19/02 Quarta-feira
Feria de Quarta Classe
Paramentos Roxos
São Martiniano era um monge eremita, mas acabou se tornando um andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo".
Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, nasceu no século IV.
Desde a tenra idade decidiu ligar sua vida à Deus e aos dezoito anos
ingressou numa comunidade de eremitas, não muito distante da sua cidade,
onde se entregou à vida reclusa e viveu durante sete anos. A fama de
sua sabedoria percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado
por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual,
a cura de doenças e até a expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de
santidade e essa fama atraiu Zoé, uma jovem cortesã.
Zoé era milionária, bela e conhecida como uma mulher de costumes
arrojados e pouco recomendáveis. Fez uma espécie de aposta em seu
círculo de amizades indivíduos de sua laia o plano diabólico e afirmou
que faria o casto monge se perder. Disfarçando-se em pobre abandonada,
chegou pela tardinha à casa de Martiniano e pediu agasalho: “Tende
compaixão de mim, homem de Deus! Não permitais que eu seja presa das
feras. Perdi-me na floresta e sem orientação, não sei para onde me
dirigir”,pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, acomodou-a e foi para
os aposentos do fundo da casa, onde rezou entoando cânticos de louvor ao
Senhor. O bom do eremita levantou as mãos ao céu, chamou a Deus em
auxílio, e só depois de muitos rogos da parte da mulher, consentiu que
lhe entrasse na gruta. Para si procurou um outro abrigo e passou a noite
toda em oração.
Zoé,
porém, trocou os andrajos enganosos por um vestido sedutor. Quando, na
manhã seguinte, Martiniano chegou à gruta, Zoé se apresentou em todo o
esplendor e grande foi a surpresa do santo homem, pois não a conhecia.
Zoé deu-se a conhecer, manifestou ao eremita sua verdadeira intenção e
com maneiras blandiciosas e afáveis, tentou-o ao pecado. A proposta,
disse-lhe, que te faço não te deve ser estranha e é bem compatível com
teu modo de vida. Sabes que os santos do antigo testamento eram
favorecidos pela fortuna e casados. Eis me aqui para oferecer-te, junto
com minha pessoa os meus grandes bens”.
Martiniano, em vez de enxotar a sedutora, mostrou-lhe simpatia e
fraqueou. Deus permitiu esta fraqueza, talvez para lhe castigar o
orgulho, que não o deixou enxergar o perigo e fê-lo confiar em si. À
hora em que, por costume, pessoas vinham para ouvir-lhe os conselhos e
receber-lhe a benção, Martiniano saiu da gruta. Mal ficou sozinho, caiu
em si e a consciência começou a atormentá-lo com suas acusações. O
arrependimento foi tão grande, que mal podia sustentar-se. Depois juntou
alguma lenha, acendeu-a e quando tinha boa brasa, meteu os pés dentro e
disse: “Martiniano, se agüentares este fogo, continua a pecar; do
contrário, como poderás sofrer o fogo eterno, que mereceste pelo
pecado?”
Chamando a
mulher, disse-lhe: “Vem ponha aqui teus pés, se queres pecar”. Zoé,
vendo o espetáculo que se lhe desenrolava diante dos olhos,
impressionou-se grandemente e o coração tomou-se-lhe de profunda
contrição. Imediatamente tirou a roupa escandalosa, meteu-a no fogo,
pediu perdão ao eremita e conselho sobre o que havia de fazer, para
obter remissão dos pecados. Martiniano ordenou-lhe que fosse para o
convento de Santa Paula, em Belém e lá passasse o resto da vida em
penitência. Zoé obedeceu, pediu e obteve a admissão no convento indicado
e tão radical foi sua conversão que de pecadora tornou-se grande
penitente e Santa.
Martiniano julgou ser vontade de Deus abandonar o lugar de sua
infelicidade e procurou uma ermida, situada, numa ilha lá ficou durante
seis anos, constando-lhe a alimentação de pão, água e palmitos, que
pescadores de vez em quando lhe traziam. Pelo fim do sexto ano de
desterro, naufragou naquela ilha um navio. Dos náufragos sobreviveu uma
jovem de vinte e cinco anos que pediu auxílio a Martiniano; este lhe fez
a caridade, que as circunstâncias exigiam. Para não se expor novamente
ao perigo, resolveu fugir. Confiado no auxílio divino atirou-se na água
para, a nado, ganhar o continente. Deus o protegeu visivelmente,
mandando dois delfins que o levaram à terra. A donzela ficou na ilha,
levando vida santa. Martiniano, porém tomou a resolução de não mais ter
domicílio fixo. Fiel a este propósito, andava de um lugar a outro,
implorando a caridade dos cristãos. Nessas viagens chegou a Atenas, onde
entrou numa Igreja, quando sentiu as forças o abandonarem. Com muita
devoção recebeu os santos Sacramentos. Poucos dias depois entregou a
alma ao Criador. As suas últimas palavras foram: “Senhor, em vossas mãos
recomendo o meu espírito”. Martiniano morreu no ano de 400. A Igreja
oriental presta-lhe grandes homenagens. Os restos mortais acham-se
depositados numa Igreja de Constantinopla, situada perto da mesquita de
Santa Sofia.
