quarta-feira, 3 de março de 2021

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCC (700) – (12 de dezembro de 2020)

 

MADIRAN – PROPOSIÇÃO VII


 Para todos os homens, Deus tem uma estrutura e um plano naturais,

Dos quais o homem moderno está a anos-luz.

A Parte V não é a mais fácil das seis partes do livro de 1968 de Jean Madiran (1920–2013) sobre A Heresia do Século XX, pois trata da Lei Natural, que é um conceito de difícil compreensão para as mentes modernas. E isso ocorre porque Deus, o Criador, é tanto o escritor da Lei Natural como Aquele que a implanta em todas as Suas diversas criaturas, e o Grande e Bom Deus é um mistério fechado para a grande maioria das mentes modernas. No entanto, a Lei Natural é para Madiran tão importante como meio para chegar à heresia do século XX, que ele faz dela o centro da última das Sete Proposições que selecionou dos escritos do Bispo Schmitt de Metz, na França, para dar alguma forma a uma heresia que de outro modo não teria forma. Ei-la:

7 A lei natural é a expressão da consciência coletiva da humanidade. Daí se desprende que não existe uma lei natural objetiva moral, promulgada por Deus e inscrita no coração do homem.

A razão do Bispo Schmitt para negar a existência de tal lei divina nos homens parece ter sido que ela tornou a vida social do homem muito mecânica, como se as soluções para todos os problemas sociais dos homens pudessem ser lidas nele como um manual do fabricante. Mas o manual de Deus para o homem permite plenamente a liberdade humana mesmo na sociedade, enquanto a negação da lei natural, diz Madiran, fundamenta o bem e o mal não mais na lei divina objetiva, mas na consciência humana subjetiva, o que significa, em última análise, em nenhuma lei. O homem é livre e responsável, mas não é livre para fazer suas próprias leis. E o ensinamento social da Igreja parte certamente da lei natural de Deus, mas para ser aplicado à imensa variedade de novas situações concretas, como se verifica em nosso tempo, precisa de muito trabalho, como o que Pio XII realizou em seu tempo.

Ademais, sem uma ordem ou lei natural no homem, como pode haver algo sobrenatural? (Se não há natureza abaixo, que natureza pode estar acima?) Já não pode haver Dez Mandamentos (que expressam a lei natural); nem caridade (que é o início e o fim dos Dez Mandamentos); nem religião natural (constituída pela lei natural); nem vida social (que pressupõe a justiça natural); nem vida cristã (que pressupõe as virtudes naturais); e assim por diante. Na verdade, se não há lei natural, toda noção de uma sociedade cristã se torna impossível, seja como sociedade ou como cristã.

Objeção: Toda boa lei é clara e certa. Mas se a lei natural requer tal elaboração, então ela não pode ser clara ou certa. Portanto, não é uma boa lei. Resposta: Em seu fundamento absoluto: “Faça o bem, evite o mal”, a lei natural é clara e inabalável. Tudo o que deriva desse fundamento não é tão claro para nós, seres humanos, e pode ser abalado ou contestado, mas é claro em si mesmo, como quando, por exemplo, um bom juiz tira a justiça de um processo judicial confuso. A lei natural é conhecida por nós desde dentro pela razão, e desde fora pela revelação, por exemplo, a revelação dos Dez Mandamentos a todos os homens por Moisés.

No terceiro e último capítulo da Parte V de seu livro, Madiran apresenta as consequências espirituais da negação da lei natural que ele atribuiu anteriormente na P7 à heresia do século XX. O resultado no indivíduo católico é que ele se afasta de uma verdadeira compreensão tanto da vida cristã como do quão longe está sua própria vida dela. Ele já não tem ideia da necessidade absoluta da graça sobrenatural para viver uma vida cristã. Ele pensa que por suas próprias forças leva uma vida decente, mas dessa vida os Mandamentos 1 a 4 desapareceram, os 5 e 7 ainda podem estar vivos, mas o 8 está debilitado, e os 6, 9 e 10 muitas vezes também desapareceram. No entanto, por um amor sentimental ao próximo, disciplinado por nenhuma lei objetiva, ele crê que está cumprindo o mandamento de Cristo de amar-se uns aos outros como Cristo nos amou, então ele está satisfeito consigo mesmo. Neste estado, diz Madiran, não pode ser salvo. Não é de admirar-se que um homem assim clame por “uma mudança no próprio conceito de salvação trazido por Cristo” – e fechamos o círculo, de volta à primeira das Sete proposições nas quais Madiran resumiu a heresia do século XX.

Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

Quarta-feira da Segunda semana da Quaresma

 03/03 Quarta-feira
Festa de Terceira Classe
 
Paramentos Roxos

 
Leitura da Epístola de São Paulo a

Atos dos Apóstolos 1,15-26
15 Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: 16 Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. 17 Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério. 18 Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. 19 (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.) 20 Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). 21 Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, 22 a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição. 23 Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. 24 E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste 25 para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar. 26 Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.


Sequência do Santo Evangelho segundo 

São Mateus 11,25-30
25 Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. 26 Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 27 Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo. 28 Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. 29 Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. 30 Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário. 

03 de março dia de Santa Cunegundes,Viuva.

