sexta-feira, 8 de julho de 2022

08 de julho dia de Santa Isabel Rainha de Portugal, Rainha e Viúva.

08/07 Sexta-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos
 

     A Cruz e os espinhos do meu Senhor são o meu cetro e a minha coroa".

  Isabel de Aragão nasceu no palácio de Aljaferia, na cidade de Saragoça, onde reinava o seu avô paterno D. Jaime I. Era filha de D. Pedro, futuro D. Pedro III, e de D. Constança de Navarra. A princesa recebeu o nome de Isabel por desejo de sua mãe em recordação de sua tia Santa Isabel da Hungria, duquesa de Turíngia. O seu nascimento veio acabar com as discórdias na corte de Aragão, pelo que o seu avô lhe chamava “rosa da casa de Aragão”.
As virtudes da sua tia-avó viriam a servir-lhe de modelo e desde muito nova começou a mostrar gosto pela meditação, rezas e jejum, não a atraindo os divertimentos comuns das raparigas da sua idade. Isabel não gostava de música, passeios, nem jóias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade.
  A infanta D. Isabel tornara-se conhecida em beleza discrição e santidades. As suas virtudes levaram muitos príncipes apresentavam-se a D. Pedro como pretendentes à mão da sua admirável filha. Os pais escolheram o mais próximo, D. Dinis, herdeiro do trono de Portugal, que era também o mais dotado de qualidades. Isabel estava mais inclinada a encerrar-se num convento, no entanto, como era submissa, viu no pedido dos pais, a vontade do céu. Foram assinadas a 11 de Fevereiro de 1282 as bases do contrato de casamento, e o matrimónio realizou-se na vila de Trancoso, no dia de S. João Baptista de 1282. Nos primeiros tempos de casada acompanhava o marido nas suas deslocações pelo país e com a sua bondade conquistou a simpatia do povo. Dava dotes a raparigas pobres e educava os filhos de cavaleiros sem fortuna.
   Isabel deu ao rei dois filhos: Constância, futura rainha de Castela e Afonso, herdeiro do trono de Portugal. As numerosas aventuras extraconjugais do marido humilhavam-na profundamente. Mas Isabel mostrava-se magnânima no perdão criando com os seus também os filhos ilegítimos de Dinis, aos quais reservava igual afecto. Entre seus familiares, constantemente em luta, desempenhou obra de pacificadora, merecendo justamente o apelido de anjo da paz. Desempenhou sempre o papel de medianeira entre o rei e o seu irmão D Afonso, bem como entre o rei e o príncipe herdeiro. Por sua intervenção foi assinada a paz em 1322.
  A sua vida será marcada por quatro virtudes fundamentais: a piedade, a caridade, a humildade e a inquietude pela paz. Tornou-se uma mulher de grande piedade conservando em sua vida a prática da oração e a meditação da Palavra de Deus. Buscou sempre a reconciliação e a paz entre as pessoas, as famílias e até entre nações.
   Há tempo não se falavam, porque esse rei de Aragão não aprovava o casamento de seu filho Pedro com Dona Constança. Apenas nasceu a santa menina, foram-se apagando as desavenças domésticas e houve grande harmonia naquela casa real.
  O destemido avô não ocultava sua grande predileção por essa criança e fez questão de que ela fosse educada em seu palácio, para poder gozar de sua companhia. A razão mais profunda pela qual não queria separar-se dela era o sensível influxo de bênçãos e a suavidade que emanavam de sua pessoa. Num ambiente carregado de tensões e pesados encargos, aquele precioso tesouro dulcificava os corações. Após o falecimento de Jaime I, a infanta permaneceu ainda alguns anos com seus pais. Muito em breve ela se tornaria rainha de Portugal.
  D. Isabel costumava dizer “Deus tornou-me rainha para me dar meios de fazer esmolas.” Sempre que saía do paço era seguida por pobres e andrajosos a quem sempre ajudava.
    Após a morte de seu marido, entregou-se inteiramente às obras assistenciais que havia fundado, não podendo vestir o hábito das clarissas e professar os votos no mosteiro que ela mesma havia fundado, fez-se terciária franciscana, após ter deposto a coroa real no santuário de São Tiago de Compostela e haver dado seus bens pessoais aos necessitados. Fixou residência em Coimbra, junto ao convento de Santa Clara, nos Paços de Santa Ana, de que faria doação ao convento. Mandou edificar o hospital de Coimbra junto à sua residência, o de Santarém e o de Leiria para receber enjeitados.
    Viveu uma profunda caridade sendo sempre sensível às necessidades dos pobres. Viveu o resto da vida em pobreza voluntária, dedicada aos exercícios de piedade e de mortificações.
       O povo criou à sua volta uma lenda de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres e a santa foi canonizada em 1625.
    Foram atribuídos muitos milagres, como a cura da sua dama de companhia e de diversos leprosos. Diz-se também que fez com que uma pobre criança cega começasse a ver e que curou numa só noite os graves ferimentos de um criado. No entanto o mais conhecido é o milagre das rosas.
 Diz a tradição, durante o cerco de Lisboa, D. Isabel estava a distribuir moedas de prata para socorrer os necessitados da zona de Alvalade, quando o marido apareceu. O rei perguntou-lhe: “O que levais aí, Senhora?” Ao que ela, com receio de desgostar a D. Dinis, e, como que inspirada pelo céu respondeu: Levo rosas senhor....” E, abrindo o manto, perante o olhar atónito do rei, não se viram moedas, mas sim rosas encarnadas e frescas.