Intróito/ Ps. 17, 5, 6 et 7.
Os
gemidos da morte me cercaram, as dores do inferno me cercaram; na minha
aflição invoquei o Senhor, e do seu santo templo ele ouviu a minha
voz.Ps. ibd., 2-3. Eu te
amarei, Senhor, você que é minha força; o Senhor é meu firme apoio e meu libertador.
V/.Glória Patri.
Coleta
Suplicamos-te,
Senhor, ouve com misericórdia as orações do teu povo, para que nós, que
somos justamente afligidos pelos nossos pecados, sejamos
misericordiosamente libertos para a glória do teu nome.
Leitura da Epístola de São Paulo a
I Coríntios 9,24-27 e; 10, 1-5
24 Nas corridas de um estádio, todos
correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal
maneira que o consigais.
25 Todos os atletas se impõem a
si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o
fazemos por uma coroa incorruptível.
26 Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar.
27 Ao contrário, castigo o meu
corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído
depois de eu ter pregado aos outros.
1 (Não quero que ignoreis, irmãos), que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e que todos atravessaram o mar;
2 todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar;
3 todos comeram do mesmo alimento espiritual;
4 todos beberam da mesma bebida espiritual (pois todos bebiam da pedra espiritual que os seguia; e essa pedra era Cristo).
5 Não obstante, a maioria deles desgostou a Deus, pois seus cadáveres cobriram o deserto.
Graduale. Ps. 9, 10-11 et 19-20.Senhor
é nossa ajuda em momentos de necessidade e aflição. Deixe que aqueles
que conhecem o seu nome esperem em você, pois você não abandona aqueles
que te buscam, Senhor.
Pois
os pobres não serão esquecidos para sempre; a paciência dos pobres não
perecerá para sempre. Levante-se, Senhor, não deixe o homem triunfar.
Tractus. Ps. 129, 1-4.
Das profundezas clamei a ti, Senhor; Senhor, ouça minha voz.
V/. Fiant aures tuæ intendéntes in oratiónem servie tui. Que seus ouvidos estejam atentos à voz da minha súplica.
V/.
Si iniquitátes observáveris, Dómine: Dómine, quis sustinébit? Se você
examinar nossas iniqüidades, Senhor, quem estará diante de você?
V/.
Quia apud te propitiátio est, e propter legem tuam sustínui te, Dómine.
Mas contigo está a misericórdia, e por causa da tua lei tenho esperado
em ti, Senhor.
Sequência do Santo Evangelho segundo
São
Mateus 20,1-16
1 Com efeito, o Reino dos céus é
semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de
contratar operários para sua vinha.
2 Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha.
3 Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada.
4 Disse-lhes ele: - Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário.
5 Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo.
6 Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: - Por que estais todo o dia sem fazer nada?
7 Eles responderam: - É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: - Ide vós também para minha vinha.
8 Ao cair da tarde, o senhor da
vinha disse a seu feitor: - Chama os operários e paga-lhes, começando
pelos últimos até os primeiros.
9 Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário.
10 Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário.
11 Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo:
12 - Os últimos só trabalharam uma hora... e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor.
13 O senhor, porém, observou a um deles: - Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário?
14 Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti.
15 Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?
16 Assim, pois, os últimos serão
os primeiros e os primeiros serão os últimos.(Muitos serão os
chamados, mas poucos os escolhidos).
Ofertório/ Ps. 91, 2.É bom louvar ao Senhor e cantar o teu nome, ó Altíssimo.
Secreta
Tendo
aceitado as nossas ofertas e as nossas orações, purifica-nos graças a
estes mistérios celestiais, te imploramos, Senhor, e ouve-nos com
clemência.
Comunhão/ Ps. 30, 17-18.
Faça
resplandecer o seu rosto sobre o seu servo e salve-me pela sua
misericórdia; Senhor, não me deixes envergonhado, pois te invoquei.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)
Nosso
Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca,
fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se
refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e
outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas
comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com
dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que
alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu
Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento
do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós.
Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde,
ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já
estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que
torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
Oh!
Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo.
Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no
Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
Depois da comunhão.
Que
os teus fiéis, ó Deus, sejam fortalecidos pelos teus dons, para que, ao
recebê-los, possam buscá-los novamente e, ao buscá-los, possam
recebê-los sem fim.
Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.