 Santa Cunegundes viveu na realeza. Nasceu no ano 988, era filha de Sigfredo, conde de Luxemburgo e Asdvige, que transmitiu pessoalmente à ela os profundos ensinamentos cristãos. Desde pequena a menina desejava se tornar religiosa.
  Porém casou-se com Henrique, duque da Baviera, que era católico e em 1002 se tornou rei da Alemanha. Em 1014 o casal real recebeu a coroa imperial das mãos do Papa Bento VIII, em Roma. Para o povo, foi um tempo de paz e prosperidade. O casal ficou famoso pela felicidade que proporcionava aos seus súditos, o que chamou a atenção dos inimigos do reino e do imperador. Mas também porque a população e a corte diziam que eles haviam feito um "matrimonio de São José", casamento Josefino vivendo ambos em perfeita continência. Mais tarde, os inimigos da corte espalharam uma forte calúnia contra a imperatriz, dizendo que ela havia traído seu marido. A princípio os dois não se importaram, mas os boatos começaram a rondar o próprio palácio e Cunegundes resolveu acabar com a maledicência. Numa audiência pública, negou a traição e evocou Deus para comprovar que dizia a verdade. Para isso, mandou que colocassem à sua frente grelhas quentes. Rezou, fechou os olhos e pisou descalça sobre elas várias vezes, sem que seus pés se queimassem. Isso bastou para o imperador, a corte e o povo admirar ainda mais a santidade da imperatriz, que vivia trabalhando para atender os pobres e doentes, crianças e idosos abandonados, com suas obras religiosas assistenciais.
   Em 1021 o casal imperial fundou um mosteiro beneditino em Kaufungen, em agradecimento à Deus pela cura completa de uma doença grave que Cunegundes havia contraído. Quatro anos depois, quando Henrique faleceu, ela retirou-se para esse mosteiro, abdicando do trono e da fortuna, onde viveu como religiosa por quinze anos.
   Até hoje o mosteiro possui em seu acervo os riquíssimos e belos paramentos que Cunegundes costurava. Contudo, ela própria usava somente um hábito muito simples, também feito com as próprias mãos. Com ele trabalhava diariamente e com ele fez questão de ser enterrada, embora suas companheiras tivessem preparado cobertas ricamente bordadas e enfeitadas com jóias preciosas para seu velório.
   Antes de morrer, no dia 03 de março de 1039, pediu que a enterrassem como uma simples monja e ao lado da sepultura do esposo, na Catedral de Bamberg, que eles também haviam construído. O local foi palco de numerosos prodígios e graças, por isso seu culto correu entre os fiéis e se propagou por toda a Europa. O Papa Inocêncio III a canonizou em 1200, autorizando sua festa para o dia de sua morte. Santa Cunegundes é padroeira de Luxemburgo, da Lituânia e da Polônia o que faz com que sua devoção se mantenha ainda muito forte e intensa.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

terça-feira, 2 de março de 2021

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCXCIX (699) – (5 de dezembro de 2020)

 

COVID – A ORIGEM?


Para promoverem o Messias, grandes dons receberam,

Mas, sobre seu orgulho, uma poderosa maldição provocaram.

Estes “Comentários” afirmam que o Deus Todo-Poderoso está bem no centro da tormenta que está sendo levantada em todo o mundo com base na contraverdade de que o vírus da covid-19 representa uma grande ameaça para toda a humanidade. Desde então, as estatísticas têm mostrado que não é uma ameaça maior do que qualquer vírus de gripe comum, mas ameaça mudar significativamente o modo de vida do mundo inteiro, porque muito provavelmente foi projetado para fazer isso mesmo pelos inimigos judaico-maçônicos de Deus. Não são eles todos os não gentios nem todos os maçons, mas aqueles não gentios e maçons que conspiram juntos para estabelecer uma tirania mundial para fazer guerra contra o Deus Todo-Poderoso, mandando para o inferno eterno todas as almas humanas que Ele criou.

O resultado é uma guerra cósmica entre os amigos e os inimigos de Deus que gera a história da humanidade. Obviamente, Deus, por Sua onisciência, conhece nos mínimos detalhes tudo o que os dois grupos estão tramando, e por Sua onipotência pode intervir a qualquer momento para ajudar Seus amigos, como fez supremamente há 2.000 anos pela Encarnação de Seu divino Filho. Mas, uma vez que Seu propósito principal é povoar Seu Céu com seres racionais que terão usado sua razão para passar sua eternidade com Ele, em vez de sem Ele, então se pode dizer que a Seus inimigos Ele garante uma liberdade considerável para tentar e atormentar Seus amigos, enquanto para Seus amigos Ele intervém para assegurar uma igualdade de condições. Pois, de fato, Seus inimigos têm o Diabo e seus exércitos de anjos caídos para ajudá-los, a ponto de São Paulo advertir os cristãos de que sua luta não é contra a carne e o sangue humanos, mas contra os demônios (Ef. VI, 12).

Verdadeiramente diabólica é a astúcia com que aqueles que conspiram contra Deus disfarçam de Seus amigos suas verdadeiras intenções. Nosso Senhor mesmo diz que Ele envia Seus Apóstolos como ovelhas entre lobos (Mt. X, 16). Portanto, uma grande intervenção de Deus para ajudar Seus amigos foi quando Ele permitiu que os Protocolos dos Sábios de Sião fossem descobertos há pouco mais de um século. Os próprios Sábios têm contestado amargamente desde a autenticidade dos Protocolos, mas como um americano renomado por seu bom senso disse: "Se você quiser saber se os Protocolos são autênticos, basta olhar ao seu redor". Aqui está um resumo breve, mas preciso.

Os gentios são mentalmente inferiores aos não-gentios, e não podem governar suas nações adequadamente. Pelo bem deles e pelo nosso bem, precisamos abolir seus governos e substituí-los por um governo único. Isto levará muito tempo e envolverá muito derramamento de sangue, mas é por uma boa causa. Eis o que precisamos fazer. Colocar nossos agentes e ajudantes em todos os lugares. Assumir o controle dos meios de comunicação e usá-los para propaganda de nossos planos. Começar lutas entre várias raças, classes e religiões. Usar suborno, ameaças e chantagem para conseguir o que queremos. Usar lojas maçônicas para atrair potenciais funcionários públicos. Apelar aos egos das pessoas de sucesso. Nomear líderes títeres que possam ser controlados por chantagem. Substituir o regime real pelo regime socialista, depois o comunismo e depois o despotismo. Abolir todos os direitos e liberdades, exceto o direito à força, usado por nós mesmos. Sacrificar pessoas, incluindo às vezes até não-gentios, quando necessário. Eliminar a religião, substituí-la pela ciência e pelo materialismo. Controlar o sistema educacional, para difundir o engano e destruir o intelecto. Reescrever a história para nosso benefício, criar distrações divertidas, corromper as mentes com sujeira e diversão, encorajar as pessoas a espionarem-se umas às outras, manter as massas na pobreza e no trabalho perpétuo. Tomar posse de todas as verdadeiras riquezas, das propriedades e especialmente do ouro. Usar o ouro para manipular os mercados, causando depressões e assim por diante. Introduzir um imposto progressivo sobre a riqueza, substituir os investimentos sólidos pelas especulações, fazer empréstimos de longo prazo com juros aos governos, dar maus conselhos aos governos e a todos os demais. Já que culparemos um governo goy (gentio) pela desordem resultante, eventualmente os goyim (gentios) ficarão tão encolerizados com seus próprios governos que eles ficarão felizes em deixar-nos assumir o controle. Então, nomearemos um descendente de Davi para ser o rei do mundo, e os goyim restantes se prostrarão e cantarão seus louvores. Todos viverão em paz e ordem obedientes sob seu glorioso governo.

