semestres de estudos filosóficos. Estudante inteligente e cumpridor exato de seu dever que era, deixou boa memória naquele colégio e formavam-se as mais belas esperanças a seu respeito. Ano não passava, que não tirasse um prêmio; no fim dos seus estudos foi distinguido com uma medalha de ouro. Mestres e colegas igualmente o estimavam. Tudo nele encantava: os seus modos delicados e gentis, a modéstia no falar, o sorriso benévolo que lhe afloravam aos lábios, o garbo com que se sabia ver em circunstâncias mais solenes, os sentimentos nobres que dominam em todo o seu proceder. Aos seus mestres devotava sempre a máxima estima e profunda gratidão. 
Das práticas de piedade era rígido observador e com regularidade freqüentava os santos sacramentos. Não há dúvida, que, dada a ocasião, o seu gênio impetuoso e quente o levava a transportes de veemência e de cólera. Mais estes excessos eram sempre seguidos de lágrimas de arrependimento e de penitência. Desde a sua infância mostrou devoção particular a Nossa Senhora das Dores, uma imagem da qual se conservava em sua família; e cabia-lhe a ele adorná-la de flores e manter acesa uma lâmpada diante da estátua. Afirma um dos seus irmãos, Eurique Possenti, que viu Francisco, no último ano que passou em casa, usar de cilício de couro com pontinhas de ferro. Outro testemunho, da família Parenzi, declara: “Sua conduta religiosa e moral tem sido irrepreensível; dada a grande vigilância de meus pais, não teria sido admitido em nossa família, se não fosse realmente virtuoso”. Para completar a imagem do jovem estudante e assim melhor poder compreender a mudança que nele mais tarde se efetuou, tenha aqui lugar a descrição da solene distribuição de prêmios, da última em que Francisco tomou parte no colégio dos Jesuítas em Spoleto, em setembro de 1856. Os melhores alunos tinham sido escolhidos para abrilhantar a cerimônia com discursos e declamações poéticas. Entre eles Francisco ocupava o primeiro lugar. Ninguém se lhe igualava em elegância exterior, no garbo de representar, na graça de declamar, na graciosidade da gesticulação, no timbre encantador da voz. Podendo representar no palco, parecia estar no seu elemento e fazia-o com toda a naturalidade e perfeição. Em sua aparência não deixava nada a desejar: tudo obedecia às exigências da última moda: o cabelo esmeradamente penteado, o traje elegante e ricamente adornado, as luvas brancas, gravata de seda, sapatos luzidios e artisticamente acabados, a tudo isso Francisco ligava máxima importância. Em certa ocasião recitou com tanto ardor e tamanho foi o entusiasmo que excitou no auditório, que o delegado apostólico Mons. Guadalupe, que presente se achava, ao pai de Francisco que ao seu lado se achava disse: “se vosso filho aqui presente estivesse, abraçava-o em vosso lugar”.

As raras qualidades morais, que o adornavam, a figura simpática e atraente na flor da mocidade, a extrema vivacidade que nele se observava, não deixaram de emprestar-lhe um leve sombreado de vaidade, que de algum modo chegou a dominá-lo. Esta vaidade se lhe patenteava na exigência que fazia no modo de se trajar, sempre na última moda, de perfumar o cabelo e este sempre tratado com cuidado, de se aborrecer com uma nódoa por mais insignificante que fosse, no fato, no amor que tinha a divertimentos alegres e aos esportes mundanos. O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”
 Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem o chamasse à atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a eternidade, etc. Em uma carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S. J. há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os sacramentos. Com todas as leviandades e suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão. “Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”. Seu diretor, Pe. Norberto, Passionista, declara: “A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”. O mesmo sacerdote relata: “A sua vocação se manifestou do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal, que o fez pensar na morte. Teve então a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceita, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. A promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afeto ao mundo e se entregou à dissipação como antes. Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave, que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo, e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras se acentuaram quase instantaneamente e teve o enfermo uma noite tranquila e não mais voltaram as angústias da dispneia. Deste extraordinário favor o jovem se lembrou sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou e no mundo continuou a viver. Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados e seu diretor espiritual não hesitou em atribuir a este esporte a cruel moléstia, que o ceifou na flor da idade. Certa vez, em pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade, que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe retinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.
 A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afeto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia Corpus Christi, e a notícia alcançou Francisco, quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia, que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes a procurar a sociedade, freqüentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a idéia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de nos entendimentos inocentes ela conseguir de fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos. Na igreja metropolitana de Spoleto gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Icone”. Na oitava do dia 15 de agosto esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. 
Em 1856 Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos se fixavam na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Icone” vinha aproximando-se do jovem, parecia ela lhe atirar um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento te espera”. Esta palavra, qual uma seta de fogo cravou-lhe no coração; assim saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar por enquanto nenhuma demonstração do seu intento. Embora certo de sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão procurou seu mestre no liceu e diretor espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta e a ele se abriu inteiramente, fazendo do conselho do mesmo depender sua resolução definitiva. O exame foi feito com toda sinceridade e tendo tomado em consideração todos os fatores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a seguí-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes de sua inteira confiança, tiveram o mesmo resultado. Francisco se resolveu então a pedir sua admissão na Congregação dos Passionistas. Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza de seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. 
Francisco, porém, ficou firme. Tomou ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prêmios, no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita a seu tio Cesare, cônego da Basílica de Loreto e a um parente de seu pai, Frei João Batista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cônego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir às suas vontades, sem restrição de comodidades. A visita à Santa Casa em Loreto Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a N. Sra. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para convento Morrovale, dos Passionistas onde já em 21 de setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriel dell’Adolorata. Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos, comunicando-lhes o fato. Ao pai pede perdão, aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis. 
Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir as culminâncias da perfeição. Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu caráter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado, à Santa Eucaristia, sua devoção singular a Mãe de Deus, em particular à Nossa Senhora das Dores e sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um. Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres. Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia, que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem Gabriel o aproveitou para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e à Maria Santíssima, mãe das dores. 
Em fevereiro de 1862 ainda pôde andar e receber a santa comunhão na igreja, junto com seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de N. Sra. das Dores, que freqüentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas: “Minha mãe, faze depressa!” – “Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!” – “Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”. – Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afeto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do crucifixo e da Mater dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fêz-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo. Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa no catálogo dos Beatos e em 1920 Bento XV decretou-lhe as solenes honras da canonização.
Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932. 

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Quinta-feira da Primeira Semana da Quaresma

26/02 Quinta-feira 
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos


Intróito/ Sal. 95, 6.
Louvor e esplendor estão diante dele; santidade e magnificência no seu santuário.Ps. ibid., 1.Cante um novo cântico ao Senhor; cantai ao Senhor, toda a terra.V/. Glória Patri.

Coleta
lha, em tua benevolência, te imploramos, Senhor, a devoção de teu povo, para que o fruto das boas obras fortaleça e renove segundo o espírito aqueles que mortificam seu corpo pela abstinência.

Leitura da Epístola extraída de

Ezequiel 18,1-9

1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: por que repetis continuamente esse provérbio entre os israelitas: 2 os pais comeram uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados? 3 Por minha vida - oráculo do Senhor Javé -, não tereis mais ocasião de repetir esse provérbio em Israel. 4 É a mim que pertencem as vidas, a vida do pai e a vida do filho. Ora, é o culpado que morrerá. 5 O homem justo - que procede segundo o direito e a equidade, 6 que não participa dos festins das montanhas, que não volve os olhos para os ídolos da casa de Israel, que não desonra a mulher do próximo, e não tem relação com uma mulher durante o tempo de sua impureza, 7 que não oprime ninguém, que restitui o penhor ao seu devedor, que não exerce a rapina, que dá seu pão aos famintos, e cobre com vestimenta o que está nu, 8 que não empresta à taxa usurária e não recebe com juros, que afasta a sua mão da iniquidade, e julga equitativamente entre um homem e outro, 9 que segue os meus preceitos e observa as minhas leis, para proceder com retidão - esse homem é um justo: certamente viverá. Oráculo do Senhor Javé. 
Deo Gracias

Gradual/ Pr. 16, 8 e 2.
Defenda-me, Senhor, como a menina dos seus olhos. Proteja-me à sombra de suas asas.
V / Deixe meu julgamento proceder de seu semblante; deixe seus olhos olharem para a equidade.

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 15,21-28

21 Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia. 22 E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. 23 Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos. 24 Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25 Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me! 26 Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. 27 Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos... 28 Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada. 
Laus tibi, Christe

Ofertório/Sal. 33, 8-9.
O Anjo do Senhor cercará os que o temem e os livrará. Prove e veja quão doce é o Senhor.

Secreta
Suplicamos-te, Senhor, que por tua misericórdia estes sacrifícios nos salvem, já que foram estabelecidos nestes termos de jejuns de purificação.
Prefácio da Quadragésima.Prefácio à Quaresma
 
Comunhão/Ioann. 6, 52.
O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Pela abundância de teus dons, eleva-nos, Senhor, acima dos bens temporais e renova-nos para aqueles que são eternos.
Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oração.Concede, Senhor, aos povos cristãos que conheçam bem as verdades em que professam crer e que amem o dom celestial do qual participam com frequência.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.


Dia 26 de fevereiro dia de São Porfírio,o vigoroso destruidor da idolatria.


   São Porfírio, o vigoroso destruidor da idolatria, nasceu em Tessalônica, na Macedônia Grécia, onde nasceu no ano 347.Instruído nas ciências, tendo a idade de 25 anos, retirou-se para a solidão de Scete, onde passou cinco anos numa gruta, nas proximidades do Jordão. A insalubridade do lugar causou-lhe grande mal à saúde, e doente chegou a Jerusalém, onde teve a notícia da morte dos pais. Em sua companhia achava-se um jovem de nome Marco. A este incumbiu de receber a herança e distribuir o dinheiro entre os pobres, o que se fez.São Porfírio, não tendo reservado nada para si, viveu sempre pobre.
  Na visita diária aos Santos Lugares teve uma vez um desmaio que se transformou em visão. Apareceu-lhe Nosso Senhor na Cruz e com ele o Bom Ladrão.Nosso Senhor  Jesus Cristo deu a este um sinal de ajudar São Porfírio a levantar-se do chão. O Bom Ladrão São Dimas estendeu-lhe a mão e disse: “Agradece a teu Salvador tua cura”. No mesmo momento Jesus Cristo desceu da Cruz e entregou-lhe a mesma, com a recomendação de guardá-la bem. Quando o Santo voltou a si, notou que estava perfeitamente curado. O sentido das palavras de Cristo, porém ficou-lhe enigmático, até que o Bispo de Jerusalém o ordenou e o nomeou guarda do Santo Lenho.
  Os sacerdotes da diocese de Gaza, tendo perdido o Bispo, insistiram com São Porfírio para que aceitasse a direção da diocese orfanada. Embora sua modéstia quisesse fugir dessa dignidade, à obediência teve de sujeitar-se. Existiam em Gaza muitos pagãos e um templo magnífico para o culto das divindades. Os idólatras, conhecendo já de antemão o zelo do novo Bispo, principalmente seu repudio ao culto pagão, assentaram matá-lo antes de tomar posse do rebanho. Este plano ímpio, por qualquer circunstância imprevista, não pôde ser efetuado. Bem se arrependeram da iniquidade  pois São Porfírio, apesar de inimigo do paganismo, pela modéstia, paciência e caridade, soube ganhar os corações dos próprios pagãos. Um fato extraordinário, que se deu logo no princípio do seu governo, aumentou ainda a confiança e veneração para com o novo Pastor. Uma seca atroz de muitos meses aniquilara as esperanças dos lavradores e o espectro da fome começava a apavorar os ânimos. Nesta expectativa desoladora os sacerdotes de Marnas, a quem era devotado o templo, se dirigiram à sua divindade com preces e sacrifícios, para obter o benefício de uma chuva. Marnas, porém, chuva nenhuma mandou e a seca continuou a assolar a região. Porfírio, condoído com a miséria pública, ordenou um dia de jejum, organizou uma procissão de penitência a uma capela situada fora da cidade. Apenas recolhida à procissão, caiu uma chuva abundantíssima, refrigerando a terra ressecada. Muitos, diante deste espetáculo e vendo nisto o grande poder do Deus dos cristãos, converteram-se. Outros, porém, encheram-se de inveja e forjaram novos planos malignos contra a vida do santo Bispo e de alguns cristãos.
  Entretanto, veio um édito do imperador Arcádio, ordenando o fechamento dos templos pagãos. Esta ordem foi por muitos funcionários obedecida, por outros não. Assim ficou aberto o templo de Marnas. Porfírio, desejando ardentemente a execução da ordem imperial, conseguiu em Constantinopla a autorização para derrubar o templo em Gaza.
  A influência, porém, de ministros subornados pelos sacerdotes pagãos, fez com que o imperador revogasse a autorização exarada. Não obstante, algum tempo depois, foi publicada nova ordem no mesmo sentido de fechar os templos pagãos, sob pena de os refratários perderem a colocação; mas mesmo assim, o templo não se fechou. A imperatriz Eudóxia prometeu a  São Porfírio empregar toda a influência junto ao imperador, para conseguir o fechamento e a destruição do templo. Porfírio, inspirado por Deus, predisse à imperatriz o advento de um filho. Logo que esta profecia se cumpriu, dirigiu-se o Bispo a Constantinopla, para administrar o sacramento do Batismo ao príncipe herdeiro. Aconselhado pela imperatriz,São Porfírio redigiu novamente o requerimento ao imperador.
  A petição foi entregue ao monarca logo depois do ato religioso, por assim dizer, pela criança recém – batizada. Arcádio achou-a depositada sobre o peito do filhinho. No momento em que a abria, a pessoa que segurava nos braços a criancinha disse-lhe:
  “Digne-se Vossa Majestade de deferir o requerimento apresentado por seu filho”. O imperador respondeu com sorriso nos lábios: “Como poderia eu negar o primeiro pedido de meu filhinho?” – Imediatamente foi mandado para Gaza um oficial do exército, com ordem estrita de demolir o templo de Marnas. Poucos dias depois, quando Porfírio se aproximou da cidade, os cristãos, seus diocesanos, receberam-no com muita solenidade. O préstito havia de passar por um lugar onde se achava uma imagem de Vênus, ponto predileto para reuniões de mulheres, que costumavam encontrar-se lá, para tratar projetos de casamentos. Mal o Bispo se achava defronte daquela estátua, quando esta, sem que pessoa alguma lhe tivesse tocado, ruiu por terra, fazendo-se em pedaços. Este fato causou grande sensação e foi o início de muitas conversões. O templo de Marnas desapareceu e em seu lugar se ergueu uma belíssima Igreja, dedicada a Deus vivo e verdadeiro.
 O triunfo de Porfírio sobre a idolatria foi completo. Quando, em 421, Deus o chamou para o descanso eterno, o santo Bispo teve a grande satisfação de ver muito reduzido o número de pagãos em sua diocese.
 São Porfírio exemplo de luta contra idolatrias rogai por nos pela conversão dos infiéis e modernistas ecumênicos.


 Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.