terça-feira, 9 de julho de 2024

09 de julho dia de Santos Mártires de Gorkum. (Século XVI)

 
09/07 Terça-feira
Festa de Quarta Classe 
Paramentos Verdes
Quando  no século XVI as heresias  de Lutero e Calvino conseguiram insinuar-se na Holanda, lá, como na Alemanha e  na Suíça,  foram causadores de  graves distúrbios.  Os calvinistas rebelaram-se contra  o governo do rei Filipe II e, chefiados pelo  príncipe de Orange, tomaram  à força armada algumas  cidades, entre estas a  de Gorkum.O governador retirou-se  para o castelo em companhia de alguns católicos, dois párocos, onde frades franciscanos e alguns sacerdotes seculares.  Os calvinistas, senhores que se fizeram  da  cidade, forçaram o castelo  à  rendição.   Esta se efetuou sob a condição, porém,  de ser  garantido  livre  egresso a todos.  Os calvinistas, desprezando esta combinação, aprisionaram o comandante, todos  os clérigos  e dois cidadãos, dos quais um foi enforcado imediatamente. Os sacerdotes eram de preferência alvo do furor  calvinista.  Maus  tratos  revezavam com ameaças de morte e  finalmente  foram todos metidos num calabouço subterrâneo.  No dia  de  sexta-feira, lhes deram carne a  comer. Querendo eles, porém, observar a  abstinência, tiveram de suportar  toda a  sorte de sofrimentos e  injúrias.                   
Ergueram em sua presença uma força  ameaçando-os  com a morte, se não quisessem  negar a fé  no Santíssimo  Sacramento.  Ao vigário,  padre Nicolau Van Poppel um dos bandidos pôs a  arma na testa e  berrou  aos  ouvidos:  “Anda,  padre! Como é?  Tantas vezes declaraste no púlpito que estavas  pronto a  dar a vida  pela fé. Pois  então, dize! Estás mesmo  disposto?”    O padre respondeu: “Dou a minha  vida com muito prazer, se é  em testemunho da  minha  fé e  principalmente do artigo por vós  rejeitado, o da presença  real  de  Jesus  no  Santíssimo Sacramento”.  Perguntado pelos tesouros, que supunham  estarem escondidos  no castelo, padre Nicolau não soube dar informações  a respeito. O calvinista lançou-lhe então uma corda  ao pescoço, puxou-o de  um lado para o outro, até que caiu como morto.    


Chegara a vez  dos franciscanos.  Ao frei Nicásio Pick puseram o mesmo cordão ao pescoço, arrastaram-no à porta do cárcere.  Lá chegando,  meteram a  corda por cima da  porta e puxando com força, suspenderam a vítima  a  altura considerável, para imediatamente deixarem cair.  Isto praticaram com   diabólico prazer.  Afinal a  corda  rebentou e  o pobre padre caiu pesadamente ao chão, sem mais dar sinal de vida.  Para  verificar se  estava  vivo ou morto, os soldados trouxeram  velas, queimaram-lhe a testa, o nariz, as pálpebras, as orelhas,  a  boca e finalmente a língua. Como o padre não desse  mais sinal de vida, deram-lhe pontapés e  disseram com ar de desprezo:  ” É  um frade, que importa?”  Mas  o padre não estava morto, tanto que no dia seguinte os  bandidos tiveram sua satisfação de poder continuar as crueldades.Durante toda a noite  os padres  estiveram entregues  à  sanha daqueles demônios em figura  humana. Não havia nada que  abrandasse o  furor  dos  endiabrados hereges.  Davam  bofetadas  nos  religiosos, com tanta força e brutalidade, que lhes corria  o sangue pelo nariz e pela boca. O padre  Willehad, um venerável  ancião de  noventa anos, repetia a cada  bofetada  que recebia, a   jaculatória: “Deus seja louvado!”  Os algozes, sentindo-se fatigados de  tanto bater, ajoelhavam-se  diante dos padres e  entre risos de escárnio, arremedavam a confissão, proferindo nesta ocasião obscenidades e  blasfêmias  horríveis e  asquerosas. Em outra ocasião,  amarraram os  religiosos  dois  a  dois e  obrigaram-nos a  andarem em fila, imitando a procissão e  a  cantar o “Te Deum” e  tudo isto sob  a  algazarra  satânica da  soldadesca desenfreada.  Depois puseram dados nas mãos das vítimas para  assim.  à  guisa do jogo,  tirar  a  sorte quem  deles  primeiro havia de  subir  à forca.  O padre Guardião exclamou:  “Não se faz mister de jogo,  estou pronto, porque já passei por esta delícia” Os católicos de Gorkum envidaram todos os esforços para libertar os prisioneiros. Para este  fim, dirigiram  uma petição ao príncipe de Orange.   Os calvinistas  suspeitando  qualquer  reação, tiraram aos  franciscanos o  hábito e  despacharam-nos, com outros  sacerdotes, na noite de  5 a 6 de julho, para Briel, à residência do  clerofobo conde  Lumam von  Marc. A pena se nega  a  fazer a  descrição de  tudo que aqueles religiosos tiveram de sofrer, dos verdugos e  do populacho fanático.  Em  Dordrecht estava  à  espera um navio, que devia levá-los até Briel. Antes  do embarque, um bando de calvinistas arrastou os mártires a  um lugar perto do rio, onde estava  aparelhada uma forca.   Como cães  raivosos, atiraram-se sobre as pobres vítimas e  o ar  encheu-se de insultos  e vitupérios como estes:  “Eis  aí a vossa Igreja! Ide, rezai a vossa Missa”.   Em seguida, obrigaram-nos a  passarem três  vezes em volta da força, sendo a  última vez com  os joelhos no chão, sob o  canto da “Salve Rainha”. Enquanto os religiosos  se puseram a obedecer esta  ordem ridícula  e  estapafúrdia, choviam-lhes  bengaladas e pedradas  às  costas.  O padre vigário Jerônimo  de  Weert,  vendo estas indignidades, não mais se conteve  e  disse: “Que estou presenciando? Estive  entre turcos e  infiéis, mas coisa  igual a esta eu nunca vi!”  Finalmente o triste cortejo chegou a Briel. Lá o esperava o conde  Lumm, com dois  pregadores da seita e  alguns magistrados. Todos  se  empenharam  para conseguir  dos  prisioneiros  a  renúncia à  fé, em particular ao dogma  da real presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Foram baldados os esforços. Os mártires unanimemente rejeitaram as  propostas  feitas e  preferiram  continuar na prisão.  O cárcere  que os recebeu, era  uma pocilga imundíssima. Uma ordem do príncipe de Orange, de por  em liberdade  os prisioneiros, não foi cumprida. O conde Lumm, embriagado de  ódio e  vinho, mandou-os  levar, alta noite, às  ruínas do convento Rugem, que pouco antes tinha sido incendiado pelos calvinistas.  Restara  ainda o celeiro.  O padre Guardião foi lá mesmo enforcado, depois de ter animado os irmãos  à  constância.  Depois  deles, foram estrangulados todos os companheiros. O fanatismo dos  calvinistas nem respeitou os cadáveres dos mártires.  Cortaram-lhes o nariz, as orelhas e levaram-nos como  troféus de vitória nos capacetes e chapéus. Os católicos resgataram por muito dinheiro  os  corpos dos santos irmãos e  transportaram-nos para Bruxelas.  Clemente X beatificou-os  em  1674 e Pio IX  elevou-os  à  categoria de  Santos, no ano de  1867. 




Eis os  nomes dos  gloriosos mártires de Gorkum: 






Onze deles eram franciscanos: - Nicolau Pieck, Jerônimo de Werder, Thierry de Embden, Nicário Jonhson, Wilhade de Dinamarca, Godofredo de Merveille, Antônio de Werden, Antônio de Harnário, Francisco Rodes de Bruxelas, Pedro de Asca no Brabante e Cornélio de Dorestante, no território de Ultrecht. Um dominicano, João de Colônia dois nobertinos ou premonstratenses, Adriano Janszen e Tiago Lacops João Lenartsz, que era cônego regular de Santo Agostinho e quatro padres seculares. Foram beatificados em 1675 e canonizados em 1867.

Intróito/ Sal. 46, 2.
Nações, batam palmas; celebre a Deus com gritos de alegria.
Ps. ibid., 3.Pois o Senhor é altíssimo e terrível, rei supremo sobre toda a terra.
V/. Glória Patri.

Coleta
Deus, a vossa providência nunca se engana no que dispõe: nós vos rogamos suplicando; afasta de nós tudo o que seria prejudicial para nós e concede-nos tudo o que deve ser vantajoso para nós.

Leitura da Epístola dos 

Romanos 6,19-23                                                                                                                  
19.Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade.20.Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça.21.Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos envergonham. O fim deles é a morte.22.Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna.23.Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Gradual. Pr. 33, 12 e 6.Veníte, fílii, audite me: timórem Dómini docébo vos.Vinde, meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor.
V/. Accedite ad eum, et illuminámini: et fácies vestræ non confundéntur.Aproxime-se Dele e tu será iluminado e a confusão não cobrirá seus rostos.
Aleluia, aleluia. V/. Sal. 46, 2. Omnes gentes, pláudite mánibus: iubiláte Deo in voce exsultatiónis. Aleluia. Aleluia, aleluia. V/. Sal. 46, 2. Nações, todos batam palmas, celebrem a Deus com seus gritos de alegria. Aleluia.

Sequência do Santo Evangelho

São Mateus 7,15-21                                                                                                            
15.Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.16.Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?17.Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.18.Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.19.Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.20.Pelos seus frutos os conhecereis.21.Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.

Ofertório/Dan. 3,40.
Como holocausto de carneiros e novilhos, ou milhares de cordeiros gordos, assim se apresente hoje diante de ti o nosso sacrifício e te seja agradável, porque os que em ti confiam não serão confundidos, Senhor.

Secreta
Deus, Tu sancionou os vários sacrifícios oferecidos sob a lei pela perfeição de um único sacrifício: receba este sacrifício que seus servos devotos apresentam a Ti e santifique-o por meio de uma bênção semelhante à que os homens de Deus obtiveram.' Abel; para que o que cada um de nós ofereceu em honra de sua majestade, possa beneficiar a todos para a salvação.

Praefatio de sanctissima Trinitate; non vero in feriis, quando adhibetur Missa huius dominicæ, sed tunc dicitur praefatio communis. Prefácio à Santíssima Trindade  ; mas nos feriados, quando é retomada a Missa daquele domingo, reza-se o Prefácio Comum .

Comunhão/Sal. 30, 3.
Incline seu ouvido para mim; apressa-te a livrar-me.(Quem não pode comungar em especie, fazer comunhão espiritual)
Nosso Senhor Jesus Cristo numa aparição revelou a sóror Paula Maresca, fundadora do convento de Sta. Catarina de Sena de Nápoles, como se refere na sua vida, e lhe mostrou dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo-lhe que conservava no vaso de ouro suas comunhões sacramentais e no de prata as espirituais. As espirituais com dependência exclusiva da piedade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que alimentais nossa alma na solidão do coração.
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós” (Santo Afonso Maria de Liguori)
 
Oh! Não me é dado receber a santa Comunhão tantas vezes, quantas desejo. Mas, Senhor, não sois Todo-Poderoso?... Ficai em mim, como no Tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa pequenina hóstia…(Santa Terezinha do Menino Jesus)
 
Depois da comunhão.
Que sua ação de cura, ó Senhor, gentilmente nos livre das más tendências e nos conduza ao que é bom e certo.


Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo Rosário