Alguém pode não reconhecer o mundo “ao seu redor”, como o fez Henry Ford? Incluindo a crise da covid?

Kyrie eleison.

Terça-feira 2ª Semana da Quaresma

02/03 Terça-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos


Leitura da Epístola do livro do profeta


I Reis, 17,8-16
8.Então o Senhor disse-lhe:
9. Vai para Sarepta de Sidon e fixa-te ali: ordenei a uma viúva desse lugar que te sustente.10. Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba.
11. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traz-me também um pedaço de pão.12. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos.
13. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho.14. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra.
15. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias.16. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.

Sequência do Santo Evangelho 


São Mateus, 23,1-12

1. Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse:
2. Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés.3. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem.4. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo.
5. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos.
6. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas.7. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens.8. Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos.
9. E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus.10. Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. 11. O maior dentre vós será vosso servo.
12. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado. 

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário. 

02 de março dia de São Gregório de Nissa.

  São Gregório nasceu na Cesárea da Capadócia, na Anatólia, Ásia Menor, hoje Kayseri Turquia entre os anos 330 a 335. Seus pais Basílio, apelidado de “o velho”, e Amélia, tiveram dez filhos dos quais: Gregório, Pedro, Basílio e Macrina, se tornaram santos. Sem contar o avô, que morreu mártir e a avó, da qual a irmã herdou o nome, e que a Igreja também venera.
  Irmão de Basílio de Nissa, destaque na consagração do pensamento cristão e um dos personagens mais significativos da idade de ouro da Patrícia e um dos precursores do trabalho de Santo Agostinho. Estudou em Cesaréia, Alexandria e Atenas e começou a vida como professor de retórica até que se voltou para os estudos religiosos e para a devoção cristã (360). Foi consagrado bispo de Nissa, pequena localidade da Capadócia (371) por seu irmão Basílio, bispo metropolitano de Cesaréia. Deposto (376) por Valenciano, imperador arianista, doutrina que negava a divindade de Cristo, mas reconquistou o cargo (378), após a morte do imperador. Nos anos seguintes desempenhou intensa atividade eclesiástica, visitou várias igrejas da Anatólia e participou do Concílio de Constantinopla (381), onde com seus textos anti-heréticos formulou a doutrina da Santíssima Trindade, utilizando argumentos inspirados na teoria das idéias de Platão. Sua obra teológica de maior destaque foi O grande discurso catequético. Também merece destaque o seu Criação do homem. A base de seu pensamento era: A Sagrada Escritura é a norma e a lei de toda doutrina. Na história do catolicismo ficou conhecido como um dos três padres capadócios, juntamente com o irmão São Basílio e São Gregório Nazianzeno, que reafirmaram no século IV a ortodoxia cristã frente às manifestações hereges.


"Nosso corpo unido ao Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, adquire um princípio de imortalidade, porque se une ao Imortal.

"O homem tem parentesco com Deus"

"O cristianismo é uma imitação da natureza de Deus"

"A Fé une intimamente ao divino. No sacramento do Pão e Vinho eucarístico, o Verbo Encarnado une a sua Carne divinizada à nossa, para divinizá-la"

"O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus"

"Se um problema é desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é permanecer bem firmes e irrevovíveis na tradição, que recebemos da sucessão dos Padres"

"A solidariedade com o pobre é lei de Deus, não um mero conselho"

"A fim que as disposições do Evangelho e a atividade do Espírito Santo se desenvolvam em nós, é necessário que Cristo nasça em nós"

"Doente, a nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus ao ponto de fazê-lo descer até à nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?"

"Se o coração de um homem foi purificado de toda propensão carnal e de toda insubordinação, tal homem verá em sua própria beleza a natureza Divina... Isto está por certo ao nosso alcance; tendes dentro de vós mesmos o paradigma pelo qual aprendeis o Divino. Pois o que vos criou, ao mesmo tempo vos dotou com esta qualidade maravilhosa. Aí imprimiu Deus a semelhança das glórias de sua própria natureza assim como quem molda da cera a escultura. Todavia o mal que foi derramado na natureza, esta natureza que traz a imagem divina, tornou inútil para vós este feito maravilhoso que sob máscaras vis se oculta. Se, portanto, purificais vossa vida da imundície, que tal qual emplastro se vos apega ao corpo, a beleza divina em vós outra vez fulgirá".

"Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo na sua Pessoa o ponto de encontro da morte e da vida sustando Nele a decomposição da natureza, produzida pela morte, e tornando-se Ele mesmo princípio de reunião para as partes separadas."

"Deus fez o homem de tal modo que pudesse exercer a sua função de rei da terra... O homem foi criado à imagem daquele que governa o universo. Tudo manifesta que, desde o princípio, a sua natureza está assinalada pela realeza... Ele é a imagem viva que participa, pela sua dignidade, da perfeição do modelo divino"

"O que significa a entrada de Moisés e a visão que nela ele teve de Deus? Quão mais o espírito na sua marcha adiante consegue numa aplicação sempre maior e mais perfeita compreender o que é o conhecimento das realidades e se aproxima mais da contemplação, mais ele vê que a natureza divina é invisível. Tendo abandonado todos as aparências, não somente o que percebe os sentidos, mas o que ainteligência crê ver, ele vai sempre mais ao interior, pelo esforço do espírito até o Invisível e ao Incognoscível e que aí ele vê Deus. O verdadeiro conhecimento daquele que ele busca e sua verdadeira visão, consiste em ver que ele é invisível, apartado de tudo por sua incompreensibilidade como por trevas. (...) define por este negação que a essência divina é invisível não somente aos homens mas a toda natureza intelectual. Ele escapa a toda gnose e ao alcance do espírito."

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCXCVIII (698) – (28 de novembro de 2020)


MADIRAN – 6 PROPOSIÇÕES

“Deus, por favor, afasta-te. Por favor, sai do caminho.

Já nos cansamos de ti. Já tiveste tua hora!"


 Do Prólogo do livro de Jean Madiran, A Heresia do Século XX, apresentado brevemente no nº 690 destes "Comentários" há oito semanas, os leitores podem lembrar-se da rejeição do mesmo Madiran à heresia em questão quando diz que ela é "noite”, “vazio” e “nada". No entanto, depois do Vaticano II, e até hoje, essa heresia apresentou um poder devastador para destruir a Fé Católica, a liturgia, a Igreja e as almas, que ainda eram católicos antes do Concílio, e por isso Madiran dá a seus leitores um relato do “nada". Ele apresenta este relato nas partes III, IV e V de seu livro, onde analisa as sete principais Proposições da heresia, selecionadas por ele mesmo dos escritos do Bispo Schmitt, a quem acusa de ter promovido o nada devastador da nova religião conciliar. Aqui, em negrito, estão todas as sete Proposições em ordem, seguidas por um breve resumo dos comentários de Madiran.

1 O mundo em mudança de hoje impõe uma mudança no conceito mesmo de salvação trazido por Cristo,

2 e mostra que a ideia da Igreja sobre o plano de Deus não era, até agora, suficientemente evangélica.

3 A fé ouve o mundo.

4 A socialização não é apenas um fato inelutável da história mundial. Também é uma graça.

5 Nenhuma época anterior à nossa foi capaz de compreender melhor o ideal evangélico da fraternidade praticada.

6 Em um mundo voltado para o futuro, a esperança cristã adquire todo o seu significado.

7 A lei natural é a expressão da consciência coletiva da humanidade. (Esta sétima Proposição é tão devastadora que Madiran reservará para ela toda a Parte V.)


1 As duas primeiras Proposições já foram analisadas por Madiran na parte anterior de seu livro, então da primeira (P1) ele apenas acrescenta aqui que ela é o princípio necessário e suficiente de toda essa nova religião. Poder-se-ia resumir deste modo: assim como o catolicismo é “todo tradição”, o modernismo é “todo mudança”.

2 A P2 começa a explicar a P1, ou seja, começa a especificar qual mudança é necessária. Assim como inúmeros sistemas desde o protestantismo que protesta contra o catolicismo, ele apela falsamente ao Evangelho contra a Igreja.

3 A P3 deixa claro que a P1 e a P2 mudaram aquilo em que os crentes daqui por diante devem crer: tal como os católicos costumavam crer em Deus porque Ele é Deus, agora eles devem crer no mundo porque este é o mundo.

4 E crer no mundo moderno significa crer no seu grande movimento de socialização ou coletivismo, ou seja, no comunismo, porque não só o movimento é inevitável, mas também uma graça religiosa (!).

5 Em outras palavras, "a salvação de Cristo" (P1) e "o plano de Deus" (P2) tornaram-se meras palavras, guardadas como relíquias do passado, mas com todo o significado sobrenatural e a realidade esvaziados.

6 Da mesma forma, toda esperança sobrenatural e a luta pelo Céu de Deus se esvaziam e se cumprem – melhor – pela modernidade. Pois nunca antes em todos os 20 séculos de história da Igreja os cristãos compreenderam tão bem a esperança cristã como nós, os homens de hoje, que lutamos juntos pela Admirável Nova Ordem Mundial (!).

No comentário final, Madiran observa como todas as seis Proposições que selecionou do Bispo Schmitt se articulam. Assim, P1 é o trampolim das outras seis. Mas por que essa mania de mudança, que é tão clara também em todos os políticos modernos? Porque antes da era moderna, tudo costumava fundar-se em Deus, e girar em torno d’Ele. Mas agora o homem rejeita a Deus. Portanto, tudo deve ser mudado, (P2) com o homem em lugar de Deus no centro, e (P3) com o mundo do homem como o horizonte completo. Essa centralização no homem (P4) não pode ser revertida, mas (P4) é tão boa quanto uma religião, e (P5) os homens nunca estiveram mais preparados do que hoje para se centrarem no homem, ou (P6) para olhar para o futuro humano da humanidade. A sincronização deste sistema, com sua eliminação de Deus e a deificação do homem, com o comunismo é clara. Ficará ainda mais clara com (P7) a eliminação da natureza e da lei natural. Os distúrbios de verão nos EUA não tiveram como objetivo a eliminação final do Deus Todo-Poderoso? Senhor, tende piedade de nós!

                                                                                                                 Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

Março mês de São José.

     Apostolado de São José.

Divulgue o Folheto de São de José e o cordão  faça parte deste apostolado.




Oração de  São José ( composta por São Pio X ) 
Nome de batismo de São Pio X Giuseppe é José Melchiorre Sarto.

  Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados;
  De trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;

  De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus;

  De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;
  De trabalhar, sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!
  Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, oh! Patriarca São José!
  Tal será a minha divisa na vida e na morte. 

   Ave São José, Padroeiro da Santa Igreja Universal, nos de por vossa misericórdia infinita um Papa que defenda santa Doutrina Tradicional e Imaculada, por vossa paternidade nos conceda esta graça(milagre) diante da Santíssima Virgem e Deus.

Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma.Amém.




 Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

Segunda-feira da 2ª Semana da Quaresma.

01/03 Segunda-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos

Leitura da Epístola do livro do profeta

Daniel 9, 15-19
15 Mas agora, Senhor, nosso Deus, que tirastes vosso povo do Egito por um desígnio de vosso poder, e do qual vós fizestes uma glória que perdura ainda hoje, nós pecamos, nós prevaricamos. 16 Senhor, dignai-vos, pela vossa misericórdia, afastar de vossa cidade santa, Jerusalém, vossa cólera e vossa exasperação, porque é devido às nossas iniqüidades e aos pecados de nossos antepassados que Jerusalém e vosso povo são alvo dos insultos de todos os nossos vizinhos. 17 Ouvi, pois, Senhor, a prece suplicante de vosso servo. Por amor a vós mesmo, Senhor, fazei irradiar vossa face sobre vosso santuário deserto. 18 Ó meu Deus, ficai atento para ouvir-nos; abri os olhos para ver nossa ruína e a cidade que ostenta um nome vindo de vós. Não é em nome dos nossos atos de justiça que depositamos a vossos pés nossas súplicas, mas em nome de vossa grande misericórdia. 19 Senhor, escutai! Senhor, perdoai! Senhor, ficai atento! Agi! Por vosso próprio amor, ó meu Deus, não demoreis, pois vosso nome foi dado à vossa cidade e a vosso povo! 

Sequência do Santo Evangelho 

São João 8,21-29
 21 Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir. 22 Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir? 23 Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24 Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado. 25 Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro. 26 Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo. 27 Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. 28 Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. 29 Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado. 

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

01 de março dia de São Suitberto OSB; Ap da Frigida


  

São Suitberto nos arrastam para Deus, já que a santidade possui esta força. Santo Suitberto foi um dos muitos monges formados nas severas disciplinas dos mosteiros irlandeses. Aconteceu certa vez, uma missão para evangelizar os povos pagãos da baixa Alemanha, mas esta primeira missão não alcançou o objetivo previsto, por isso houve uma segunda, na qual envolveu doze missionários e, dentre eles, Suitberto. Este santo pregou, com ardor, o Evangelho nesta região e seu apostolado foi realizado de maneira heroica e abençoada. Com o passar da história, notou-se que São Suitberto recebeu a ordenação episcopal e ficou responsável pelo cuidado e salvação das almas do povo da Frísia.
Desenvolveu um lindo trabalho e até mesmo as dificuldades fizeram-no crescer, como o caso da necessidade que o fez abrir-se ao carisma de formador de evangelizadores, já que fundou um mosteiro, onde precisou formar discípulos do Cristo. O grande missionário dos povos germânicos consumiu-se pelos trabalhos de vinte anos como bispo e tomou posse da herança eterna no ano de 713, com sua morte. São Suitberto, rogai por nós!

Outros Santos do mesmo dia: São Davi, São Felix II, São Albino de Angers, São Rudesindo, Beato Rogério Lê Fort, Beata Bonavita, Beato Cristóvão de Milão e Beata Joana Maria Bonomo.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.
 Façam penitência.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCXCVI (697) – (21 de novembro de 2020)

 

VIGANÒ RESPONDE

Graças a Deus pela voz clara e católica de Viganò.

Estes “Comentários” poderiam escolher suas palavras todas as semanas.

 No último mês de agosto, um jornalista do Life Site News enviou para o Arcebispo Viganò, que está escondido na Itália, um artigo sobre a vida cotidiana no mundo de hoje para os católicos que desejam manter a fé. O título era Questions for Viganò: His Excellency is right about Vatican II. But what does he think Catholics should do now? [Perguntas para Viganò: Sua Excelência tem razão sobre o Vaticano II. Mas o que acha que os católicos devem fazer agora?]. O Arcebispo começou sua resposta de 1º de setembro assegurando a Stephen Kokx, o jornalista, que ficaria feliz em responder às perguntas, porque tratavam de “assuntos que são muito importantes para os fiéis”. A resposta está aqui resumida, e no final dela estes "Comentários" destacarão um ponto em particular.

Kokx perguntou ao Arcebispo: “Quem pertence à Igreja Católica, e quem está separado dela?”. Ele respondeu que quem quer que proponha alguma das doutrinas adulteradas do Concílio não pode ser católico. Tampouco pode ser católico qualquer um que aceite qualquer uma dessas doutrinas sabendo que elas estão em ruptura com a doutrina católica imutável. Por outro lado, se uma pessoa é batizada, se considera a si mesma como católica e reconhece a Hierarquia católica, isso não significa necessariamente que aceite a doutrina conciliar, ou que adira à equipe conciliar, sabendo que esta está em ruptura com a Tradição Católica; e tampouco está necessariamente fora da Igreja. Mas mesmo os detentores de cargos que têm autoridade dentro da Igreja são duvidosamente católicos se aceitam a doutrina conciliar sabendo que é contrária à Tradição Católica. Eles têm autoridade na Igreja, mas não podem exercê-la. Somente sua autoridade dá a esses conciliares o direito de alegarem que são católicos, e não apenas membros de uma seita.




 Portanto, os católicos tradicionais pertencem à Igreja, e os modernistas não. Ademais, os leigos fiéis à Tradição podem e devem buscar com frequência sacerdotes, comunidades e institutos que também sejam fiéis à Tradição, especialmente na celebração da Missa. A esse respeito, o clero é menos livre que os leigos, porque pertence a uma hierarquia que normalmente requer obediência, mas tem o mesmo direito e dever de praticar sua Fé, aquela Fé que justifica e requer que se use o antigo rito da Missa. E se a Igreja vai ressurgir dos vários horrores da Nova Igreja, observe-se que a fidelidade de verdadeiros crentes sob perseguição é necessária dentro da Igreja para derrotar o Modernismo.




Foi permanecendo dentro da Igreja que o Arcebispo Lefebvre foi um modelo de fidelidade sob perseguição. Sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi uma reprovação permanente para os modernistas, e foi capaz de sobreviver pelas consagrações episcopais de 1988, de modo que a verdadeira Missa pudesse ser libertada novamente e o Vaticano II pudesse ser desmascarado. O Bispo Tissier de Mallerais tem razão quando diz que no momento existem tanto a verdadeira Igreja quanto uma falsa “igreja” sob o mesmo teto, mas esse teto é católico, de modo que pertence à verdadeira Igreja, enquanto a falsa Igreja Conciliar não é mais do que uma intrusa. Devemos esperar e rezar para que vários pastores que agora dormem despertem para ver como foram enganados.

É um privilégio participar desta luta necessária por Nosso Senhor e por Sua Mãe, e assim ajudar a reavivar a honra, a fidelidade e o heroísmo. Pelo sacramento da Confirmação somos soldados de Cristo, e os cristãos tiveram de participar em uma grande batalha após a outra para defender a Verdade, o Bem e o Belo. Resistamos aos modernistas com a Verdade e a caridade. Os que praticam o Modernismo são os culpados, não nós que os denunciamos! Que os leigos não hesitem em assistir às Missas que não escandalizam, mas alimentam sua fé. Os verdadeiros pastores nos serão devolvidos por Deus, e os pastores falsos morrerão. Que os leigos se ocupem dos bons sacerdotes, recriem a caridade, evitem divisões e rebeliões, ofereçam conselhos respeitosos, questionando não a autoridade da Igreja, mas como ela está sendo mal utilizada. Deus não deixará de recompensar a nossa fidelidade e de restaurar a Sua Igreja, atraindo vocações de famílias que tiverem conservado a fé. Todos os problemas sérios são problemas humanos. Todos os problemas humanos têm uma solução católica.

 E o ponto por destacar? Observe-se como o Arcebispo mede tudo pela Verdade e pela Fé.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.

Rezem todos os dias o Santo.

Segundo Domingo depois da Quaresma.

28/02 Domingo 
Festa de Primeira Classe
Paramentos Roxos
Celui-ci est mon Fils bien-aimé


Leitura da Epístola de São Paulo aos

I Tessalonicenses 4,1-7
No mais, irmãos, aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus - e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. 2 Pois conheceis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus. 3 Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; 4 que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, 5 sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; 6 e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já antes vo-lo temos dito e asseverado. 7 Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 17,1-9
1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. 2 Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 3 E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4 Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. 5 Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. 6 Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. 7 Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. 8 Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. 9 E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

28 de fevereiro dia de São Romão,Confessor.


   São Romão, que viveu no século 5, foi o primeiro eremita que existiu na França. Natural de Borgonha, entrou bem cedo no célebre e mais antigo mosteiro da França, Ainay.
  Tendo aprendido os princípios da vida religiosa, retirou-se para a solidão, num lugar chamado Condat, entre a Suíça e Borgonha, onde mais tarde se lhe associou o irmão, Lupicino. Algum tempo viveram juntos, entregues às práticas religiosas, quando começaram a experimentar impertinentes perseguições do demônio, que procurou assustá-los de mil modos. Bastante incomodados com as artimanhas do inimigo, retiraram-se daquele lugar, em demanda de um outro. Surpreendidos pela noite, hospedaram-se na choupana de uma pobre mulher. Esta, sabendo do motivo da fuga, disse-lhes: “Fizestes mal em ter abandonado a vossa casa. Se tivésseis lutado com mais coragem e pedido sossego a Deus, teríeis vencido as insídias do demônio”.  Envergonhados com esta advertência, voltaram ao lugar de onde tinham saído e de fato nunca mais o demônio os incomodou.
  A fama dos dois santos homens chamou muita gente ao lugar onde estes moravam, uns para pedir conselho, oração e consolo, outros, a estes em maior número, para, sob sua direção, levar uma vida em Deus. Santo Hilário tinha conferido a Romão as ordens do sacerdócio. Junto com seu irmão Lupicino fundou três conventos: o de Condat, hoje Santa Claude, o de Laucone e de la Baume. Ao redor deste último se agrupou a cidadezinha de St. Romain-de-Roche. Estes conventos gozavam de grande reputação na França, devido ao bom espírito, à vida santa que lá se levava.São Romão era para todos o modelo de perfeição.
  Em certa ocasião fez uma romaria ao túmulo de São Maurício e levou em sua companhia o monge Paládio. À noite os surpreendeu e tiveram de abrigar-se numa gruta, que servia de albergue a dois leprosos. Grande foi o espanto destes, ao avistarem os dois religiosos na pobre habitação. Romão, para convencê-los de que nada precisavam temer, abraçou-os e beijou-os com muito afeto. Quando, no dia seguinte, os romeiros se despediram dos pobres lázaros, Romão fez o sinal da cruz sobre eles e no mesmo momento a lepra os deixou.
  Este grande milagre aumentou ainda mais o grande conceito do Santo, em que o tinha todo o povo. Romão, porém muito se aborreceu com as honras de que o fizeram alvo e retirou-se para o convento de St. Claude, onde morreu no odor de santidade.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Sábado das Quatro Têmporas.

27/02 Sábado 
Festa de Segunda Classe 
Paramentos Roxos
Jejum e penitência.

Leitura da Epístola de São Paulo

I Tessalonicenses 5, 14-23
14 Pedimo-vos, porém, irmãos, corrigi os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos. 15 Vede que ninguém pague a outro mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos. 16 Vivei sempre contentes. 17 Orai sem cessar. 18 Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. 19 Não extingais o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias. 21 Examinai tudo: abraçai o que é bom. 22 Guardai-vos de toda a espécie de mal. 23 O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 17, 1-9
1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. 2 Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 3 E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4 Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. 5 Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. 6 Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. 7 Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. 8 Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. 9 E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos. 