    Isabel faleceu a 4 de Julho de 1336, deixando em testamento grandes legados a hospitais e conventos.

Intróito/ Sal. 118, 75 e 120.
Reconheci, Senhor, que os teus juízos são justos e que me humilhaste segundo a tua justiça. Perfure minha carne com seu medo; Eu temo seus julgamentos. (TP Aleluia, aleluia. )
Ps. ibid., 1Bem-aventurados os que são imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor.
V/. Glória Patri.

Coleta
Deus misericordioso, entre tantas outras qualidades eminentes, Senhor deu à Beata Rainha Elizabeth a virtude de acalmar a fúria da guerra: concede-nos, por sua intercessão, que depois de ter, durante esta vida mortal, desfrutado da paz, que humildemente pedir do Senhor, podemos alcançar alegrias eternas.


Leitura da Epístola dos 

Provérbios 31,10-31 
0 Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. 11 Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. 12 Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. 13 Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. 14 Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. 15 Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. 16 Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. 17 Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. 18 Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. 19 Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. 20 Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. 21 Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. 22 Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. 23 Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. 24 Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. 25 Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos; ri-se do dia de amanhã. 26 Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. 27 Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. 28 Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. 29 Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. 30 A graça é falaz e a beleza é vã; a mulher inteligente é a que se deve louvar. 31 Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.

Gradual. Sal. 44, 3 e 5.GradualDiffúsa est grátia in labiis tuis: proptérea benedíxit te Deus in ætérnum.A graça é derramada em seus lábios; é por isso que Deus te abençoou para sempre e por todas as eras.
V/. Propter veritátem et mansuetúdinem et iustítiam: et de ducet te mirabíliter déxtera tua.V/. Pela verdade, mansidão e justiça; e seu direito o guiará maravilhosamente.Aleluia, aleluia. V/. Ibid., 5. Espécie matou e pulchritúdine matou intenções, prospera, ganha e reina. Aleluia. Aleluia, aleluia. V/. Com tua glória e tua majestade, avança, marcha vitoriosamente e reina. Aleluia.
Post Septuagesimam, ommissis Allelúia et versu sequenti, dicitur Após a Septuagesima, omitimos o Aleluia e seu verso e dizemos:
Tratados.Veni, Sponsa Christi, áccipe corónam, quam tibi Dóminus præparávit in ætérnum: pro cuius amóre sánguinem tuum fudísti. Venha, noiva de Cristo, receba a coroa que o Senhor preparou para você para a eternidade. Foi por seu amor que Senor derramou seu sangue.
V/. Ps. 44, 8 e 5. Dilexísti iustítiam, et odísti iniquitátem: proptèrea unxit te Deus, Deus tuus, óleo lætítiæ præ consórtibus tuis. V/. Você amou a justiça e odiou a iniqüidade. Por isso Deus, teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais excelentemente do que todos os teus companheiros.
V/. Spécie matou e pulchritúdine matou inténde, prospere provenha e reina.V/. Com tua glória e tua majestade, avança, marcha vitoriosamente e reina.
Tempore paschali omittitur graduale, et eius loco dicitur: Na época da Páscoa, o gradual é omitido e em seu lugar é dito:
Aleluia, aleluia. V/. Ps. 44, 5. Spécie matou e pulchritúdine matou intenções, prospera lucros e reina. Aleluia, aleluia. V/. Com tua glória e tua majestade, avança, marcha vitoriosamente e reina.
Aleluia. V/. Propter veritátem et mansuetúdinem et iustítiam: et deducet te mirabíliter déxtera tua. Aleluia. Aleluia. V/. Pela verdade, mansidão e justiça; e seu direito o guiará maravilhosamente. Aleluia.


Sequência do Santo Evangelho

São Mateus 13,44-52     
44 O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo. 45 O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. 46 Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. 47 O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. 48 Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. 49 Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos 50 e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. 51 Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles. 52 Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.

Ofertório/Sal. 44. 3.
A graça é derramada em seus lábios; é por isso que Deus te abençoou para sempre e por todas as eras. (TP Aleluia. )

Secreta
Agrade-te, Senhor, a oferta que o teu povo santo te faz em honra dos teus santos, por cujos méritos reconhecem ter recebido ajuda na tribulação.

Comunhão/Sal. 44, 8.
Senhor amou a justiça e odiou a iniqüidade; por isso Deus, teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais excelentemente do que todos os teus companheiros. (TP Aleluia. )(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)

Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Depois da comunhão.
Tu, Senhor, nutriste tua família com dons sagrados; sempre nos vivifica graças à intervenção do santo cuja festa celebramos.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário