domingo, 29 de março de 2026

Domingo de Ramos (Segundo Domingo da Paixão).

29/03 Domingo de Ramos
Festa de Primeira Classe
Paramentos Roxos

   Domingo de Ramos é uma festa móvel cristã celebrada no domingo antes da Páscoa. A festa comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, um evento da vida de Jesus mencionado nos quatro evangelhos canônicos (Marcos 11:1, Mateus 21:1-11, Lucas 19:28-44 e João 12:12-19).
  O Domingo de Ramos é conhecido pela distribuição de ramos bentos aos fieis nesta Santa Missa. Os Ramos bentos são guardadas para serem queimadas na Quarta-feira de Cinzas do ano seguinte. Assim, o Domingo de Ramos é um resumo dos acontecimentos da Semana Santa e também sua solene abertura.

Intróito/Pr. 21, 20 e 22.
Senhor, não me afastes do teu socorro: guarda-me em defesa; livra-me da boca do leão e dos chifres dos búfalos, pois estou muito fraco e humilhado.Ps. ibid., 2.Ó Deus, meu Deus, volta o teu olhar para mim; por que você me abandonou? A voz dos meus pecados tira a salvação de mim.V/. Glória Patri.

Coleta
Deus Todo-Poderoso e Eterno, que quiseste que o nosso Salvador assumisse a carne humana e sofresse os tormentos da cruz, a fim de servir de modelo de humildade para o gênero humano, concede-nos, em tua bondade, ser seu exemplo, sempre corajoso nas provações e por isso merece participar da sua ressurreição.

Leitura da Epístola São Paulo  

Filipenses 2, 5-11
5.Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. 6.Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, 7.mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. 8.E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9.Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, 10.para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. 11.E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.

Gradual/  Sal. 72, 24 e 1-3.
Meu Deus, você pegou minha mão direita; guiaste-me segundo a tua vontade e me glorificaste.
V /Quão bom é o Deus de Israel para com todos os que são retos de coração. Eu estava prestes a ceder, meu pé quase escorregou, pois eu tinha inveja dos ímpios vendo a felicidade desses ímpios.

Tratados/  Ps. 21, 2-9, 18, 19, 22, 24 e 32.
Deus, Deus meus, respice in me: quare me dereliquísti? Meu Deus, meu Deus, volta o teu olhar para mim, por que me abandonaste?
V/. Longe a salúte mea verba delictórum meórum. A voz dos meus pecados tira a salvação de mim.
V/. Deus meus, clamábo per diem, nec exáudies: in nocte, et non ad insipiéntiam mihi. Meu Deus, eu choro durante o dia e você não me escuta; à noite, e não sinto nenhum alívio.
V/. Tu autem in sancto hábitas, laus Israel. No entanto, você habita em seu santuário e a você ascendem os louvores de Israel.
V/. In te speraverunt patres nostri: speraverunt, et liberásti eos. Nossos pais esperaram em ti e tu os livraste.
V/. Ad te clamaverunt, et salvi facti sunt: ​​​​in te speravérunt, et non sunt confusi. Eles confiaram em você e não foram enganados.
V/. Ego autem sum vermis, e não homo: oppróbrium hóminum et abiéctio plebis. Mas eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a escória do povo.
V/. Omnes, qui vidébant me, aspernabántur me: locúti sunt lábiis et moveunt caput. Todo mundo que me vê me despreza. Eles abrem os lábios e balançam a cabeça, dizendo
V/. Sperávit in Dómino, erípiat eum: salvum fáciat eum, quóniam vult eum. “Ele colocou sua confiança no Senhor, que ele o salve, pois ele o ama. »
V/. Ipsi vero consideraverunt e conspexerunt me: splitrunt sibi vestiménta mea, et super vestem meam miserunt mortem. Eles me observam e olham para mim. Partilham as minhas roupas, tiram a sorte para a minha túnica.
V/. Líbera me de ore leónis: et a córnibus unicórnium humilitátem meam. “Senhor, livra-me da boca do leão e dos chifres dos búfalos. »
V/. Qui timétis Dóminum, laudáte eum: univérsum semen Iacob, magnificáte eum. Vocês que temem ao Senhor, louvem-no, todos vocês descendentes de Jacó, cantem seus louvores.
V/. Annuntiábitur Dómino generátio ventúra: et annuntiábunt cæli iustítiam eius. A geração futura será contada sobre o Senhor. Eles virão e anunciarão o que ele realizou.
V/. Pópulo, qui nascétur, quem fecit Dóminus. Para as pessoas que vão nascer, eles vão contar o que ele fez.
8. Absoluta lectione Epistolae, ponuntur in latere Evangelii, in piano presbyterii, legilia nuda, et proceditur ad cantum vel lectionem historiae Passionis Domini, hoc modo: 8. Terminada a Epístola, coloque ao lado do Evangelho, no santuário, púlpitos descobertos, e prossiga a cantar ou ler a história da Paixão do Senhor desta maneira:
Cantatur vel legitur a ministris saltem in ordine diaconatus constitutis, qui, comitantibus duobus acolythis, vel ministrantibus, absque luminaribus et absque incenso, veniunt ante altare, ibique, super infimum gradum genuflexi, profunde inclinati, submissa voce recitant, uti moris est, Munda cor meum, ac petunt a celebrante benedictionem, dicentes Iube, domne, benedícere. Celebrans, ad eos versus, media voce responde: É cantada ou lida por ministros pelo menos ordenados diáconos, que, acompanhados por dois acólitos, ou servos, sem luzes nem incenso, chegam diante do altar onde, ajoelhados no degrau mais baixo, profundamente curvados, em voz baixa, recitam como de costume, o Purifique meu coração, e peça ao celebrante a bênção, dizendo ao Pai, por favor, abençoe. O celebrante, de frente para eles, responde em voz baixa:
Dóminus sit in córdibus vestris et in lábiis vestris: ut digne et competénter annuntiétis Evangélium suum. Em nómine Patris, e Fílii, + e Spíritus Sancti. Um homem. Que o Senhor esteja em seu coração e em seus lábios ao proclamar Seu evangelho de maneira correta e digna. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Que assim seja.
Postea, una cum acolythis, seu ministrantibus, faciunt reverentiam, et accedunt ad legilia; non dicunt Dominus vobiscum et nonsigning librum, nec seipsos, dum cantare vel legere incipiunt. Então, com os acólitos, ou servos, eles fazem a reverência e vão para os púlpitos; eles não dizem que o Senhor esteja convosco, não assinem o livro, nem eles mesmos, quando começam a cantar ou ler.
8a. Sacerdos, lecto graduali et tractu, dicit more solito, in medio altaris, Munda cor meum, Iube, Dómine, et Dóminus sit in corde meo. 8a. No rito não solene, o padre, tendo lido o gradual e o traço, diz da maneira usual: Purifica meu coração, Senhor, por favor, abençoe, e que o Senhor esteja em meu coração.
Tunc, in latere Evangelii, ad altare, legit vel cantat clara voce historiam Passionis Domini, sed non dicit Dominus vobiscum et non signat librum, nec seipsum, dum legere vel cantare incipit. Depois, do lado do Evangelho, no altar, lê ou canta em voz alta a história da Paixão do Senhor, mas não diz O Senhor esteja convosco , não assina o livro nem a si mesmo quando começa a cantar ou a ler.
9. Hic modus cantandi vel legendi servatur etiam feria III et IV, when historia Passionis Domini cantatur vel legitur. 9. Este modo de cantar ou ler também é observado às terças e quartas-feiras, quando se canta ou se lê a Paixão do Senhor.

Sequência do Santo Evangelho 

Paixão de Nosso Senhor segundo São Mateus 26,1-75 e 27, 1-66

1.Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos: 2.Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado. 3.Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, 4.e deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar. 5.E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo. 6.Encontrava-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso. 7.Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça. 8.Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício? 9.Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres. 10.Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. 11.Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis. 12.Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura. 13.Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez. 14.Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: 15.Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. 16.E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus. 17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20.Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21.Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22.Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23.Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24.O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25.Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26.Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27.Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28.porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29.Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. 36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo... 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores... 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui. 47.Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48.O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! 49.Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. 50.Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. 51.Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. 52.Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. 53.Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? 54.Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? 55.Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. 56.Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram. 57.Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. 58.Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. 59.Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. 60.Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. 61.Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. 62.Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? 63.Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? 64.Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu. 65.A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! 66.Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte! 67.Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, 68.dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu? 69.Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. 70.Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. 71.Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. 72.Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. 73.Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. 74.Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. 75.Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.1.Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. 2.Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos. 3.Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, 4.dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! 5.Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. 6.Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue. 7.Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. 8.Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue. 9.Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel; 10.e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito. 11.Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus. 12.Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. 13.Perguntou-lhe Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti? 14.Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação. 15.Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa. 16.Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17.Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? 18.(Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.) 19.Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito. 20.Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus. 21.O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás! 22.Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado! 2O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado! 24.Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! 25.E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! 26.Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. 27.Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. 28.Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. 29.Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! 30.Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. 31.Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. 32.Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 33.Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio. 34.Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber. 35.Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19). 36.Sentaram-se e montaram guarda. 37.Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. 38.Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 39.Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: 40.Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! 41.Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: 42.Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! 43.Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus! 44.E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. 45.Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. 46.Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? 47.A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias. 48.Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 49.Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. 50.Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. 51.E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. 52.Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. 53.Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas. 54.O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! 55.Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. 56.Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. 57.À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, 58.foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. 59.José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco 60.e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora. 61.Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo. 62.No dia seguinte - isto é, o dia seguinte ao da Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos juntos à casa de Pilatos. 63.E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei. 64.Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira. 65.Respondeu Pilatos: Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis. 66.Foram, pois, e asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas. 

12. Dicitur Credo 12. Dizemos o Credo

Ofertório/ Sal. 68, 21-22.
Meu coração espera humilhações e sofrimentos. Procuro alguém que me entristeça, mas em vão; um edredom, e não encontro nenhum. De comida me dão fel; e na minha sede me bebem vinagre.

Secreta
Fazei, Senhor, vos suplicamos, que este sacrifício que oferecemos a vossa divina Majestade nos obtenha a graça da devoção e nos adquira a recompensa da felicidade eterna.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio de Cruce; quæ dicitur usque ad Feriam V in Cena Domini inclusive, iuxta Rubricas. Prefácio à Santa Cruz .
 
Comunhão/  Mat. 26, 42.
Pai, se este cálice de sofrimento não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Senhor, pela ação deste sacramento divino, que possamos ser libertos de nossos vícios e que nossos desejos legítimos sejam realizados.

18. Celebrans, in fine Missae, data benedictione more solito, omittit ultimum Evangelium, et omnes revertuntur in sacristiam. O celebrante, no final da Missa, tendo dado a bênção da maneira habitual, omite o último Evangelho e todos voltam para a sacristia.
In ceteris Missis, sine benedictione ramorum, legitur in fine sequens Evangelium, ut in benedictione ramorum: Nas outras Missas sem Bênção de Ramos, o seguinte Evangelho é lido no final, como na Bênção de Ramos.
+ Sequéntia sancti Evangélii secundum Matthǽum. Leitura do Santo Evangelho segundo São Mateus.
Matt. 21, 1-9.
In illo témpore: Cum appropinquásset Iesus Ierosólymis, et venísset Béthphage ad montem Olivéti: tunc misit duos discípulos suos, dicens eis: Ite in castellum, quod contra vos est, et statim inveniétis ásinam alligátam et pullum cum ea: sólvite et addúcite mihi: et si quis vobis áliquid dixerit, dícite, quia Dóminus his opus habet, et conféstim dimíttet eos. Hoc autem totum factum est, ut adimplerétur, quod dictum est per Prophetam, dicéntem: Dícite filiae Sion: Ecce, Rex tuus venit tibi mansuétus, sedens super ásinam et pullum, filium subtilis. Eúntes autem discípuli, fecérunt, sicut præcépit illis Iesus. Et adduxérunt asinam et pullum: et imposuérunt super eos vestiménta sua, et eum désuper sedére tecérunt. Plúrima autem turba stravérunt vestiménta sua in via: álii autem cædébant ramos de arbóribus, et sternébant in via: turbæ autem, Naquele tempo, aproximando-se de Jerusalém e chegando a Betfagé, no Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: "Ide à aldeia que está à vossa frente, e logo encontrareis um jumento amarrado. e um potro com ela; desamarre-os e traga-os para mim. Se alguém lhe disser algo, você dirá: O Senhor precisa deles, e imediatamente eles serão soltos. Ora, isto foi feito para que se cumprisse o que fora dito pelo Profeta: Dize à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti cheio de mansidão e montado num jumento e num jumentinho, o jumentinho de quem dá à luz o jugo. Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes ordenou. Eles trouxeram a jumenta e o jumentinho, colocaram suas capas sobre eles e o vestiram. Muitas pessoas da multidão espalharam suas roupas pelo caminho; outros cortam galhos de árvores e os espalham pela estrada. As multidões que precediam Jesus e as que o seguiam gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bem-aventurado aquele que vem em nome do Senhor! »

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.
Façam penitência.

29 de março dia dos Santos Jonas e Barachiso, Mártires


No ano de 327 houve uma cruel perseguição da Igreja na Pér­sia. Entre as numerosas vítimas fi­guram os dois irmãos Jonas e Ba­rachiso, da cidade de Beth-Asa, que, sabendo da iminente execução de alguns cristãos, encarcerados em Hubaham, para lá se dirigiram, pa­ra consolá-los e animá-los no últi­mo combate. Nove destes presos re­ceberam a coroa do martírio.
Imediatamente depois foram Jo­nas e Barachiso levados à presença do juiz. Este com todo o empenho quis persuadir-lhes que era neces­sário adorar o rei dos reis, isto é, o imperador da Pérsia, e também o sol e a lua. “Não é mais convenien­te adorar o Rei imortal do céu e da terra do que um homem mortal?” obtemperaram os dois irmãos. O juiz mandou separá-los. Barachiso foi metido no cárcere e Jonas bar­baramente açoitado. Enquanto lhe aplicavam tal suplício, Jonas elevou o espírito a Deus e ofereceu-lhe o sacrifício da vida pela fé. Depois lhe ataram os pés e atiraram-no nu­ma lagoa coberta de gelo.
Pela tarde do mesmo dia recome­çou o inquérito de Barachiso. Dis­seram-lhe que o irmão havia sacri­ficado aos deuses. Barachiso respondeu-lhes: “Isto não acredito, porque conheço bem meu irmão, que não é capaz de adorar criatu­ras”. Em seguida fez uma defesa tão brilhante da religião cristã, que o próprio juiz se admirou. Temen­do, porém, que um ou outro dos circunstantes, pela eloquência de Ba­rachiso, abandonasse a religião oficial, determinou que só à noite e com exclusão do povo, fosse conti­nuado o inquérito. Ao mesmo tempo mandou que colocassem nos bra­ços do mártir ferros em brasa. “Pe­la fortuna do reino, disse-lhe o juiz! Se deixares cair um destes ferros, para nós é sinal de teres abandona­do tua fé”. Barachiso respondeu: “Não temo vosso fogo e não deixa­rei cair os instrumentos do meu martírio; peço-vos que apliqueis em mim de vez toda a sorte de suplícios. Quem combate por Deus, não desfalece”. Os magos, no auge da fúria, deitaram-lhe chumbo derreti­do nas narinas e nos olhos e fecha­ram-no, novamente no cárcere, pen­durando-o por um pé.
No dia seguinte tiraram Jonas da água e, estando ele ainda vivo, per­guntaram-lhe: “Como passaste a noite? Sem dúvida não sofreste pouco”. Jonas replicou: “Nunca pas­sei noite como esta; a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo foi para mim manancial de consolo”. Os Persas disseram-lhe: “Teu irmão abjurou”. “Sei que ele abjurou, res­pondeu Jonas, mas ao demônio e às suas obras”. Os Persas: “Cuidado com tua vida!” Jonas: “Se sois sábios como pretendeis, dizei-me: não é melhor semear a semente, do que guardá-la no celeiro, sob o pre­texto de defendê-la contra a chuva e mau tempo? Esta vida é uma semente, que traz frutos belíssimos da eterna glória”. Os Persas: “vos­sos livros já têm enganado muita gente”. Jonas: “É verdade que afas­taram já a muitos dos prazeres mundanos. Um verdadeiro cristão, em cujo coração arde a chama do amor a Jesus Cristo, despreza as riquezas e honras deste mundo; só um desejo o anima, o de ver o ver­dadeiro Rei, cujo reino é eterno e cujo poder se estende sobre o mun­do visível e invisível”.
Foram estas as últimas palavras do Mártir. Os magos atiraram-se sobre ele, cortaram-lhe as mãos e os pés, arrancaram-lhe a língua, tiraram-lhe o couro cabeludo e me­teram-lhe o corpo em piche em ebulição. Vendo que o fogo e o calor não lhe fizeram mal, cortaram-lhe o corpo em pedaços e jogaram-nos dentro de uma cisterna, que foi guardada por uma sentinela, para impedir que os cristãos se apode­rassem das relíquias.
Barachiso teve uma morte igual­mente terrível: Os bárbaros bate­ram-lhe com ferros pontuados, fi­zeram-no rolar pelo chão deitaram-lhe piche e enxofre ferventes na boca e maltrataram-no, até que não des­se mais sinal de vida.
Abstuciatos, amigo dos dois ir­mãos, comprou aos Persas os cor­pos dos Mártires.
O comandante da cavalaria do imperador Sapor, chamado Isaias, como testemunha ocular, escreveu a história do martírio de Jonas e Barachiso, concluindo da maneira seguinte: “Assim estes mártires lu­taram e venceram, oxalá Isaias pos­sa merecer-lhes a intercessão!” Jo­nas e Barachiso foram martirizados em 327, no décimo oitavo ano do governo do imperador Sapor.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

sábado, 28 de março de 2026

Sábado da Primeira Semana da Paixão

28/03 Sábado 
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos

Intróito/ Ps. 30, 10,16 e 18.
em piedade de mim, Senhor, porque estou muito triste, livra-me e arrebata-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores. Senhor, não me deixes confundir, porque te invoquei.Ps. ibid., 2. Eu esperava em ti, Senhor, que eu nunca fosse confundido; na tua justiça livra-me.V/. Glória Patri.

Coleta
Por favor faça. Senhor, que o povo a ti consagrado progrida no fervor de uma devoção piedosa, para que, encontrando instrução nas ações santas, seja tanto mais enriquecido com os teus melhores dons, que se entregue mais agradável à tua majestade. Por Nosso Senhor.

Leitura da Epístola do livro do  


Jeremias 18, 18-23
18 Vinde, disseram então, e tramemos uma conspiração contra Jeremias! Por falta de um sacerdote não perecerá a lei, nem pela falta de um sábio, o conselho, ou pela falta de um profeta, a palavra divina. Vinde e firamo-lo com a língua, não lhe demos ouvidos às palavras! 19 Senhor, ouvi-me! Escutai o que dizem meus inimigos. 20 É assim que pagam o bem com o mal? Abrem uma cova para atentar-me contra a vida. Lembrai-vos de que ante vós me apresentei a fim de por eles interceder e deles afastar a vossa cólera. 21 Assim, entregai-lhes os filhos à fome e a eles próprios ao fio da espada. Percam suas mulheres os filhos e maridos, morram os homens pela peste, e os jovens caiam sob a espada nos combates. 22 Quando, de súbito, sobre eles lançardes hordas armadas, ouçam-se os clamores partidos de suas casas, já que cavaram uma fossa para prender-me, e armaram laços a meus pés. 23 Vós, porém, Senhor, que bem conheceis suas conspirações de morte contra mim, não lhes perdoeis tal iniquidade. Que a vossos olhos o seu pecado permaneça indelével e caiam diante de vós. Agi contra eles no dia de vossa cólera.

Gradual/ Pr. 34, 20 e 22.
Meus inimigos, falando-me palavras de paz, em sua ira, meditavam desígnios traiçoeiros.
V /Tu o viste, Senhor, não te afastes de mim.

Sequência do Santo Evangelho 

São João 12, 10-36 

10 Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus. 12 No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando. 13 Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel! 14 Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito: 15 Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zc 9,9). 16 Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho fizeram. 17 A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o. 18 Por isso o povo lhe saía ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre. 19 Mas os fariseus disseram entre si: Vede! Nada adiantamos! Reparai que todo mundo corre após ele! 20 Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. 21 Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus. 22 Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor. 23 Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. 25 Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. 27 Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora. 28 Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo. 29 Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe. 30 Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa. 31 Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. 32 E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim. 33 Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer. 34 A multidão respondeu-lhe: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre. Como dizes tu: Importa que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? 35 Respondeu-lhes Jesus: Ainda por pouco tempo a luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam; e quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a luz, crede na luz, e assim vos tornareis filhos da luz. Jesus disse essas coisas, retirou-se e ocultou-se longe deles.

Ofertório/ Sal. 118, 12, 121 e 42.
Bendito és, Senhor: ensina-me os teus mandamentos; não me entregue aos soberbos que me caluniam: e poderei responder aos que me insultam.

Secreta
Nós vos suplicamos, Senhor, sê propício a nós: preserva de toda culpa e de todo perigo aqueles que fazes participar de tão grande mistério.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio de Cruce; quæ dicitur usque ad Feriam V in Cena Domini inclusive, iuxta Rubricas. Prefácio à Santa Cruz .
 
Comunhão/ Sal 26, 12.
Não me entregue; Senhor, à mercê dos que me perseguem: testemunhas iníquas se levantaram contra mim, e a iniqüidade mentiu contra si mesma.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Com as almas saciadas pela grandeza do dom divino, pedimos-te, Senhor nosso Deus, que nos faças viver sempre participando deste mistério. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Super populum: Oremus. Humiliate capita vestra Deo.Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oratio.Tueátur, quǽsumus, Dómine, déxtera tua pópulum deprecántem: et purificátum dignánter erúdiat; ut, consolatióne præsénti, ad futúra bona profíciat. Por Dominum.Rezar Suplicamos-te, Senhor, que a tua mão direita proteja as pessoas que te rezam e que, depois de a purificar, a instrua com bondade, para que, por meio de uma consolação presente, avance para o bem futuro. Por N.-S.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário
Façam penitência.

28 de março dia de São João de Capistrano, Confessor.


    Ele nasceu em Capistrano, Itália em 1386, estudou leis e tornou-se governador de Peruvia, Itália em 1412.Sua vida foi somente dedicada ao espírito. Durante trinta anos fez rigoroso jejum, duras penitências e se dedicou às orações. Trabalhou com energia, evangelizando na Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia e Rússia. Tornou-se grande pregador e os registros mostram, que, após sua pregação, muitos jovens decidiam entrar na Ordem de São Francisco de Assis. em 1416 amigo e aluno de São Bernardino de Siena. Ele foi ordenado em 1420. Após uma carreira notável como franciscano João foi convidado a ser o legado papal na Palestina, Milão, Sicília, Áustria, Bavária, Polônia, Bohemia e Silésia para combater os "hussites" (seguidores de Jan Hus).
  Foi conselheiro de quatro papas. Com 70 anos, defendeu a Itália numa guerra que ajudou a vencer. A famosa batalha de Belgrado, contra os invasores turcos muçulmanos. . .
  João de Capistrano com seus setenta anos de idade foi a luta, quando um enorme exército ameaçava tomar toda a Europa, pois já dominava mais de duzentas cidades. O papa Calisto III o designou como pregador de uma cruzada, que defenderia o continente. Com ele à frente, os cristãos tiveram de combater um exército dez vezes maior. A guerra já estava quase perdida e os soldados estavam a ponto de desfalecer, quando surgiu João animando a todos, percorrendo as fileiras e mantendo-os estimulados na fé em Cristo. Agiu assim durante onze dias e onze noites sem cessar. Espantados com a atitude de João, os guerreiros muçulmanos apavoraram-se, o exército se desorganizou e os soldados cristãos dominaram o campo de batalha até a vitória final.
  Vitória que, embora preferisse manter o anonimato, foi atribuída a João de Capistrano. Depois disso, retirou-se para o Convento de Villach, na Áustria, onde morreu três meses depois, no dia 23 de outubro de 1456. João encarava esses homens e mulheres como hereges e com implacável hostilidade, e seus métodos eram tão obstinados que ele às vezes foi reprovado. Quando os turcos capturaram Constantinopla, (hoje Istambul), a capital do Império Bizantino em 1453, João se devotou a uma incansável cruzada contra os Otomanos que estavam avançando sobre os Balcãs.
  João conseguiu uma audiência com o General Janos Hunyadi. Hunyadi inspirado pelo santo reuniu os húngaros que resistiram aos turcos e ele pessoalmente comandou uma ala do exercito cristão na batalha de Belgrado em 1456. A vitória de Belgrado salvou a Europa de ser conquistada pelos turcos.
 Na arte Litúrgica da Igreja ele é representado como um franciscano apontando um crucifixo que ele segura; ou 2) com um crucifixo e uma lança; ou 3) pisando em um turbante; ou 4) pregando com anjos e um rosário e o emblema IHS acima dele; ou 5) com a bandeira com a cruz em seu peito.
 Ele morreu em 23 de outubro de 1456 em Vilach, Áustria de uma praga que varreu a região. O seu culto se mantém vivo até os nossos dias, sendo celebrado no dia de sua morte tanto no Oriente e como no Ocidente. 
  São João Capistrano foi canonizado em 1724 papa Bento XIII.São João de Capistrano é o padroeiro dos juízes.
(Contam que foi tão grande era a revolta dos protestantes a veemência de João, que mais tarde, em 1526, os Calvinistas jogaram suas relíquias em um poço).

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Sexta-feira da Paixão

27/03 Sexta-feira da Paixão
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos


Intróito/ Pr. 30, 10, 16 e 18.
Tem piedade de mim, Senhor, porque estou muito triste, livra-me e arrebata-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores. Senhor, não me deixes confundir, porque te invoquei.Ps. ibid., 2. Eu esperava em ti, Senhor, que eu nunca fosse confundido; na tua justiça livra-me.V/. Glória Patri.

Coleta
Digna-te, Senhor, em tua bondade, espalhar tua graça em nossos corações; para que, reprimindo nossos pecados com castigos voluntários, possamos sofrer castigos temporais, em vez de ser condenados aos tormentos eternos. Por Nosso Senhor.

Leitura da Epístola do livro do  

São Jeremias 17,13-18
13 Senhor, que sois a esperança de Israel, confundidos serão todos os que vos abandonam, e de vergonha serão cobertos os que de vós se afastam, por haverem deixado o Senhor, fonte das águas vivas. 14 Curai-me, Senhor, e ficarei curado; salvai-me, e serei salvo, porque sois a minha glória. 15 Ei-los que clamam: Que é feito dos oráculos do Senhor? Que eles se cumpram! 16 Eu, porém, nunca vos incitei a enviar a desgraça, nem desejei o dia da catástrofe. Bem conheceis as palavras que me saíram da boca: elas estão em vossa presença. 17 Não me sejais objeto de espanto, vós que, no dia da desgraça, sois meu refúgio. 18 Sejam envergonhados meus perseguidores, e não eu! Sejam consternados, não eu! Fazei recair sobre eles o dia da aflição, esmagai-os com dupla desgraça.

Gradual/ Pr. 34, 20 e 22.
Enquanto me falavam palavras de paz, meus inimigos em sua ira meditavam desígnios traiçoeiros.
V /Deus viu, Senhor; não fique calado; não se afaste de mim.

Tratados/  Sal. 78, 8-9. 
Senhor, não nos trates segundo os nossos pecados, e não nos castigues segundo as nossas iniqüidades.
V/. Sal. 78, 8-9.Senhor, não se lembre mais de nossas antigas iniqüidades; que suas misericórdias venham apressadamente ao nosso encontro, pois estamos reduzidos à última miséria.

(Hic genuflectitur) V/. Adiuva nos, Deus, salutáris noster: et propter glóriam nóminis tui, Dómine, libera nos: et propítius esto peccátis nostris, propter nomen tuum.Ajoelhamo-nos V/. Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, e para a glória do teu nome, Senhor, livra-nos e perdoa-nos os nossos pecados, por amor do teu nome.

Sequência do Santo Evangelho 

São João 11,47-54
47 Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. 48 Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. 49 Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! 50 Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação. 51 E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, 52 e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos. 53 E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida. 54 Em consequência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.


Ofertório/ Sal. 118, 12, 121 e 42.
Bendito és, Senhor: ensina-me os teus mandamentos; não me entregue aos soberbos que me caluniam: e poderei responder aos que me insultam.

Secreta
Concede-nos, ó Deus de misericórdia, que mereçamos servir sempre dignamente em teus altares e que sejamos salvos pela participação contínua nesses mesmos sacrifícios.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prefácio de Cruce; quæ dicitur usque ad Feriam V in Cena Domini inclusive, iuxta Rubricas. Prefácio à Santa Cruz .
 
Comunhão/ Sal 26, 12.
Não me entregue; Senhor, à mercê dos que me perseguem: testemunhas iníquas se levantaram contra mim, e a iniqüidade mentiu contra si mesma.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Que a proteção constante deste sacrifício de que fomos vítimas não nos falte, ó Senhor, e afaste de nós tudo o que possa nos prejudicar.Por Dominum.

Super populum: Oremus. Humiliate capita vestra Deo.Sobre o povo: Oremos. Humilhem suas cabeças diante de Deus.
Oratio.Concéde, quǽsumus, omnipotens Deus: ut, qui protectiónis tuæ grátiam quǽrimus, liberáti a malis ómnibus, secúra tibi mente serviámus. Por Dominum.Rezar Concede, nós te suplicamos, Deus Todo-Poderoso, que nós que buscamos o favor de tua proteção, te sirvamos com almas confiantes, sendo libertos de todos os males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.



Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.
Façam penitência.

27 de março dia de São João Damasceno, confessor e Doutor da Igreja


De família árabe, mas cristã de religião e socialmente bem situada, nasceu São João por volta do ano 675, em Damasco (Síria), quando Damasco já se encontrava sob o domínio muçulmano.

Sólida doutrina Cristo lógica
Valendo-se de uma terminologia perfeita do ponto de vista teológico, São João Damasceno exalta em suas homilias os mistérios de Nosso Senhor e refuta os erros cristológicos correntes naqueles tempos. Afirmando a plena união do Verbo Encarnado com Deus Pai e Deus Espírito Santo, desqualifica o monofisismo, que pretende ver a natureza humana de Cristo absorvida pela divindade; o nestorianismo, que considera Nosso Senhor como uma pessoa humana na qual o Verbo haveria estabelecido sua morada como num templo ou mansão, sem assumir de fato a natureza do homem; ou o monotelismo que nega a existência da vontade humana n'Ele.

Assim, por exemplo, em sua homilia sobre a Transfiguração do Senhor, ecoam os ensinamentos antimonofisistas do Concílio de Calcedônia, realizado em 451: "Como é possível que coisas incomunicáveis se misturem e permaneçam sem confundir-se? Como podem se unir uns elementos inconciliáveis, sem perder as características próprias da natureza? Precisamente isto é o que se efetua na união hipostática, de maneira tal que os elementos que se unem formam um só ser e uma só pessoa, mas conservando a unidade pessoal e a duplicidade de naturezas, numa diversidade indivisível e numa união sem confusão, que se realiza mediante a encarnação do Verbo imutável e a incompreensível e definitiva divinização da carne mortal. Como consequência dessa permuta, dessa recíproca comunicação sem confusão e da perfeita união hipostática, os atributos humanos vêm a pertencer a Deus e os divinos chegam a pertencer a um homem. Um só é, com efeito, aquele que, sendo Deus desde sempre, depois Se faz homem".

Com igual fé e profundidade teológica, o santo de Damasco não teme abordar um tema pouco tratado por teólogos mais recentes: o que aconteceu com a alma de Cristo após sua morte? A divindade separou-se da alma humana e do corpo do Senhor?

Explica ele: "Embora a alma santa e divina tenha se separado do corpo incontaminado e vivificante, a divindade do Verbo não se separou de nenhum desses dois elementos, ou seja, nem do corpo nem da alma, por efeito da indivisa união hipostática das duas naturezas, que se realizou na concepção efetuada no seio da santa Virgem Maria, Mãe de Deus. Assim resulta que, inclusive ao produzir-se a morte, continua havendo em Cristo uma só pessoa, que é o Verbo divino, e depois da morte do Senhor, nesta pessoa seguem subsistindo a alma e o corpo".

Homilias sobre Nossa Senhora
Não são menos belas e esplendorosas as homilias do Damasceno sobre Nossa Senhora. Elas nos mostram como a devoção à Santíssima Virgem vem desde os primeiros tempos do Cristianismo, como o amor a Ela era muito patente já na época de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, de São Justino (†165) e de Santo Irineu (†202).

Nessas homilias se encontram em germe os elementos doutrinários que, séculos depois, facilitaram a proclamação de diversos dogmas marianos, como o da Imaculada Conceição e o da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma aos Céus.

Cabe ressaltar nelas, além da profundidade teológica, o entusiasmo e o amor de seu autor à Santíssima Virgem. "La raison parle, mais l'amour chante" (a razão fala, mas o amor canta), escreveu o romancista Alfred de Vigny. Em São João Damasceno, a razão disserta e o amor canta, ao tratar d'Aquela que foi achada digna de ser a Mãe do Redentor.

Eis como ele entoa louvores à virgindade perpétua de Maria: "Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente irrepreensível! Vós levastes uma vida agradável a Deus e digna d'Aquela de quem vos tornastes pais. Tendo vivido com pureza e santidade, gerastes a joia da virgindade, ou seja, Aquela que foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem depois do parto. Aquela que é a Virgem por excelência, virgem para sempre, virgem perpétua no espírito, na alma e no corpo".

E com quanta beleza literária, servindo-se de figuras extraídas do Antigo Testamento, nos ensina ser Maria Mãe de Deus: "Ó Virgem, claramente prefigurada na sarça, nas tábuas escritas por Deus, na arca da lei, no vaso de ouro, no candelabro, na mesa e na vara de Aarão que floresceu. De Vós, com efeito, procede a chama da divindade, o Verbo e manifestação do Pai, o maná suavíssimo e celestial, o nome inefável que está acima de todo nome, a luz eterna e inacessível, o celeste pão de vida. De Vós brotou corporalmente aquele fruto que não é resultado do trabalho de nenhum cultivador".

Essa capacidade de unir doutrina, poesia e fervor, é exemplo típico do que Urs Von Balthasar chama "teologia de joelhos", em oposição à "teologia de escritório", tão habitual nos dias atuais.

Prenunciador do dogma da Assunção
São João Damasceno comparte uma opinião generalizada entre os Santos Padres, de que há uma estreita relação entre a virgindade perpétua de Maria e a incorrupção de seu corpo virginal depois da morte. Ao ponto de que, em trechos como os mencionados a seguir, ele prenuncia o dogma da Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma.

"Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. [...] Convinha que
a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus".

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.