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

27 de fevereiro dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

 São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o São Luiz Gonzaga de nossos dias, nasceu em Assis a 1 de março de 1838, filho de Sante Possenti di Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia que viu a luz do mundo, recebeu a graça do batismo, na mesma pia, em que foi batizado o grande patriarca S. Francisco, na Igreja de S. Rufino. O pai do Santo, já com vinte e dois anos era governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima do Papa Pio IX e Leão XIII honrava-o com sua sincera amizade. A mãe era de nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges apresentavam modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no batismo recebeu nome de Francisco, em homenagem a seu avô e ao Seráfico de Assis. Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado, no que diz respeito à piedade e à instrução. Nossa mãe era piedosíssima e nos educou segundo as máximas da nossa santa Religião”. Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e pronunciar os santos nomes de Jesus e Maria.
 A grande felicidade que na infância reinava, experimentou um grande abalo, quando inesperadamente o anjo da morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhe a mãe. D. Inês sentindo a última hora se aproximar, na compreensão do seu dever de mãe cristã reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os sacramentos, confortada pela graça de Deus, na idade de 38 anos deixou este mundo, para, na eternidade, perto de Deus, receber o prêmio de suas raras virtudes. Do pai, o próprio filho Francisco ao seu diretor espiritual deu o seguinte testemunho: Meu pai, declarou, tinha por costume levantar-se bem cedo. Dedicava uma hora à oração e meditação; se neste tempo alguém desejava falar-lhe, havia de esperar pelo fim das práticas religiosas. Terminadas estas, ia à igreja assistir a santa Missa e costumava levar consigo dos filhos os que não fossem impedidos. Finda a santa Missa metia-se ao trabalho. À noite reunia seus filhos e dava-lhes sábios conselhos e úteis exortações. Falava-lhes dos deveres para com Deus, do respeito devido à autoridade paternal e do perigo das más companhias. “Os maus companheiros, dizia ele, são os assassinos da juventude, os satélites de Lúcifer, traidores escondidos e por isso para os temer e deles ter cuidado”. 
  Os biógrafos de Francisco fazem ressaltar em primeiro lugar a extraordinária bondade de coração do menino, principalmente para com os pobres. Muitas vezes ficou ele sem a merenda, por tê-la dado aos pobres. Entre seus irmãos era ele o anjo da paz, sempre pronto para desculpar e para defendê-los, quando acusados injustamente. Não suportava a injúria, fosse ela atirada a si ou a um dos seus. Com a maior facilidade se desfazia de objetos de certo valor, com que tinha sido homenageado. Assim presenteou a um de seus irmãos de uma bela corrente de prata, que tinha recebido de um parente. Estes belos traços no caráter de Francisco não afastam certas sombras que nele subsistiam também. Os que o conheciam meigo, bondoso, compassivo, sabiam-no também ser nervoso, impaciente, irascível. Por felicidade sua o senhor Sante, seu pai não era daqueles que desculpam os caprichos de seus filhos, pretextando serem crianças, sem pensar que mais tarde terão de pagar bem caro esta condescendência e fraqueza. O verdadeiro amor cristão fê-lo combater sem tréguas todos os defeitos. 
 Francisco era obediente e tinha grande respeito ao pai, o que aliás não impedia que diante de uma severa repreensão desse largas ao seu gênio impulsivo, com palavras e gestos demonstrando o seu descontentamento, sua raiva. Mas tudo isto era fogo fátuo. Logo voltava às boas; sua boa índole não permitia, que estas revoltas interiores durassem muito tempo. Era encantador ver, momentos depois, o menino desfeito em pranto, procurar o pai e por seus modos ingênuos e infantis, assegurar-se do perdão e do amor do Sr. Sante. Este, fingindo não dar crédito a estas demonstrações, retrucava bruscamente: “Nada de carícias; quero ver fatos”. Então o menino se atirava ao colo do pai, beijava-o e sentia-se feliz, em ter voltado à paz, com o perdão paterno. Nesta escola de sábia pedagogia Francisco cedo aprendeu combater e vencer seus defeitos. Por algum tempo Francisco ficou entregue aos cuidados de um mestre; depois freqüentou o colégio dos Irmãos das Escolas Cristãs, onde fez rápidos progressos, figurando sempre entre os melhores alunos. Na idade de sete anos fez a sua primeira confissão. Um ano depois, em junho de 1846 recebeu o sacramento da confirmação. Tudo isto prova que o menino já se achava bem instruído nas verdades da nossa fé, graças ao sólido ensino que lhe dispensavam os beneméritos Irmãos Sallistas.
 Nesse mesmo tempo caiu também a data da sua primeira comunhão, para qual se preparou com todo o esmero. Testemunha de vista desse grandioso ato diz: “O fervor com que o vi chegar-se da sagrada mesa, o espírito de fé, que se estampava no seu semblante, o vigor dos seus afetos foram tais, que se chegava a crer ser ele levado por um Serafim”. Esses sentimentos de fé e de piedade, aquelas chamas de amor ao SS. Sacramento não mais se separaram do coração de Francisco nos anos de sua mocidade, nem no meio de uma vida dissipada de certo modo mundana. Não menos certo é que a freqüente recepção da santa comunhão preservou-o de graves desvios no meio das tentações do mundo. Terminados os estudos elementares, o pai pensou em procurar para Francisco uma educação mais elevada, de acordo com a sua posição social e confiou seu filho aos Padres Jesuítas que na cidade de Spoleto dirigiram um colégio. Neste educandário passou Francisco os anos todos de sua mocidade no mundo e chegou a cursar os quatro semestres de estudos filosóficos. Estudante inteligente e cumpridor exato de seu dever que era, deixou boa memória naquele colégio e formavam-se as mais belas esperanças a seu respeito. Ano não passava, que não tirasse um prêmio; no fim dos seus estudos foi distinguido com uma medalha de ouro. Mestres e colegas igualmente o estimavam. Tudo nele encantava: os seus modos delicados e gentis, a modéstia no falar, o sorriso benévolo que lhe afloravam aos lábios, o garbo com que se sabia ver em circunstâncias mais solenes, os sentimentos nobres que dominam em todo o seu proceder. Aos seus mestres devotava sempre a máxima estima e profunda gratidão. 
Das práticas de piedade era rígido observador e com regularidade freqüentava os santos sacramentos. Não há dúvida, que, dada a ocasião, o seu gênio impetuoso e quente o levava a transportes de veemência e de cólera. Mais estes excessos eram sempre seguidos de lágrimas de arrependimento e de penitência. Desde a sua infância mostrou devoção particular a Nossa Senhora das Dores, uma imagem da qual se conservava em sua família; e cabia-lhe a ele adorná-la de flores e manter acesa uma lâmpada diante da estátua. Afirma um dos seus irmãos, Eurique Possenti, que viu Francisco, no último ano que passou em casa, usar de cilício de couro com pontinhas de ferro. Outro testemunho, da família Parenzi, declara: “Sua conduta religiosa e moral tem sido irrepreensível; dada a grande vigilância de meus pais, não teria sido admitido em nossa família, se não fosse realmente virtuoso”. Para completar a imagem do jovem estudante e assim melhor poder compreender a mudança que nele mais tarde se efetuou, tenha aqui lugar a descrição da solene distribuição de prêmios, da última em que Francisco tomou parte no colégio dos Jesuítas em Spoleto, em setembro de 1856. Os melhores alunos tinham sido escolhidos para abrilhantar a cerimônia com discursos e declamações poéticas. Entre eles Francisco ocupava o primeiro lugar. Ninguém se lhe igualava em elegância exterior, no garbo de representar, na graça de declamar, na graciosidade da gesticulação, no timbre encantador da voz. Podendo representar no palco, parecia estar no seu elemento e fazia-o com toda a naturalidade e perfeição. Em sua aparência não deixava nada a desejar: tudo obedecia às exigências da última moda: o cabelo esmeradamente penteado, o traje elegante e ricamente adornado, as luvas brancas, gravata de seda, sapatos luzidios e artisticamente acabados, a tudo isso Francisco ligava máxima importância. Em certa ocasião recitou com tanto ardor e tamanho foi o entusiasmo que excitou no auditório, que o delegado apostólico Mons. Guadalupe, que presente se achava, ao pai de Francisco que ao seu lado se achava disse: “se vosso filho aqui presente estivesse, abraçava-o em vosso lugar”.

As raras qualidades morais, que o adornavam, a figura simpática e atraente na flor da mocidade, a extrema vivacidade que nele se observava, não deixaram de emprestar-lhe um leve sombreado de vaidade, que de algum modo chegou a dominá-lo. Esta vaidade se lhe patenteava na exigência que fazia no modo de se trajar, sempre na última moda, de perfumar o cabelo e este sempre tratado com cuidado, de se aborrecer com uma nódoa por mais insignificante que fosse, no fato, no amor que tinha a divertimentos alegres e aos esportes mundanos. O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”
 Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem o chamasse à atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a eternidade, etc. Em uma carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S. J. há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os sacramentos. Com todas as leviandades e suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão. “Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”. Seu diretor, Pe. Norberto, Passionista, declara: “A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”. O mesmo sacerdote relata: “A sua vocação se manifestou do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal, que o fez pensar na morte. Teve então a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceita, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. A promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afeto ao mundo e se entregou à dissipação como antes. Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave, que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo, e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras se acentuaram quase instantaneamente e teve o enfermo uma noite tranquila e não mais voltaram as angústias da dispneia. Deste extraordinário favor o jovem se lembrou sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou e no mundo continuou a viver. Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados e seu diretor espiritual não hesitou em atribuir a este esporte a cruel moléstia, que o ceifou na flor da idade. Certa vez, em pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade, que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe retinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.
 A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afeto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia Corpus Christi, e a notícia alcançou Francisco, quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia, que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes a procurar a sociedade, freqüentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a idéia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de nos entendimentos inocentes ela conseguir de fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos. Na igreja metropolitana de Spoleto gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Icone”. Na oitava do dia 15 de agosto esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. 
Em 1856 Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos se fixavam na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Icone” vinha aproximando-se do jovem, parecia ela lhe atirar um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento te espera”. Esta palavra, qual uma seta de fogo cravou-lhe no coração; assim saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar por enquanto nenhuma demonstração do seu intento. Embora certo de sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão procurou seu mestre no liceu e diretor espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta e a ele se abriu inteiramente, fazendo do conselho do mesmo depender sua resolução definitiva. O exame foi feito com toda sinceridade e tendo tomado em consideração todos os fatores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a seguí-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes de sua inteira confiança, tiveram o mesmo resultado. Francisco se resolveu então a pedir sua admissão na Congregação dos Passionistas. Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza de seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. 
Francisco, porém, ficou firme. Tomou ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prêmios, no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita a seu tio Cesare, cônego da Basílica de Loreto e a um parente de seu pai, Frei João Batista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cônego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir às suas vontades, sem restrição de comodidades. A visita à Santa Casa em Loreto Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a N. Sra. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para convento Morrovale, dos Passionistas onde já em 21 de setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriel dell’Adolorata. Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos, comunicando-lhes o fato. Ao pai pede perdão, aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis. 
Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir as culminâncias da perfeição. Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu caráter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado, à Santa Eucaristia, sua devoção singular a Mãe de Deus, em particular à Nossa Senhora das Dores e sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um. Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres. Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia, que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem Gabriel o aproveitou para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e à Maria Santíssima, mãe das dores. 
Em fevereiro de 1862 ainda pôde andar e receber a santa comunhão na igreja, junto com seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de N. Sra. das Dores, que freqüentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas: “Minha mãe, faze depressa!” – “Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!” – “Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”. – Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afeto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do crucifixo e da Mater dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fêz-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo. Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa no catálogo dos Beatos e em 1920 Bento XV decretou-lhe as solenes honras da canonização.
Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932. 

 Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dia Santo Rosário.