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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Comentários Eleison: LIBERALISMO EM AÇÃO. Por Dom Williamson Número DCCCLV (855) – 2 de dezembro de 2023

 


LIBERALISMO EM AÇÃO

 

Os homens conseguem suprimir a realidade por um tempo,

E, na face de Deus, há somente um sorriso triste e gentil.

 

Um leitor enviou algumas perguntas incisivas sobre a história recente da Igreja, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e do chamado movimento da “Resistência”. Um dia, quando a Santa Madre Igreja voltar a si como ela está discretamente fazendo –, as sombras e as trevas se dissiparão, e a história se abrirá amplamente para a verdade e a caridade. Enquanto isso, aqui está um esboço de algumas respostas.

 

1 Como você pode ser contra uma estrutura para a “Resistência”? Pode algo católico prosperar sem isso?

 

A força da “Resistência” é, em primeiro lugar, a Verdade, e, em segundo lugar, a fragmentação em vários pequenos grupos que resistem à revolução do Vaticano II. Essa revolução dominou rapidamente grande parte da Igreja Católica porque os católicos eram demasiadamente obedientes às autoridades superiores infiéis. Da mesma forma, grande parte da FSSPX rapidamente perdeu as forças em 2012 porque os seus sacerdotes respeitavam demasiadamente a autoridade dos oficiais superiores que queriam reconciliar-se com a Roma apóstata. Essas autoridades não serviam mais à verdadeira Igreja nem à verdadeira Fé, ao contrário do Arcebispo Lefebvre, mas a si mesmas. No caso da Resistência, diferentemente, capturar um pequeno grupo de resistentes não significa necessariamente capturar um segundo grupo. Assim, a sobreviverá até que Deus, em seu tempo, decida restaurar toda a estrutura católica.

 

2 Será que os líderes da FSSPX que foram enganados pelos oficiais romanos apóstatas em meados da década de 1990 foram motivados por ambições pessoais?

 

É possível que isso tenha acontecido, mas pode-se pensar que o problema deles é antes a falta de nos meios de Deus para resolver a crise da Igreja, e o seu excesso de confiança na política meramente humana do Vaticano para resolvê-la. Não compreendendo, diferentemente do Arcebispo, a dimensão divina e pré-apocalíptica da crise mundial, concebem-na em termos relativamente limitados e mundanos, errando completamente o alvo. O Arcebispo Lefebvre, ao contrário deles, estava sempre ponderando sobre um colapso da Igreja em larga escala. O Arcebispo Viganò, ao contrário deles, também reflete constantemente sobre a queda universal da Igreja e do mundo provocada pelo Vaticano II.

 3 evidências claras dessa insuficiência dos líderes da FSSPX no Capítulo Geral de 1994?

 Evidências, sim, mas evidências claras, ainda não. Os participantes daquele Capítulo Geral davam a impressão de serem crianças boazinhas brincando, em vez de guerreiros adultos travando uma batalha gigantesca pela glória de Deus e pela salvação das almas num ambiente altamente perigoso. É necessário ser santo para perceber o mal, disse Gustavo Corção. Os caros e piedosos jovens sacerdotes daquele Capítulo não estavam à altura da gravidade do momento.

 4 Quando, para você, os dois campos de conciliadores e de resistentes da FSSPX se dividiram?

Certamente na década de 1980 os elementos da divisão existiam. Conheço um sacerdote que, em 1982, depois de professar durante cinco anos em Écône, foi enviado para o outro lado do Atlântico durante mais de um quarto de século, muito provavelmente para que fosse tirado do caminho. Os jovens seminaristas precisavam estar preparados para obedecer aos liberais que planejavam assumir o controle da FSSPX do envelhecido Arcebispo. Ele tinha sido maravilhoso em seu tempo, mas, para alguns líderes liberais, estava ficando cada vez mais antiquado devido à sua condenação implacável dos modernistas de Roma, a verdadeira Autoridade da Igreja, que evoluíam constantemente para melhor. Esses líderes liberais da FSSPX não se consideram liberais, pelo contrário. Eles se vêem a si mesmos infiltrando-se na Roma modernista para convertê-la à Tradição Católica. Isso seria possível? Eles não têm ideia de quão profunda e séria é a cruzada dos liberais romanos para destruir a Igreja Católica.

 5 O confronto entre conciliadores e resistentes sempre existiu dentro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

 Sem dúvida. O Arcebispo Lefebvre costumava dizer-nos que, lendo a história do Pe. Barbier sobre o choque entre o liberalismo e o catolicismo nos séculos XIX e XX, percebeu que a única diferença entre o mesmo confronto antes e depois do Vaticano II era que antes os católicos estavam no comando, que depois passou para os liberais. Enquanto o Arcebispo esteve vivo, o seu magnetismo pessoal manteve a FSSPX católica; mas assim que morreu, em 1991, o magnetismo constante de Roma dirigido aos católicos começou a reafirmar a sua influência. Tenhamos paciência. Deus não será derrotado pelo Diabo, nem pelos anjos caídos, nem pelos clérigos caídos.

 Kyrie eleison.

 Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Comentários Eleison: 79 SEMINARISTAS – II Por Dom Williamson Número DCCXCIX (799) – 5 de novembro de 2022

 

79 SEMINARISTAS – II 

Como os “bons” clérigos católicos podem errar tanto?

A influência modernizadora é muito forte.


Nestes “Comentários” da semana passada se mencionou a notícia de uma entrada recorde para o novo ano letivo de 79 jovens para experimentar sua vocação ao sacerdócio católico tradicional nos quatro seminários maiores da chamada “Fraternidade Sacerdotal São Pio X”. Esta deveria ser uma boa notícia para toda a Igreja Católica, porque todo padre tradicional uma vez ordenado será uma fonte de sacramentos tradicionais para o benefício de todas as almas católicas. Mas, na realidade, pode não ser uma notícia tão boa, por duas razões em particular, as quais requerem oração, e das quais apenas uma foi mencionada na semana passada.



A segunda razão precisa de pouca explicação, mas é muito real: a eletrônica. Quando o Pe. Franz Schmidberger era Superior Geral da FSSPX, de 1982 a 1994, um leigo lhe teria dito certa vez que a eletrônica destruiria seus sacerdotes. Ele se referia, é claro, ao pântano de tentações contra a pureza sagrada que a televisão e a Internet disponibilizavam com tanta facilidade; e isso foi antes mesmo da invenção do Smartphone, que chegou alguns anos depois. E realmente, não está se tornando quase sobre-humano para um jovem nascido e criado muito depois da invenção dessas máquinas manter-se longe de sua sedução? É claro que Deus e Sua Mãe podem conduzir um rapaz ou uma moça através de um labirinto de esgotos e trazê-los cheirando a rosas, mas dado o respeito de Deus pelo livre-arbítrio com o qual Ele dotou cada um deles, não podemos razoavelmente supor que casos assim serão a exceção e não a regra? E, nesse caso, quantos dos 79 rapazes não depararão com esse tipo de obstáculo no caminho para o sacerdócio? Cada sacerdote católico fiel é um grande presente de Deus. Devemos rezar por todas as 79 vocações...

Quanto à primeira razão, apresentada nos “Comentários” da semana passada, é menos óbvia, porque não envolve a pureza física, mas, o que é mais grave, a pureza espiritual da fé. Um leitor havia sugerido que o movimento da chamada “Resistência” católica atual poderia ter tido mais êxito em atrair vocações (como as 79), argumentava, se se tivesse estruturado adequadamente, como é muito mais comum nas comunidades católicas, como os quatro grandes seminários da “FSSPX”. Na semana passada, estes “Comentários” começaram a responder que, anormalmente nos dias de hoje, uma ênfase na estrutura é suscetível de distrair do que é mais importante, a saber, a fé católica, e que se pode temer que seja isso o que esteja acontecendo nos quatro seminários mencionados. Nesse sentido, aqui estão dois pontos distintos, o segundo dos quais terá de esperar até os “Comentários” da próxima semana.



Em relação ao primeiro ponto, afirmou-se aqui na semana passada que a essência da crise atual da Igreja consiste na ruptura do Vaticano II entre Autoridade Católica e Verdade Católica, quando as mais altas autoridades da Igreja, reunidas em Concílio, abandonaram oficialmente a Tradição da Igreja pela modernização “eclesiástica”. Isso significou que, a partir de então, os católicos tiveram de escolher: ou agarrar-se à Autoridade “obedecendo” aos modernistas e abandonando a Tradição, ou agarrar-se à Verdade e desafiar mais ou menos as aparentes “autoridades” da Igreja – podendo ainda escolher qualquer uma das várias combinações possíveis de parte da Verdade e parte da Autoridade em qualquer lugar entre os dois polos.

Quanto ao Arcebispo Lefebvre, sua escolha foi o máximo respeito possível pela Autoridade em Roma, o que seria coerente com não abandonar a Tradição (porque a Verdade Católica só pode estar de acordo com a Tradição). Mas quando em 1988 as autoridades romanas o puseram contra a parede pela recusa implícita delas de cuidar da Tradição, então para ele a doutrina (a Verdade) finalmente prevaleceu sobre a diplomacia (em relação à Autoridade, finalmente sem verdade). E assim ele desafiou os romanos consagrando quatro Bispos, na “Operação Sobrevivência”, em vez de “obedecer” à Autoridade sem verdade no que teria sido a “Operação Suicídio”. A “Operação Sobrevivência” assegurou à sua Fraternidade por mais de duas décadas a primazia da doutrina (a Verdade); mas depois, ao esforçarem-se para obter a aprovação oficial da Fraternidade, seus sucessores transformaram a Fraternidade na Neofraternidade, ao preferirem a Autoridade (o reconhecimento de Roma) à Verdade (a defesa da Fé). Eles estavam renunciando ao coração e à alma do Arcebispo: a defesa heroica daquela Verdade que é o coração e a alma da Igreja. Sua Neofraternidade poderia ser mais popular e mais confortável, mas não seria mais fonte de mártires.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 29 de outubro de 2022

Comentários Eleison:79 SEMINARISTAS – I- Por Dom Williamson Número DCCXCVIII (798) – 29 de outubro de 2022

 

79 SEMINARISTAS – I

Que Deus abençoe os jovens que nos dias de hoje buscam a vontade de Deus.

Mas, as estruturas os ensinarão? Temos de rezar. 

Uma boa notícia para o que se pode chamar Neofraternidade Sacerdotal São Pio X é que este ano teve em seus quatro seminários principais, tomados em conjunto, uma entrada recorde de 79 jovens que se mobilizaram para experimentar suas vocações para o sacerdócio católico tradicional: Flavigny (Écône), França, 21; Zaitzkofen, Alemanha, 21; Dillwyn, EUA, 28; e La Reja, América Latina, 9. No mundo antitradicional de hoje, isso é uma proeza admirável, e embora alguns desses candidatos certamente não haverão de perseverar até o sacerdócio, representa uma séria esperança de muitos deles estarem disponibilizando sacramentos católicos daqui a, digamos, seis anos.

Em contraste, o único seminário clássico do que se pode chamar o movimento “Resistência” em Morannes, na França, tem apenas um ou dois jovens que entram este ano para experimentar a sua vocação. Pelo menos um leitor destes “Comentários” se pergunta se a “Resistência”, desde o momento em que começou, não deveria ter-se estruturado com uma Congregação e um seminário organizados – como o foi com a Fraternidade do Arcebispo Lefebvre – para recolher e reunir refugiados e dissidentes daquela FSSPX original, em vez de deixá-los simplesmente desaparecer na obscuridade independente. O mesmo leitor concede que a substância ou o conteúdo da Neofraternidade já não é o que era sob o Arcebispo, mas atribui esse declínio mais a uma falta de liderança do que a uma manutenção da estrutura e da organização, de modo que se tão somente a “Resistência” não tivesse tendido a desistir da estrutura, poderia ter tido mais sucesso do que, por assim dizer, um ou dois para 79.

A questão é séria, e existe desde o início da “Resistência”, porque Nosso Senhor instituiu a Igreja Católica como a monarquia de um Papa (Pedro) com Apóstolos (Bispos) e Discípulos (Padres), e leigos organizados hierarquicamente abaixo dele, tendo cada membro dessa hierarquia um Superior legítimo ou Superiores legítimos, inclusive o Papa, que responde a Deus pela forma como governa a todos os católicos abaixo de si. Esta estrutura já é clara no Novo Testamento desde o início da Igreja, e depende da obediência de todos os católicos aos seus respectivos Superiores para que a Igreja se mantenha unida, e para salvar almas para a eternidade, mantendo intactas a verdade e a moral católicas. Ademais, pela Sua própria morte atroz na Cruz, Nosso Senhor deu aos católicos o exemplo sublime da obediência de que precisariam como Seus seguidores para fazer a vontade do Pai no céu.

No entanto, essa obediência e a estrutura da Igreja que a acompanha não é um fim em si mesma. Seu fim ou propósito final é a salvação das almas para a glória de Deus. Assim, o último cânon do Código de Direito Canônico da Igreja afirma que “A lei suprema é a salvação das almas”. Mas as almas não podem salvar-se se a menos que agradem a Deus, e não podem agradar a Deus sem fé (Hebreus XI, 6). Portanto, um propósito primordial da Autoridade da Igreja é proteger a Verdade Católica entre os homens contra a devastação que lhe será causada pelos seus pecados originais e pessoais. Em outras palavras, a Verdade Católica é o propósito e a substância da Autoridade Católica, e não o contrário. Assim, em Sua Paixão, Nosso Senhor diz a Pedro que Satanás o colocará à prova, mas Nosso Senhor estará a rezar para que a sua “fé não desfaleça”, e uma vez que o próprio Pedro “se tenha convertido novamente” (entenda-se, de sua tripla negação da Verdade), então que utilize sua Autoridade para “fortalecer os seus irmãos”, ou seja, os outros Apóstolos. A Verdade é a base da Autoridade de Pedro (Lc. XXII, 31).

Mas o coração e a alma da atual crise da Igreja, sem precedentes em toda a história da Igreja, é que o Vaticano II (1962 a 1965) separou a Autoridade Católica da Verdade Católica. A partir de então, contando para trás seis Papas sucessivos, a hierarquia católica abandonou a Tradição Católica, forçando todos os católicos que acreditam tanto na Verdade quanto na Autoridade a se tornarem mais ou menos esquizofrênicos. Se o Arcebispo Lefebvre não tivesse aberto o caminho do regresso à Tradição, ou seja, à Verdade, nunca existiriam essas 79 vocações. Mas será que, na Neofraternidade, será ensinada a sua maior lição? Leia estes “Comentários” na próxima semana.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 22 de outubro de 2022

Comentários Eleison:ROSÁRIO DE LEÃO- Por Dom Williamson Número DCCXCVII (797) – 22 de outubro de 2022

 

ROSÁRIO DE LEÃO

Você realmente quer impedir a Terceira Guerra Mundial?

Junte-se ao “Estouro”, para trabalhar pela Lei do Céu!

Outubro é o mês do Santo Rosário, instituído em 1883 no reinado do Papa Leão XIII (1878-1903), ele próprio um fervoroso devoto desta segunda oração mais importante, depois do Sacrifício da Santa Missa, da Igreja Católica Romana. Entre 1883 e 1898, ele escreveu 13 Encíclicas sobre o Rosário, quase uma por ano, porque o considerava claramente um remédio importante para os males crescentes da idade moderna em sua época. O Rosário não mudou de natureza desde então. Esses males só pioraram. E é por isso que alguns católicos ingleses da chamada “Resistência” estarão fazendo uma peregrinação ao famoso santuário inglês de Walsingham, no condado de Norfolk, dentro de uma semana, como fizeram nos dois últimos anos, para rezar um “Estouro de Rosários” sob a ameaça cada vez maior da Terceira Guerra Mundial.

Enquanto isso, aqui está um breve resumo dessas Encíclicas, para vermos por que o Papa do Rosário, como se pode chamá-lo, deu-lhe tanta importância.

1883: Supremi Apostolatus, um relato das grandes vitórias na história conquistadas pelo Rosário, especialmente a batalha marítima de Lepanto em 1571, quando uma frota católica derrotou uma frota muçulmana muito maior, paralisando por anos a ameaça muçulmana à cristandade vinda do sudeste (não há dúvida de que se apenas um número suficiente de almas estivesse hoje rezando o Rosário com suficiente seriedade, Nossa Senhora poderia evitar, ou suavizar imensamente, a Terceira Guerra Mundial – daí o “Estouro de Rosários” da próxima semana –; e não-católicos são bem-vindos) .

1884: Superiori Anno, um pedido para rezar o Rosário por problemas então atuais na Itália, cinco Mistérios diante do Santíssimo Sacramento exposto, com as Ladainhas de Nossa Senhora e a Bênção.

1885: Quod Auctoritate Apostolica, como o Rosário se adapta à nossa época, é fácil de executar, e dá muitos frutos.

1886: Saepe Numero, que estabelece o Rosário diário em Roma como um exemplo para todas as dioceses do mundo seguirem.

1887: Vos Probe Nostis, como, mais uma vez, o Rosário pode resolver os problemas políticos, como nada mais pode fazê-lo.

1889: Quamquam Pluries, pedindo que se recorra ao Rosário contra os problemas causados ​​pela Maçonaria.

1891: Octobri Mense, uma análise completa do Rosário, a mais importante das Encíclicas do Papa Leão sobre ele.

1892: Magnae Dei Matris, na qual afirma que o Rosário é “uma magnífica forma de oração, um meio eficaz para conservar a fé e um excelente modelo de virtude perfeita”.

1893: Laetitiae Sanctae, apresentando o Rosário como uma solução sobrenatural dos problemas sociais e políticos. (Nunca se insistirá demais neste ponto para todas as almas que pensam que “oração é somente oração”. A oração chega a Deus, especialmente através de Sua Mãe, e Deus tem o comando supremo dos acontecimentos mundiais!)

1894: Jucunda Sempre, como o Rosário é o resumo de toda a religião cristã, por meio de Maria.

1895: Adjutricem Populi, como o propósito final do Rosário é o Reinado de Cristo Rei sobre todas as almas.

1896: Fidentem Piumque, como devemos lutar pela Fé não deixando de rezar o Rosário em comum.

1898: Diuturni Temporis resume todas as 12 Encíclicas anteriores do Papa Leão sobre o Rosário.

Os textos originais completos das Encíclicas papais em vários idiomas estão disponíveis na Internet, no site do Vaticano: vatican.va/offices/papal_docs_list. As anotações acima baseiam-se em grande medida no boletim de outubro de um sacerdote da Fraternidade da França, acessível em cmrc@fsspx.fr. Obrigado, Pe. Castelain.

O “Estouro de Rosários” começa, se Deus quiser, às 17h00, GMT + 1, quinta-feira, 27 de outubro com o primeiro de dez Rosários completos, sendo o último às 9h00, GMT, no domingo, 30 de outubro, seguido da Santa Missa. Se precisar de mais informações ou detalhes, contate o site respicetellam2015@gmail.com.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.


sábado, 15 de outubro de 2022

Comentários Eleison:OS EUROPEUS SÃO CULPADOS-Por Dom Williamson Número DCCXCVI (796)15 de outubro de 2022

 

OS EUROPEUS SÃO CULPADOS

Europa, pode haver outros dignos de culpa,

Mas, em nome de Deus, olhe para si mesma primeiro!

Há um bom e velho provérbio, talvez chinês, que diz: “O sábio culpa-se a si mesmo, o tolo culpa os outros”. Não que os outros nunca sejam culpados, mas uma vez que reconheço que tenho alguma culpa, pelo menos eu mesmo posso fazer alguma coisa a respeito, enquanto, frequentemente, serei impotente para conseguir fazer com que aqueles a quem eu quero culpar façam algo a respeito. Por exemplo, no atual período de preparação da potencialmente catastrófica Terceira Guerra Mundial, alguns europeus estão sendo tentados a culpar tanto os Estados Unidos, como os judeus por atrás dos Estados Unidos, pela cegueira suicida das nações europeias, que se comportam como marionetes dos Estados Unidos. Mas, numa perspectiva mais elevada, os europeus seriam mais sensatos se se culpassem a si próprios.    

Pois é verdade que os judeus exercem um enorme poder nos Estados Unidos, de modo que se diz que quatro em cada cinco membros do gabinete pelo qual o Presidente Biden governa o país são judeus – sem dúvida uma razão para ele ter ganho o apelido de “Presidente Bidenstein”. Mas quem foi responsável pela eleição do presidente Biden, ou pelo menos por não levantar-se contra a total falsidade da sua “eleição” em 2020, senão o povo americano como um todo? E se então os europeus querem culpar os americanos como um todo, quem são os americanos senão, essencialmente, os descendentes dos europeus que emigraram a partir da Reforma através do Atlântico? À questão de quem é a pessoa central na história dos EUA, não é surpreendente à primeira vista a resposta de Charles Coulombe, de que se trata de um inglês, o Rei Henrique VIII – resposta que é realmente muito razoável? Coulombe chamou a sua história dos Estados Unidos “Progresso dos Puritanos”. A religião é decisiva.     

Mais perto do nosso tempo, quem, senão um europeu, assinou a Declaração de Balfour para prometer aos judeus a Terra Santa se eles trouxessem os EUA para a Primeira Guerra Mundial do lado da Inglaterra e da França?  E quem, senão europeus, para alcançar o mesmo propósito, organizou o truque do torpedo do “Lusitania”? Quem, então, senão os europeus, foi responsável pelos soldados americanos terem inclinado o equilíbrio da guerra contra a Alemanha, em 1918, assegurando, assim, que os diplomatas americanos, com o seu presidente Wilson, desempenhassem também um papel decisivo na elaboração do Tratado de Versalhes, em 1919, que foi concebido para provocar a Segunda Guerra Mundial? E quando esta eclodiu devidamente em 1939 para resistir ao poderio militar de uma Alemanha reanimada, qual era a grande esperança da Europa subjugada senão trazer de novo os Estados Unidos em seu auxílio, o que o presidente Roosevelt conseguiu com o truque de Pearl Harbour, em 1941? E depois da Segunda Guerra Mundial, quem, senão os europeus, confiou nos Estados Unidos para formar – e em grande parte pagando para isso – a aliança defensiva da OTAN para proteger a Europa Ocidental da ameaça de invasão do Exército Vermelho da Rússia soviética? Poderá o Presidente Trump ser responsabilizado por ter querido que a Europa pagasse pela sua própria defesa?



Mas, por que os americanos teriam razão em considerar que os europeus, na época e agora, são demasiado covardes e decadentes para defender o “Ocidente” por si mesmos? Porque, como disse Hilaire Belloc, “A Fé é a Europa, e a Europa é a Fé”. Mas a Europa continua perdendo constantemente a Fé, sobretudo desde a Reforma, que abriu o caminho para que a judeu-maçonaria começasse a transformar a “Cristandade” em “civilização ocidental” por um processo de decadência que atingiu o seu clímax com o Vaticano II (1962-1965), onde não foi o Potomac, o rio de Washington, nos EUA, mas sim quatro países do Reno que desaguaram no rio Tibre de Roma: França, Alemanha, Holanda e Bélgica.

Pois, mais uma vez, os europeus podem muito bem acusar o Vaticano II de ter “americanizado” a Igreja, e a acusação tem fundamento, mas quando os Cardeais e Bispos americanos no Concílio promoveram vigorosamente a adoção pela Igreja Católica do ideal de “liberdade religiosa” do seu próprio país, não tiveram a maioria dos votos no plenário do Concílio. Quem a teve? Franceses, alemães, holandeses e belgas. Estes últimos completaram a vitória temporária do liberalismo sobre a Igreja Católica. Mas tenhamos paciência.  Deus Todo-Poderoso está longe de ter dito a Sua última palavra.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 8 de outubro de 2022

Comentários Eleison:QUESTÕES DE FÁTIMA- Por Dom Williamson Número DCCXCV (795) – 8 de outubro de 2022

 

QUESTÕES DE FÁTIMA

Para uma mente aberta, Deus dá as provas,

Mas a verdade é estranha à humanidade de hoje.

Um leitor envia-nos algumas questões interessantes relativas às aparições de Nossa Senhora em Fátima, em 1917.

1. Pelo que sabemos, seis eminentes católicos anglófonos do século XX parecem ter dado pouca ou nenhuma atenção às importantíssimas aparições de Fátima: Belloc, Chesterton, o Pe. Peyton, o Bispo Fulton Sheen, Tolkien e Evelyn Waugh. Será que existe alguma explicação para isto?

Antes de mais nada, os homens modernos, que incluem o clero católico, nascem e são criados no materialismo e no racionalismo, o que significa que qualquer coisa que não seja material, ou que supere as suas faculdades humanas de raciocínio, dificilmente consegue ser levada a sério. Mas as aparições celestiais, como as de Nossa Senhora de Fátima, são essencialmente espirituais, não materiais, e superam de longe a mera razão humana quanto à sua origem ou ao seu conteúdo. Segue-se que poucos habitantes “sérios” do mundo atual, inclusive os clérigos, se inclinam a levar a sério as “aparições de Nossa Senhora”. Não se queixou Ela mesma, entre as duas Guerras Mundiais, que até mesmo as almas boas não estavam dando atenção à sua mensagem de Fátima? E, depois da Segunda Guerra Mundial, não estavam os próprios clérigos, enquanto preparavam o Vaticano II para mudar a própria religião de Deus, a partir de 1960, procurando sufocar aquela Fátima que falava em favor da verdadeira religião? E se foi esse o exemplo dado pelos clérigos, será tão surpreendente que até os bons leigos tenham negligenciado Fátima?

2. Além disso, se outras aparições marianas posteriores a Fátima são genuinamente do Céu, como, supostamente, Garabandal e Akita, porque é que as suas mensagens não condenam explicitamente ameaças tão grandes à fé dos católicos como a Missa Nova e a Neoigreja, ou seja, a Igreja Conciliar?

“Omne malum a clero”, diz um velho ditado da Igreja – todo o mal vem do clero. Esta não é toda a verdade, mas diz muito da verdade, que remonta a Judas Iscariotes. Ao longo de toda a história da Igreja, os maus sacerdotes têm sido as principais causas do mal no mundo e na Igreja, e as almas devem ser adequadamente advertidas. Mas se Nossa Senhora deseja advertir as almas contra os sacerdotes que fazem o mal, Ela tem de encontrar um equilíbrio delicado entre denunciar os malfeitores e proteger de maiores danos o próprio sacerdócio do Seu Filho. Por exemplo, em Garabandal, Ela disse que “a Eucaristia está sendo negligenciada”, o que é acertar em cheio sem culpar nenhum sacerdote em particular. Mas, em 1965, Ela também chegou ao ponto de dizer: “Muitos Cardeais, Bispos e Padres estão no caminho da perdição, e levando muitas almas consigo”. Poderia a advertência ter sido mais clara e precisa para o ano do encerramento do Concílio Vaticano II? O problema não é que Ela não se pronuncie. O problema é que especialmente os neoclérigos não querem ouvir.

3. Mas a Missa Nova é um horror – como é que Ela não pode estar advertindo explicitamente contra aquela, se é realmente Nossa Senhora?

Tenha em mente que é irrefutável a evidência de que ainda existem milagres eucarísticos realizados por Deus com hóstias consagradas na Missa Nova por um sacerdote ordenado no Rito Novo por um Bispo sagrado no Rito Novo. Procure na “Internet”, por exemplo, o milagre eucarístico que ocorreu em Sokulka, na Polônia, em 2008. Quando Deus quer que acreditemos, é evidente que Ele fornece as provas necessárias. No tocante a essas provas, Ele nos deu as nossas mentes, e não as nossas emoções, para julgar. Com esses milagres, ainda hoje, Deus deve estar querendo advertir os Seus pastores sobre o que eles estão fazendo de mal, e ao mesmo tempo reassegurar as Suas ovelhas sobre a forma como Ele continua a alimentá-las, mesmo com a Missa Nova. Como poderia Nossa Senhora condenar abertamente o que o Seu divino Filho ainda continua dignando-se a usar para a alimentar as almas?

4. Será que o fracasso das aparições em condenar tais perigos para a Fé sugere que essas não sejam autênticas?

Não. A autenticidade é uma questão de verdade, e a verdade é uma questão de evidência, que é anterior inclusive ao juízo da Igreja, embora a aprovação da Igreja deva ser de grande ajuda para discernir a verdade. Mas não é a aprovação da Igreja que faz a verdade. Simplesmente faz com que os católicos assumam (normalmente) a verdade.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 1 de outubro de 2022

Comentários Eleison: ENGANADO, ENGANANDO-Por Dom Williamson Número DCCXCIV (794) – 1º de outubro de 2022

 

ENGANADO, ENGANANDO

Os homens querem governar o mundo no lugar de Deus.

Veremos suas ações resultando em um desastre!


Há um velho e famoso ditado latino que diz: “Quando os deuses querem destruir alguém, primeiro eles o enlouquecem”.

Pela atual decadência moral e loucura suicida da Europa, sabemos que ela está enlouquecendo. Deve-se temer muito o fato de que esteja deixando-se enganar de uma maneira pela qual só ela mesma pode levar a culpa, e que então esteja contribuindo para enganar o mundo inteiro. Esse é o argumento de um tal Patrick Foy em uma carta circular dirigida aos “amigos e interlocutores” no final do último mês de agosto. Observe-se como, e tal como é típico do homem moderno, ele não inclui os deuses ou o único Deus verdadeiro, mas nada em sua análise clara do estado atual da Alemanha (onde ele vive) no plano natural contradiz qualquer análise plenamente sobrenatural; pelo contrário.

Oh, meu Deus, será que a Alemanha está prestes a chocar-se contra o muro? Pelo que tenho lido, fora dos recintos internos da grande mídia americana, a resposta a essa pergunta parece ser: “Sim, se nada mudar, o muro será atingido neste inverno”. Certamente, a possibilidade existe. Tudo se resume à guerra instigada por Washington na Ucrânia e ao fato de que a Alemanha, assim como o resto da Europa, foi suficientemente tola para engolir a falsa narrativa de Washington e seguir sua direção autodestrutiva.

Antes da intervenção russa em 24 de fevereiro, a saída para um acordo negociado com a Ucrânia foi pelos ares quando a UE e a OTAN, basicamente a Alemanha e a França, abandonaram o acordo de Minsk II em 2014. Esse acordo, que a Ucrânia assinou, com a França e a Alemanha como garantidores, teria proporcionado certo grau de autonomia dentro da Ucrânia para partes do leste da Ucrânia de língua russa. Se se observa o mapa do campo de batalha atual, é essa área limitada que a Rússia ocupa agora. É esta área que queria separar-se da Ucrânia e unir-se à Federação Russa. A população russa pede ajuda a Putin desde que a CIA e o machado de guerra neoconservador, Victoria Nuland, orquestraram o golpe de 2014 em Kiev, que derrubou o governo eleito.



Não é necessário entrar em detalhes lamentáveis. O que importa é que Washington pegou o telefone, ligou para Berlim e Paris e disse: “suspendam Minsk II!”. As negociações com Moscou foram interrompidas. Minsk II foi descartado. Isso levou direta e logicamente à guerra que temos agora, e às subsequentes e esmagadoras sanções contra a Rússia, ditadas novamente por Washington. Parece-me ter sido parte de um plano. Aquele palhaço de Londres, Boris Johnson, encorajou Berlim e Paris em sua loucura. Agora a economia da Europa está entrando em colapso devido à falta de energia que a Rússia fornecia rotineiramente. A Rússia não era (e não é) inimiga da Europa. Era uma parceira. Mas assim que a Alemanha e a França jogaram Minsk II ao mar e deixaram Washington ditar a agenda, a Europa estava condenada. Evidentemente, os líderes europeus não podem conceber seus próprios interesses. É muito mais fácil receber ordens de Washington.

David Stockman, guru do orçamento do presidente Reagan na década de 1980, resumiu melhor as consequências econômicas em sua publicação de 23 de agosto: “Winter is coming [O inverno está chegando]”. Ele escreveu que a perda autoinfligida da Europa dos suprimentos energéticos russos, promulgada por Washington, significará “literalmente milhões de lares escuros e congelantes na Europa, e os preços da energia disparando para a lua”.

Talvez as coisas não sejam tão ruins como parecem, diz Foy, mas tudo foi desnecessário, tanto a guerra na Ucrânia quanto as sanções contra a Rússia que trouxeram como um bumerangue consequências negativas, e os resultados finais para o mundo inteiro. Pode ser, conclui Foy, que Berlim, Paris e Londres tenham se tornado cachorrinhos de colo incapazes de pensar por si mesmos, mas os principais culpados são os cérebros de Washington, que se intrometem nos assuntos europeus desde o final da Guerra Fria em 1989.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 24 de setembro de 2022

Comentários Eleison:ROSÁRIO ARMADO?Por Dom Williamson Número DCCXCII (793) – 24 de setembro de 2022

 

ROSÁRIO ARMADO?

Deus não é servido por lutas meramente humanas,

Mas somente pelo afã de servir aos Seus direitos.


Na véspera da festa da Assunção, apareceu na revista “Atlantic”, publicada nos EUA, um artigo que causou algum rebuliço ao associar o Rosário a uma violência e a um terrorismo de direita. Escrito por um tal Daniel Palleton, residente em Toronto, Canadá, foi intitulado: “Como a cultura armamentista extremista está tentando cooptar o Rosário”, e teve como subtítulo: “Por que as contas sacramentais aparecem de repente ao lado de AR-15’s na Internet?” (O fuzil do tipo AR-15 é um fuzil popular leve semiautomático). Segue um resumo dos 13 parágrafos do artigo de Panneton.

1. Os católicos Rad-Trad (ou seja, radicais-tradicionalistas) estão transformando o Rosário em uma arma de violência.

2. Exibem-no na Internet em suas páginas nas redes sociais, onde têm milhares de seguidores.

3. Assim, associado à violência e ao racismo da extrema direita, o Rosário prepara o terrorismo do mundo real.

4. De fato, o Rosário há muito está associado à luta da Igreja Militante contra seus inimigos.

5. No catolicismo convencional, o Rosário não é uma ameaça, mas os católicos radicais não são convencionais.

6. Eles são masculinistas com mentalidade de milícia, que jogam jogos de guerra,

7. com sua própria indústria artesanal de serviços e bens à venda, incluindo “Rosários de combate”.

8. Têm fantasias masculinas de recorrer à violência em defesa de suas famílias ou igrejas.

9. Os nacionalistas cristãos, que antes desconfiavam deles, agora os aceitam cada vez mais.

10. De fato, os Rad-trads e os nacionalistas cristãos estão compartilhando um ideal de “violência justa”.

11. Pode ser que esses dois lados ainda estejam divididos em questões de doutrina e religião,

12. mas podem envolver-se e se envolvem em causas comuns, como, por exemplo, sua homofobia e sua hostilidade em relação ao aborto.

13. Os Rad-Trads têm o dever de amar e perdoar, mas hoje eles estão transformando o Santo Rosário em uma arma de violência e guerra física.

O único ponto que Panneton acerta é que há uma enorme guerra acontecendo entre combatentes de “esquerda” e de “direita” em todo o mundo. É uma guerra imensa, porque para ambos os lados se trata de uma cruzada sagrada. Isso porque é de fato uma guerra a favor ou contra Deus. Em razão de Deus Todo-Poderoso ser hoje tão amplamente desprezado e desacreditado, os “esquerdistas” normais podem não compreender que sua luta mesma é uma cruzada para destruir os últimos restos da cristandade, mas a cruzada é para isso. Quanto aos “direitistas”, eles estarão prejudicando sua própria cruzada para defender ou preservar a decência pós-cristã se não a basearem em Deus, que é a força fundamental deles. Um exemplo notável é sua luta contra o aborto. Se esses direitistas continuarem preferindo ficar sem Deus, sua revogação de “Roe v. Wade” será revertida mais uma vez. Compartilhar a despreocupação dos “esquerdistas” em relação a Deus certamente não faz com que muitos “direitistas” sejam melhores do que eles.

Portanto, se o Rosário sempre foi realmente um grande meio de defesa da cristandade, como em 1571 em Lepanto, em 1683 em Viena, em 1955 na Áustria, é porque é muito centrado em Deus, em Nosso Senhor e Nossa Senhora. Somente se os guerreiros do Rosário de hoje estiverem realmente afastando-se de Deus para lutar contra os esquerdistas com as armas usadas pelos esquerdistas para lutar contra Deus, Panneton tem razão. Mas se aqueles que rezam o Rosário se esquecem dos direitistas ou dos esquerdistas quando o utilizam para preencher-se com os interesses de Deus, então, seguramente, mais uma vez o Rosário poderá salvar a cristandade.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 17 de setembro de 2022

Comentários Eleison:DEUS É EGOÍSTA?-Por Dom Williamson Número DCCXCII (792) – 17 de setembro de 2022

  

DEUS É EGOÍSTA?

Se o amor não for dado livremente, há algo errado.

Deus quer que sejamos livres para optar, ou não, por Sua bem-aventurança.

Um leitor escreveu-nos trazendo uma objeção à bondade de Deus, que sabe ser falsa, mas que, no entanto, o perturba, e para a qual ele não encontrou durante muito tempo uma resposta que o satisfizesse. Eis o problema:

1 Ordenar a alguém: “Ama-me, ou estourarei os seus miolos”, tanto é egoísmo, porque é egocêntrico, como ridículo, porque as ameaças não podem produzir o amor verdadeiro.

2 Mas Deus diz exatamente isso quando diz às Suas criaturas humanas: “Se vocês não Me amam, vão para o inferno”.

3 Portanto, Deus é egoísta e ridículo (é Satanás quem diz isto).

Para responder a essa objeção ao amor de Deus, vejamos primeiramente qual é a verdade sobre o que Deus diz às Suas criaturas humanas quando, criando Ele mesmo suas almas imortais e infundindo-as nos corpos materiais formados pelo pai e pela mãe humanos de cada uma delas, Ele traz os seres humanos à existência: “Meu querido filho, ao dar-te vida e livre-arbítrio, quero que faças uso de tua vida na terra para que, quando morreres, tenhas merecido compartilhar Minha felicidade eterna comigo em Meu Céu. Mas não vou forçar-te a vir para o Meu Céu, porque se eu te forçasse, faria de ti um robô, e os robôs não podem desfrutar do Meu Céu. Deixar-te-ei inteiramente livre para não vir ao Meu Céu se não quiseres fazê-lo. Escolher o inferno será uma decisão totalmente tua.

Ora, é verdade que influências poderosas como o mundo, a carne e o diabo farão o possível para que tu prefiras o Inferno ao Céu, e é verdade que a maioria dos homens a quem dou a vida acaba preferindo o Inferno ao Céu; mas em todos os casos isso terá sido tua própria e livre escolha, e eu não te forçarei a escolher o Inferno mais do que forço qualquer um a escolher o Céu. E note que quanto mais maléficas forem as influências a que aqueles que forem salvos terão resistido para preferir o Meu Céu, tanto mais glorioso e feliz será o Céu para eles. Assim, o mal tem um propósito e, embora eu não o queira, eu o permito, precisamente para que possa fazê-lo servir à bem-aventurança eterna daqueles que recusam o mal.

E se me objetas que no mundo moderno a confusão e o mal são avassaladores e são fortes demais para que muitas almas possam resistir, eu te respondo que sempre que o mal se torna realmente muito grande, como no tempo de Noé (que seguiu resistindo a ele), posso intervir, como fiz com o Dilúvio. De fato, o Dilúvio salvou para a eternidade muitas almas que, de outra forma, teriam cedido à corrupção, e por isso foi um grande ato de Minha Misericórdia. Em pleno século XXI, esperem que Eu lhes dê um grande Aviso, anunciado notavelmente pelas quatro meninas de Garabandal, na Espanha, nos anos 60. Será de grande ajuda contra toda a confusão para a salvação através de Jesus Cristo, mas somente se as próprias almas escolherem livremente que querem ser salvas.

Agora apliquemos essas verdades às três proposições da objeção original anterior.

1 Dizer a alguém “Ama-me ou te matarei” é egoísmo se aquele que diz isso o faz principalmente para ser amado. Mas Deus, em Si mesmo, está em bem-aventurança absoluta e imutável. Somente externamente a Si mesmo Ele ganha algo pelas almas que compartilham Sua bem-aventurança. Essa bem-aventurança Ele deseja para elas principalmente pelo bem delas mesmas, não para Si mesmo. Então, não há egoísmo, e tampouco Deus é ridículo. É claro que Ele não quer um amor forçado. Ele nos deixa totalmente livres para amá-Lo, ou não.

2 É verdade que se não amarmos a Deus como deveríamos, de modo a morrermos em estado de pecado mortal, teremos merecido o Inferno. Mas uma vez no Inferno, grande parte da tortura será ver com a maior clareza com que facilidade eu poderia ter salvado minha alma, com toda a ajuda e todas as graças que Deus me deu em minha vida na terra. Mas livremente escolhi não querer Sua ajuda, e por isso o que estou sofrendo agora é totalmente culpa minha.

3 Portanto, Deus não está de maneira nenhuma dizendo: “Ame-me, ou estourarei os seus miolos”. Ele não é egoísta nem ridículo.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 10 de setembro de 2022

Comentários Eleison:A REALIDADE DE AQUINO- Por Dom Williamson Número DCCXCI (791) – 10 de setembro de 2022

 

A REALIDADE DE AQUINO

Leia Tomás de Aquino no original em latim.

O maior curador de mentes que se pode imaginar!


Em um único artigo de sua sensata Summa Theologiae (I, 85, 2), Santo Tomás de Aquino refutou, com cerca de 500 anos de antecedência, o absurdo de Kant e de seus numerosos seguidores nos tempos modernos, que afirmam que nossas mentes humanas só conseguem conhecer as aparências das coisas que nos rodeiam. Segundo Kant, os seres humanos não podemos conhecer a realidade das coisas no sentido de como elas realmente são por trás de suas aparências. A coisa como ela é em si mesma, em alemão “das Ding an sich”, é absolutamente incognoscível para nós. Nesse caso, cabe perguntar-se: como podemos ao menos saber que existe alguma “Ding an sich” por trás das aparências das coisas? De fato, os seguidores de Kant não prestaram mais atenção a nenhuma suposta realidade em si mesma, ou realidade extramental, e a “filosofia” moderna entrou para a Alice no País das Maravilhas do sorriso do Gato de Cheshire que continua na árvore depois que este já desapareceu. Adeus, realidade. Bem-vinda, literalmente, qualquer fantasia imaginável!

O Aquinate tem dois argumentos sensatos para atirar o pobre Kant para fora do ringue. Por exemplo, vejo um cavalo em um prado. Ora, o cavalo obviamente não está dentro da minha cabeça, mas tão somente uma representação do cavalo. Ora, é essa representação do cavalo pela qual eu conheço o cavalo, como uma janela sobre o cavalo mesmo, de modo que o próprio cavalo seja o que eu conheço; ou é essa representação mesma o que eu conheço, como uma pintura do cavalo que retrata o cavalo, mas não me dá nenhuma visão do próprio cavalo? Para o Aquinate, as representações em nossa mente são como janelas para a realidade fora de nossas mentes. Para Kant, elas são como pinturas por trás ou além das quais não podemos ver nada. Para o Aquinate, elas são por meio das quais conhecemos, para Kant são o que conhecemos.

Primeiro argumento de Aquino: se conhecemos somente o sorriso do gato e não o próprio gato, por assim dizer, como podemos ter algum conhecimento ou ciência dos gatos ou de qualquer realidade extramental? Não há mais ciência nem conhecimento da realidade fora de nossas mentes. Mas se não conhecemos nada fora de nossas mentes, mas apenas nossas próprias representações, dentro de nossas mentes, então é o fim de qualquer conhecimento da realidade, e o fim da ciência. É claro! Muitos “cientistas” contemporâneos terminam perdendo o controle da realidade de sua própria “ciência”, porque, como quase todo o mundo de hoje, eles permitiram que o kantismo corrompesse seu juízo.

Segundo argumento: se conhecêssemos apenas as representações em nossas mentes, então toda representação seria verdadeira, porque a verdade consiste na conformidade entre nossas mentes e a realidade fora delas. Mas se não pudéssemos conhecer nada além de nossas próprias representações, não teríamos acesso a nenhuma realidade exterior para poder dizer se nossas representações se conformam ou não a ela. Assim, todos os juízos de nossas mentes baseados em nossas próprias representações se tornariam verdadeiros, porque estariam em conformidade com eles mesmos. Assim, Paulo poderia julgar que o mel é amargo enquanto Pedro poderia julgar que é doce, e ambos estariam com a razão! Nenhum deles teria acesso a qualquer realidade objetiva além de suas próprias representações para resolver o choque de suas opiniões contraditórias. Aqui morre a lei da não-contradição, aqui morre a possibilidade de discussão, aqui morre todo pensamento objetivo, e aqui nasce a “filosofia” moderna.

E, chegando ao auge da objetividade, o Aquinate continua no mesmo Artigo explicando que, na vida real, a forma mesma do objeto fora de nossas mentes, que dá a esse objeto sua existência, é o que também in-forma nossas mentes, dando a nossas mentes a existência mesma de seus pensamentos. Em outras palavras, nossas mentes não só são capazes de captar a realidade extramental, mas também são incapazes de funcionar sem ela (pelo menos na origem de seu pensamento). Portanto, a própria base do pensamento humano deve ser objetiva, e a essa base (na medida em que é cognoscível) se pode recorrer para dirimir qualquer choque de opiniões subjetivas; e a lei na realidade objetiva da não-contradição – nada pode ser e não ser no mesmo sentido e ao mesmo tempo – é também a base do nosso pensamento. Assim, nossas representações da realidade são enfaticamente janelas que apresentam fielmente a realidade fora de nossas mentes, e não pinturas que bloqueiam nossa visão de qualquer realidade além ou por trás delas, como pretende o abominável Kant, para a ruína de qualquer captação da realidade e de qualquer pensamento objetivo.

Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.

sábado, 3 de setembro de 2022

Comentários Eleison:O QUE É REALIDADE? – II- Por Dom Williamson Número DCCXC (3 de Setembro de 2022)

 

O QUE É REALIDADE? – II

Deus abençoe os professores que ensinam tal como vivem,

Que não produzem ideias estúpidas.


 O que estes “Comentários” sugeriram fortemente na semana passada é que, a julgar pelo que é a realidade, o senso comum é muito superior aos chamados cientistas e intelectuais. Quanto aos “cientistas”, isto se deve ao fato de as suas mentes estarem, normalmente, confinadas à matéria, ou às coisas materiais. Das coisas espirituais ou “invisíveis”, como diz o Credo Niceno, a maior parte de suas mentes não tem nem ideia. Isso faz com que sejam maus juízes da realidade na parte mais elevada desta. Quanto aos “intelectuais”, a maior parte de suas mentes está aprisionada por Kant (1724-1804), rei virtual dos departamentos de filosofia das “universidades” modernas, que fazem questão de desprezar o senso comum. Isso porque o nosso senso comum pode ser definido como a nossa compreensão natural, e dada por Deus, das realidades que nos rodeiam entre o nascimento e a morte; e especialmente desde o final do século XVIII, o homem tem feito guerra a Deus e à natureza. É por isso que, hoje, o senso comum está sendo constantemente varrido da mente dos homens pelos seus supostos líderes, de modo que, por exemplo, os homens devem ser femininos e as mulheres devem ser masculinas, e as crianças devem mudar de sexo.

No entanto, como pode o que o homem comum ainda tem de bom senso fazer frente aos estudos e ao saber dos “filósofos”? Não seria como se um time de futebol amador quisesse derrotar um time de profissionais? Normalmente, assim como os profissionais de qualquer esporte derrotarão facilmente os amadores, os homens comuns seguirão seus líderes, e aquele que pretender seguir o seu bom senso na sociedade atual será facilmente persuadido de que está errado. Contudo, Aristóteles (384-322 a.C.), um filósofo verdadeiramente grande por sua análise da realidade ainda hoje em grande parte válida, disse uma vez dos seus colegas: “Não há estupidez que já não tenha sido exposta por algum filósofo”. Assim, quando se trata dos princípios filosóficos da vida, os profissionais nem sempre têm razão.

Distingamos dois significados da palavra “filosofia”. Pode significar a atividade intelectual de homens que pensam, estudam, leem e escrevem livros frequentemente nas universidades, ou seja, os filósofos profissionais. Ou a filosofia de um homem pode significar os princípios pelos quais, consciente ou inconscientemente, ele vive, e uma vez que nenhum homem pode existir sem ter alguns desses princípios para viver, então, neste segundo sentido, alguma filosofia pertence a todo o homem vivente, amador ou profissional. 

Ora, esses dois sentidos não são iguais. No primeiro sentido, se um filósofo está a escrever um livro, pode estar a fazê-lo por uma variedade de motivos que não o de analisar a realidade. Pode estar escrevendo filosofia para ganhar a vida, ou para ganhar dinheiro, ou para tornar-se famoso, e assim por diante. E, nesse caso, pode ou não acreditar no que está a escrever, pode estar escrevendo o que sabe ser um disparate, muito distante do que sabe ser real. Em todo caso, quer que as pessoas o levem a sério, pelo que deve, pelo menos, fazê-las pensar que está a escrever o que acredita ser real. Logo, posso não saber se ele está sendo verdadeiro ou não.

Assim, se eu quiser saber o que o filósofo profissional realmente pensa, recorrerei ao segundo sentido da palavra, e em vez de ouvir o que ele diz, ou apenas ler o que ele escreve, observarei como ele vive, porque isso me dirá o que ele realmente pensa. Eis, naturalmente, a razão pela qual o exemplo pessoal é muito mais revelador e persuasivo do que meras palavras. Se o Arcebispo Lefebvre fez tantos bons sacerdotes, foi, sobretudo, pelo seu próprio exemplo. Assim, se eu quiser saber o que um determinado filósofo efetivamente pensa ser a realidade, observarei as suas ações em vez de ouvir as suas palavras.

Finalmente, chegamos a esses “filósofos” que ensinam, seguindo Kant, que a mente humana não pode conhecer o que está por detrás das aparências das coisas. Como é que eles agem? Será que vivem como se não soubessem o que é a água para lavar ou o café para beber? É claro que não. Como poderia Kant ter caminhado todas as manhãs para a Universidade de Königsberg se não soubesse a diferença entre uma porta e uma parede, entre uma escada e uma cadeira? Nunca poderia ter vivido se tivesse levado a sério as suas próprias estupidezes. A enorme vantagem de Santo Tomás de Aquino é que o seu sistema corresponde ao senso comum. O “Doutor Comum” de Deus corresponde ao sentido comum dado por Deus.

Kyrie eleison.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário.