terça-feira, 22 de novembro de 2011

Santos anjos, rogai por nós


Ladainha dos Santos Anjos

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai, Criador dos Anjos, tende piedade de nós.
Deus Filho, Senhor dos Anjos, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, vida dos Anjos, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, alegria de todos os Anjos, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
Rainha dos Anjos, rogai por nós.
Todos os Coros dos Espíritos Celestes, rogai por nós.
Santos Serafins, Anjos do Amor, rogai por nós.
Santos Querubins, Anjos do Verbo, rogai por nós.
Santos Tronos, Anjos da Vida, rogai por nós.
Santos Anjos da Adoração, rogai por nós.
Santas Dominações, rogai por nós.
Santas Virtudes, rogai por nós.
Santas Potestades, rogai por nós.
Santos Principados, rogai por nós.
Santos Arcanjos, rogai por nós.
Santos Anjos, rogai por nós.
São Miguel Arcanjo, rogai por nós.
Vencedor de lúcifer, rogai por nós.
Anjo da fé e da humildade, rogai por nós.
Anjo da Unção dos Enfermos, rogai por nós.
Anjo dos moribundos, rogai por nós.
Príncipe dos exércitos celestes, rogai por nós.
Companheiro das almas do Purgatório, rogai por nós.
São Gabriel Arcanjo, rogai por nós.
Anjo da Encarnação, rogai por nós.
Mensageiro fiel de Deus, rogai por nós.
Anjo da esperança e da paz, rogai por nós.
Protetor de todos os servos e servas de Deus, rogai por nós.
Guarda do Santo Batismo, rogai por nós.
Patrono dos sacerdotes, rogai por nós.
São Rafael Arcanjo, rogai por nós.
Anjo do Divino Amor, rogai por nós.
Dominador do Espírito, rogai por nós.
Anjo da cura e do alívio na dor, rogai por nós.
Auxiliador nos casos de necessidade, rogai por nós.
Patrono dos médicos, viajantes e peregrinos, rogai por nós.
Todos os Santos Arcanjos, rogai por nós.
Anjos do serviço perante o trono de Deus, rogai por nós.
Anjos do serviço prestado à humanidade, rogai por nós.
Santos Anjos de Guarda, rogai por nós.
Auxiliadores em nossas necessidades, rogai por nós.
Luz em nossas trevas, rogai por nós.
Amparo em todos os perigos, rogai por nós.
Admoestadores de nossas consciências, rogai por nós.
Intercessores perante o trono de Deus, rogai por nós.
Defensores contra o inimigo, rogai por nós.
Nossos guias seguros, rogai por nós.
Nossos mais fiéis amigos, rogai por nós.
Nossos prudentes conselheiros, rogai por nós.
Nossos modelos de obediência, rogai por nós.
Consolação no abandono, rogai por nós.
Espelho de humildade e pureza, rogai por nós.
Anjos das nossas famílias, rogai por nós.
Anjos dos nossos sacerdotes e curas de almas, rogai por nós.
Anjos das nossas crianças, rogai por nós.
Anjos da nossa terra e da nossa pátria, rogai por nós.
Anjos da Santa Igreja, rogai por nós.
Todos os Santos Anjos, rogai por nós.

Oremos:
Concedei-nos, Senhor, o auxílio de vossos Anjos e Exércitos Celestes, a fim de que, por eles, sejamos preservados dos ataques de Satanás, e, pelo Precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Anjos, libertos de todos os perigos, possamos servir-vos em paz para sempre, por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Da criação dos anjos


Criou Deus imediatamente a todos os anjos?

Sim, Senhor; porque todos são espíritos puros, e não podiam de outro modo vir à existência.

Quando foram criados?
No principio dos tempo e no mesmo instante que os elementos do mundo material.

Foram criados os anjos em algum lugar corpóreo?
Sim, Senhor; porque assim convinha aos designíos da divina Providência.

Como chamamos o lugar em que foram criados?
Chamamo-lo ordinariamente céu e também céu empíreo.

Que coisa é céu empíreo?
Um lugar ameníssimo, pleno de luz e resplendor, resumo e compêndio das maiores delícias do mundo corporal.

O céu empíreo é o mesmo que o céu dos bem-aventurados, ou simplesmente céu?

Sim, Senhor.

sábado, 19 de novembro de 2011

Santa Rita, rogai por nós!

Novena a Santa Rita de Cássia


Extraída do Livro Devocionário e Novena de Santa Rita de Cássia.

PRIMEIRO DIA:

A nossa querida padroeira, apareceu neste mundo, graças à ajuda de Deus, pois narra sua história, que seus pais já eram idosos quando a tiveram. Ela, a pequena Margherita, ou em nossa língua Margarida, foi fruto de muita oração, perseverantes súplicas, da parte de seus queridos pais. Seu nascimento foi uma festa, assim para a terra como para o céu, que viu naquela criança mais um ser celeste que humano.

Oração: Ó Deus, Todo Poderoso, eu vos peço, humildemente, que pela intercessão da minha querida santa, eu entenda que somente Vós dais graças e favores aos pobres seres humanos. Os Santos apenas são intercessores, intermediários junto de Vós! Pelos méritos de minha Padroeira, concedei-me a graça que tanto necessito.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

SEGUNDO DIA:

Conta a história que os pais de Santa Rita trabalhavam no campo, na lavoura. Enquanto cultivavam a terra, deixavam a sua filhinha num cesto de vime, debaixo de uma árvore. Aconteceu que certa vez, ao recolher a filha, notaram um favo de mel em sua boca, fabricado por abelhas brancas, raras naquela região. Mais tarde, já no Convento, as abelhas apareceram novamente, fazendo seus favos no muro do mosteiro.

Oração: Ó Deus, Pai amoroso, que operais maravilhas na vida de vossos escolhidos, os santos e que deste uma lição de doçura e bondade, por meio deste fato miraculoso, a todos nós dai-nos também a graça da ternura e da caridade, no trato com nossos semelhantes, à imitação da vida da nossa querida padroeira. Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

TERCEIRO DIA:

A pequena Rita, juntamente com suas colegas de catecismo, realizou na igreja do povoado de Roca Porena, onde nascera, a sua primeira Comunhão. Preparada, com muito esmero e devoção, ela recebeu o Deus Eucarístico com sua inocência infantil e sua piedade amorosa. Daí em diante, sua comunhões passaram a ser freqüentes, alimentando sua vida espiritual.

Oração: Que Deus me conceda, também, a graça de valorizar sempre as minhas comunhões, com preparação e ação de graças, resultando numa vida espiritual mais fervorosa, à semelhança de minha padroeira. Amém

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

QUARTO DIA:

A infância e a adolescência de Rita passaram-se em uma vila, na companhia de suas amigas e parentes. A obediência aos pais e aos mestres da escola, a dedicação aos estudos e ao trabalho diário, ajudando sua mãe no trabalho do campo, foram características de sua conduta exemplar, a melhor maneira de louvar a Deus.

Oração: Que o exemplo de minha Santa Protetora, desperte em mim a resolução de me dedicar, com amor e perseverança, ao meu trabalho de todos os dias, sabendo que assim agindo, eu estou agradando a Deus, e sendo útil ao meu próximo. Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

QUINTO DIA:

Na época em que viveu Santa Rita de Cássia, era costume os pais escolherem para as filhas um noivo para o casamento. No caso de Rita, foi escolhido o jovem Paulo Fernando, de vinte e cinco anos. Trabalhador, honesto e de boa família, o jovem, no entanto, era dotado de um gênio difícil e freqüentava o bar, viciando pouco a pouco, no consumo do álcool. Rita obedecendo aos pais casou-se com ele, embora, em seu íntimo, aspirasse a uma vida consagrada a Deus. Dois filhos, João Tiago e Paulo Maria, vieram alegrar o seu lar. A vida de esposa não lhe foi nada fácil, pois precisava conviver com um homem áspero e de mentalidade mundana, bem diferente da sua.

Oração: Como são misteriosos os caminhos de Deus! Certamente o casamento foi para aquela jovem uma grande frustração! Ela sonhava com uma vida melhor e mais elevada, mas foi humilde e obediente seguindo as determinações de sua família. Deus a recompensou mais tarde. Muitas desilusões também, em minha vida, Senhor! Dai-me forças e coragem para eu não desanimar, pois no fim, estou vivendo o caminho que o Senhor traçou pra mim! Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

SEXTO DIA:

Uma verdadeira tragédia se abateu sobre o lar de Rita de Cássia. Seu marido foi assassinado e seus dois filhos morreram anos depois, vitimados pela peste negra, que dizimou milhares de vidas pela Europa inteira. Podemos imaginar a dor profunda que atingiu o seu coração de mãe e de esposa. Mas a sua fé em Deus era bastante forte e ajudou-a a aceitar esta tragédia, com muita resignação e humildade, repetindo a frase de Jó, na Bíblia: “Deus deu, Deus tirou, bendito seja Deus”.

Oração: Com Deus, meu Pai e amigo, me conceda, nesta novena, a graça da resignação cristã à sua santíssima vontade. Nada de revolta. Nada de reclamação. Nada de queixas. Eu devo dar tudo de mim para acertar sempre, fazendo o melhor possível em todos os afazeres. Quanto ao resto que seja feita vontade de Deus! Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

SÉTIMO DIA:

Uma vez viúva, Rita quis realizar seu velho sonho: ser religiosa. Bateu à porta das monjas agostinianas. Não foi recebida, pois as regras do convento proibiam receber viúvas. Certa madrugada, levada pelos Santos de sua devoção, achou-se rezando na capela do Mosteiro. Cedo, quando as monjas entraram na Capela para as orações matinais, viram-na lá! Como conseguira? Portas e janelas fechadas! Viram naquele fato uma demonstração da Divina Providência, no sentido de ela ser aceita. E assim Rita tornou-se religiosa.

Oração: Inútil lutar contra os desígnios de Deus. Pela oração constante e cheia de muita confiança no poder de Deus, eu também poderei conseguir do Senhor as graças que necessito para a minha vida, assim espiritual como temporal. Jesus me disse: “Pedi e recebereis, batei e abrir-se-á!”. Ele, de mim quer apenas confiança em seu poder, e muita esperança em seu amor por mim! Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

OITAVO DIA:

A Madre Superiora do Convento de Cássia, desejando provar a vocação da nova freira, mandou-a regar, todos os dias, um ramo seco, morto, de uma velha videira. Tarefa inútil. Rita de Cássia obedeceu com humildade, e de repente começaram a brotar pequenas folhas verdes, e mais tarde a videira floriu, e dá frutos até hoje. Rezando ante o crucifixo, pediu a Jesus a graça de participar de sua paixão. Um espinho da coroa de espinhos do crucifixo, fincou-se em sua fronte, abrindo uma chaga dolorosa. Durante quinze anos, aquela chaga, que exalava odores fétidos fê-la sofrer muito. Ela suportou tudo com silêncio e devoção.

Oração: Que o Senhor me conceda nesta novena, a graça de aceitar sua provações, com humildade e paciência. Os males físicos e também os espirituais. Que eu tenha paciência comigo mesmo e com outros. Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

NONO DIA:

Chegou o dia 22 de maio de 1457. Prostrada num leito duro, numa cela pequena, escura, jazia a monja agostiniana Rita. Teve uma agonia tranqüila, cercada pelos cânticos e orações de suas irmãs de hábito. Assim entregou sua bela alma a Deus. No momento de sua morte, a chaga da fronte se fechou e começou a exalar um perfume celeste. Os sinos, tangidos por mãos invisíveis, começaram a repicar sozinhos, como na celebração de uma grande festa! Mais uma alma santa entrava no céu, acolhida festivamente pelos anjos e santos, numa apoteose eterna.

Oração: Estou neste mundo só de passagem. Fui criada por Deus e para Deus. Meu fim não está aqui, mas no céu, onde contemplarei face a face o Pai Eterno. Os sofrimentos e provações desta vida não são nada, face às alegrias do paraíso. Deus me aguarda, para me recompensar tudo o que de bom fiz neste mundo. Que sua graça me anime, me encoraje a sempre procurar fazer o bem e a evitar o mal. Amém.

Rezar 01 Pai-Nosso, 01 Ave-Maria e 01 Glória.

Sacramento da Penitência

Para a Comunhão, prepara-te!

"Sim, tantos encantos tem a confissão e tantos perfumes exala para o Céu e a Terra,
que tira e sara toda fealdade e podridão do pecado"
(São Francisco de Sales)

Preparação para a Confissão

Exame de Consciência

Preparação para Confissão

Alívios:


"Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate, ficarão brancos como neve." (Isaías 1, 18) "Não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Mateus 9, 13) "Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes: ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em batizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo." (S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3)

Sobre o Sacramento:
O sacramento da Penitência é também chamado de Confissão e foi instituído por Nosso Senhor para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo. Cristo o instituiu no dia da sua Ressurreição quando, depois de entrar no Cenáculo, deu solenemente aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados:

“Soprou sobre eles dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”(João XX, 22-23)

A este Sacramento dá-se o nome de Penitência porque para obter o perdão dos pecados é necessário detestá-los com arrependimento e porque quem cometeu uma falta deve sujeitar-se à pena imposta pelo sacerdote. Chama-se também Confissão porque além de detestar os pecados é necessário confessá-los, isto é, acusar-se deles ao sacerdote.

Frutos da boa Confissão:

Perdoa-nos os pecados cometidos e dá-nos graças de Deus;
Restitui-nos a paz e sossego de consciência;
Reabre-nos as portas do Céu e comuta a pena eterna em temporal;
Preserva-nos das recaídas e torna-nos capazes de ganhar indulgências.

Como se Confessar:

Antes de tudo, examine bem a sua consciência. Em seguida, diga ao sacerdote que pecados específicos cometeu, e, com a maior exatidão possível, quantas vezes os cometeu desde a sua última boa confissão. A Igreja ensina que somos obrigados a confessar-nos de todos os pecados mortais; mas é bom confessar também os veniais. Se estiver em dúvida sobre se um pecado é mortal ou venial, mencione ao confessor a sua dúvida. Recorde-se, também, que a confissão dos pecados veniais ajuda muito a evitar o pecado e a avançar na direção do Céu.

Para obter o perdão de Deus é necessário:

Examinar a consciência;
Arrependimento sincero por ter ofendido a Deus;
Propósito de emenda;
Confissão dos pecados a um sacerdote;
Satisfação para cumprir a penitência dada.

Clique aqui para imprimir o livrinho completo

Assunção de Nossa Senhora - Parte II

CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII
MUNIFICENTISSIMUS DEUS


DEFINIÇÃO DO DOGMA DA ASSUNÇÃO
DE NOSSA SENHORA
EM CORPO E ALMA AO CÉU

Veremos hoje:
Doutrina concorde do magistério da Igreja 
Testemunhos da crença na assunção
Testemunho da liturgia 

Doutrina concorde do magistério da Igreja

12. E aqueles que "o Espírito Santo colocou como bispos para reger a Igreja de Deus" (At 20, 28) quase unanimemente deram resposta afirmativa a ambas as perguntas. Essa "singular concordância dos bispos e fiéis" (2) em julgar que a assunção corpórea ao céu da Mãe de Deus podia ser definida como dogma de fé, mostra-nos a doutrina concorde do magistério ordinário da Igreja, e a fé igualmente concorde do povo cristão - que aquele magistério sustenta e dirige - e por isso mesmo manifesta, de modo certo e imune de erro, que tal privilégio é verdade revelada por Deus e contida no depósito divino que Jesus Cristo confiou a sua esposa para o guardar fielmente e infalivelmente o declarar. (3) De fato, esse magistério da Igreja, não por estudo meramente humano, mas pela assistência do Espírito de verdade (cf. Jo 14,26), e portanto absolutamente sem nenhum erro, desempenha a missão que lhe foi confiada de conservar sempre puras e íntegras as verdades reveladas; e pelo mesmo motivo transmite-as sem contaminação e sem lhes ajuntar nem subtrair nada. "Pois - como ensina o concílio Vaticano - o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro não para que, por sua revelação, expressem doutrinas novas, mas para que, com sua assistência, guardassem com cuidado e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, ou seja o depósito da fé". (4) Por essa razão, do consenso universal do magistério da Igreja, deduz-se um argumento certo e seguro para demonstrar a assunção corpórea da bem-aventurada virgem Maria. Esse mistério, pelo que respeita à glorificação celestial do corpo da augusta Mãe de Deus, não podia ser conhecido por nenhuma faculdade da inteligência humana só com as forças naturais. É, portanto, verdade revelada por Deus, e por essa razão todos os filhos da Igreja têm obrigação de a crer firme e fielmente. Pois, como afirma o mesmo concílio Vaticano, "temos obrigação de crer com fé divina e católica, todas as coisas que se contêm na palavra de Deus escrita ou transmitida oralmente, e que a Igreja, com solene definição ou com o seu magistério ordinário e universal, nos propõe para crer, como reveladas por Deus".(5)

Testemunhos da crença na assunção

13. Desde tempos remotíssimos, pelo decurso dos séculos, aparecem-nos testemunhos, indícios e vestígios desta fé comum da Igreja; fé que se manifesta cada vez mais claramente.

14. Os fiéis, guiados e instruídos pelos pastores, souberam por meio da Sagrada Escritura que a virgem Maria, durante a sua peregrinação terrestre, levou vida cheia de cuidados, angústias e sofrimentos; e que, segundo a profecia do santo velho Simeão, uma espada de dor lhe traspassou o coração, junto da cruz do seu divino Filho e nosso Redentor. E do mesmo modo, não tiveram dificuldade em admitir que, à semelhança do seu unigênito Filho, também a excelsa Mãe de Deus morreu. Mas essa persuasão não os impediu de crer expressa e firmemente que o seu sagrado corpo não sofreu a corrupção do sepulcro, nem foi reduzido à podridão e cinzas aquele tabernáculo do Verbo divino. Pelo contrário, os fiéis iluminados pela graça e abrasados de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima, compreenderam cada vez com maior clareza a maravilhosa harmonia existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo Deus quis associar ao nosso Redentor. Esses privilégios elevaram-na a uma altura tão grande, que não foi atingida por nenhum ser criado, excetuada somente a natureza humana de Cristo.

15. Patenteiam inequivocamente esta mesma fé os inumeráveis templos consagrados a Deus em honra da assunção de nossa Senhora, e as imagens neles expostas à veneração dos fiéis, que mostram aos olhos de todos este singular triunfo da santíssima Virgem. Muitas cidades, dioceses e regiões foram consagradas ao especial patrocínio e proteção da assunção da Mãe de Deus. Do mesmo modo, com aprovação da Igreja, fundaram-se Institutos religiosos com o nome deste privilégio. Nem se deve passar em silêncio que no rosário de nossa Senhora, cuja reza tanto recomenda esta Sé Apostólica, há um mistério proposto à nossa meditação, que, como todos sabem, é consagrado à assunção da santíssima Virgem ao céu.

Testemunho da liturgia

16. De modo ainda mais universal e esplendoroso se manifesta esta fé dos pastores e dos fiéis, com a festa litúrgica da assunção celebrada desde tempos antiquíssimos no Oriente e no Ocidente. Nunca os santos padres e doutores da Igreja deixaram de haurir luz nesta solenidade, pois, como todos sabem, a sagrada liturgia, "sendo também profissão das verdades católicas, e estando sujeita ao supremo magistério da Igreja, pode fornecer argumentos e testemunhos de não pequeno valor para determinar algum ponto da doutrina cristã".(6)

17. Nos livros litúrgicos em que aparece a festa da Dormição ou da Assunção de santa Maria, encontram-se expressões que de uma ou outra maneira concordam em referir que, quando a virgem Mãe de Deus passou deste exílio para o céu, por uma especial providência divina, sucedeu ao seu corpo algo de consentâneo com a dignidade de Mãe do Verbo encarnado e com os outros privilégios que lhe foram concedidos. É o que se afirma, para apresentarmos um exemplo elucidativo, no Sacramentário enviado pelo nosso predecessor de imortal memória Adriano I, ao imperador Carlos Magno. Nele se diz: "É digna de veneração, Senhor, a festividade deste dia, em que a santa Mãe de Deus sofreu a morte temporal; mas não pode ficar presa com as algemas da morte aquela que gerou no seu seio o Verbo de Deus encarnado, vosso Filho, nosso Senhor".(7)

18. Aquilo que aqui se refere com a sobriedade de palavras costumeiras na Liturgia romana, exprime-se mais difusamente nos outros livros das antigas liturgias orientais e ocidentais. OSacramentário Galicano, por exemplo, chama a esse privilégio de Maria, "inexplicável mistério, tanto mais digno de ser proclamado, quanto é único entre os homens, pela assunção da virgem". E na liturgia bizantina a assunção corporal da virgem Maria é relacionada diversas vezes não só com a dignidade de Mãe de Deus, mas também com os outros privilégios, especialmente com a sua maternidade virginal, decretada por um singular desígnio da Providência divina: "Deus, Rei do universo, concedeu-vos privilégios que superam a natureza; assim como no parto vos conservou a virgindade, assim no sepulcro vos preservou o corpo da corrupção e o conglorificou pela divina translação".(8)

2. Bula Ineffabilis Deus, Acta Pii IX, parte I, vol. 1, p. 615.
3. Cf. Conc. Vat. I, Const. dogm. Dei Filius de fide catholica, cap. 4.
4. Conc. Vat. I, Const. dogm. Pastor aeternus de Ecclesia Christi, cap. 4.
5. Conv Vat. I, Const. dogm. Dei Filius de feide catholica. cap. 3.
6. Carta Encíclica Mediator Dei, AAS 39( 1947), p. 541.
7. Sacramentário gregoriano.
8. Menaei totius anni..

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Modéstia à moda antiga

Coleção de Jonathan Logan










Imitação do Sagrado Coração de Jesus

Coração Santo, Tu reinarás


CAPÍTULO I

Da estima e desejo que devemos ter da santidade

1- Jesus Cristo - Sê santo, meu filho, porque eu sou santo. Quem quer ser perfeito discípulo do meu Coração santifica-se a si mesmo, como, eu sou santo, com santidade interior, verdadeira e sólida.

Grande bem é a santidade, pois encerra, todos os bens que se podem desejar sobre a Terra e prepara no Céu a felicidade eterna.

A santidade é a consumação da virtude, a segurança da graça santificante, a salvaguarda da paz interior, a fonte da alegria do coração e da perpétua felicidade.

Ela é a verdadeira felicidade, ela a glória não falaz, ela a riqueza inexaurível.

Vale infinitamente mais ser o último entre os Santos do que o primeiro entre os homens.

Que há neste, mundo que possa justamente comparar-se à santidade? Nem a ciência, nem as dignidades, nem a fama, nem a posse dos maiores bens. Porque tudo isso é terreno efêmero: como ligeira nuvem que se forma no ar e logo desaparece.

Ao contrário a santidade, como filha do Céu, é imperecível, e qual sol brilha sobre os bem-aventurados; quando o próprio sol se tiver apagado, continuará ela a resplandecer eternamente.

Não se glorie pois o sábio da sua ciência, nem o valente da sua força, nem o rico das suas riquezas; mas quem se quiser gloriar, glorie-se de me conhecer e amar, de me imitar por amor, e assim santificar-se.

Se agora, filho, não compreendes esta doutrina, compreendê-la um dia bem a teu pesar, quando o avizinhar-se da morte te fizer ver e julgar das coisas retamente.

Dize-me: se houvesses de morrer hoje, que preferias: ter sido um santo ou antes ter sido rei ou papa? “Prouvera a Deus, dizia um moribundo, que falava por própria experiência, prouvera a Deus que eu não tivesse sido rei, mas o último dos servos de Deus!” “Oxalá, repetia outro, que não tivesse vivido nas cátedras, mas numa cozinha da santa casa de Deus!”

Nunca poderás estimar suficientemente a santidade: pois que eu a apreciei tanto, que para a tornar possível e fácil, empenhei todos os tesouros do meu Coração, multipliquei, à custa dos maiores sacrifícios, os meios de à alcançar, e tudo dirigi à santificação dos escolhidos.

Aspira portanto a um tamanho bem, meu filho, e com grande ânimo trabalha por te fazer santo.

2- Discípulo- Eu, Senhor, fazer-me santo! Ah! Senhor Jesus! Para isso pequei demais na minha vida! E não seria grande soberba presumir tal coisa? Depois, sou tão fraco, que não posso fazer nada digno da santidade.

- Jesus Cristo- Filho, dizes isso de tua cabeça ou outros sugeriram? Se de ti o dizes, enganas-te; se outros te disseram, enganaram-te. Se pecaste muito na tua vida, é esse um novo motivo para te santificares e reparares o passado.

Porém, filho, não se trata já do que goste, mas sim do que deves ser daqui por diante.

Quantos, depois de terem sido pecadores, chegaram em menos tempo a maior santidade, do que outros sempre inocentes; porque a lembrança dos pecados, em que miseravelmente tinham caído, e que eu com infinita misericórdia lhes tinha perdoado, era como um acicate que constantemente os estimulava a correrem no caminho da santidade?

Portanto, os pecados passados, longe de serem um obstáculo, podem ser, se assim o quiseres, um meio de santificação.

Além disso, trabalhar por conseguir a virtude e aspirar à santidade não é orgulho, mas grandeza e nobreza de alma; sem a qual ninguém é digno de ser discípulo do meu Coração.

Isto te digo eu: vê agora a quem hás de dar crédito: a mim ou ao espírito inimigo que te sugere o contrário.

Olha, filho, que por uma falsa ilusão não caias em pusilanimidade, e te tornes incapaz de aspirar ao objeto mais digno das aspirações de todo o bom coração.

Cobra ânimo, repele toda a mesquinhez de espírito, nutre sentimentos dignos de um discípulo do meu Coração.

Enfim, se és fraco, não sou eu onipotente? Se não podes suportar austeridades, não podes amar-me? Se não podes trabalhar, não podes ao menos sofrer? Ora o amor e o sofrimento são os dois grandes fatores da santidade.

Não são as obras extraordinárias, não são os milagres que santificam, mas sim o amor e amor, paciente.

Procura levar por meu amor os sofrimentos que eu para ti escolher e te enviar, e tornar-te-ás santo.

Se as coisas que o mundo chama grandes e importantes, fossem tão fáceis de adquirir, que mundano haveria que não as adquirisse?

3- O desejo constante de aproveitar, e o esforço incessante para santificar-se, constituem a santidade do homem nesta vida.

Ninguém é perfeito na santidade, se não se esforça por ser mais perfeito; e tanto mais santo se mostra, quanto mais procura a santidade.

Como vês, filho, a santidade não é obra dum dia nem duma semana; não julgues pois que serás perfeito em tão pouco tempo. Se tal julgasses, o ver depois frustrada tua esperança, poderias descoroçoar, e até sentir tentações de abandonar o caminho da virtude. A perfeição é obra da graça divina e da cooperação humana. A bondade do meu coração, que te quer santo, é muito mais propensa a conceder-te graça, do que tu a pedí-la; antes muitas vezes a dou, sem que a peças.

Quanto mais fielmente cooperares com a graça, tanto mais depressa chegarás à santidade.

4- Se tiveres um desejo constante e eficaz de te santificar, nada te poderá impedir de fazer-te santo. Conseguirás a santidade seja qual for o teu natural, porque a santificação não depende da natureza, mas da correspondência à graça.

Portanto, nem o caráter, nem a condição da vida, nem a profissão te serão de obstáculo, se fores generosamente fel à graça divina.

Foi por esta fidelidade que uma multidão imensa, que ninguém pode numerar, se santificou no estado religioso, e que milhões de outros se fizeram santos no meio do mundo. Por esta fidelidade fizeram-se santos, Henrique, nos arraias, Casimiro na corte, Elzeário no comércio, Isidro nos campos; e santas, Inês na cidade, Maria na aldeia, Catarina na casa paterna, Cristina na escravidão.

Nem tão pouco depende a santidade de ser beatificado ou canonizado, porque essas solenidades não fazem os santos, apenas dão a conhecer aos homens sua santidade.

Se fores santo no Céu, plenamente conforme com o beneplácito divino não se te dará de teres sido ou não canonizado na Terra.

Enfim, nem as próprias tentações e tribulações te podem impedir. Todas as maquinações do Inferno, todas as perseguições do mundo, contribuirão, se quiseres, para a tua santificação.

5- Nem os maiores Santos se viram isentos destas misérias, e enquanto viveram na Terra, sentiram sempre a fragilidade da natureza humana.

Não te preocupes pois, nem te aflijas por faltas em que a vontade não teve parte; pode um homem ser muito perfeito e cair frequentemente em faltas involuntárias.

A exemplo dos Santos, trabalha por as diminuir o mais possível; quando te escaparem, humilha-te diante de mim, mas sem perderes a paz do coração; e assim as mesmas faltas servirão para progredir na virtude.

6- Por isto, meu Filho, não dês ouvidos a ninguém, nem a ti mesmo, nem a homem, nem a espírito nenhum, que sob qualquer pretexto te queiram dissuadir de tenderes para a santidade. Mas com ânimo generoso, sem nunca desesperar, redobra continuamente de esforço para a conseguir.

A santidade é uma coisa tão grande, dá-me tanta honra e é-me tão aceita, que às vezes uma só alma interiormente santificada, glorifica-me mais e tem mas valia com o meu Coração, do que mil almas boas, que se contentam com uma virtude vulgar.

Sabe, filho, que há um grau de santidade absolutamente necessário para seres admitido na minha presença, pois quem não é santo, não verá a Deus.

Se não adquirires cá na Terra este grau de santidade, terás de adquiri-lo na outra vida, purificando-te no fogo antes de entrar no Céu, onde não entra senão o que for inteiramente santo.

Mas para a tua consolação, lembra-te filho, que se tens uma vontade decidida de te santificar, não aprovarás a morte antes de conseguir a santidade.

Entretanto não julgues que és já santo e perfeito; mas progride sempre para a meta da tua soberana vocação.

Ânimo, filho, balança-te a feitos dignos de um discípulo do meu Coração; procura emular teus gloriosos irmãos, os Santos. O que tu és, eles o foram; o que eles são, também tu o podes ser.

7- Discípulo – É então verdade, Senhor Jesus, que também eu, embora o último dos vossos servos, me devo e me posso santificar?

Sim, devo: porque vós assim me ordenais; por que estou obrigado corresponder a tão singulares graças e benefícios de vós recebidos; a satisfazer, quanto posso, a imensa dívida contraída com a vossa misericórdia, quando me perdoastes os meus pecados; a olhar pela minha salvação e preparar-me para o Céu, mas sobretudo porque vós sois infinitamente digno de toda a honra e amor.

E posso: porque vós me subministrais meios abundantes e eficazes; porque não exigis de mim senão o esforço de uma vontade sincera, pronto a suprirdes vós tudo o mais; porque nada me pode impedir, se eu não quiser, e tudo, se eu quiser, me pode ajudar finalmente porque toda a obra da minha santificação é unicamente obra de amor, do vosso amor, desse amor que tudo torna possível, tudo fácil, tudo suave.

Quero, portanto, santificar-me, não para ser contado entre os Santos na Terra, mas para Vos glorificar com os escolhidos no Céu; não tanto por temor do castigo ou por esperança do prêmio, quanto por vosso amor, ó dulcíssimo Jesus, para mais vos amar e vos glorificar agora e por toda a eternidade.

* * *
Quero fazer-me santo e, enquanto viver, não cessarei de o desejar. Suplico-vos, ó Jesus, pelo vosso Sacratíssimo Coração, que ajudeis esta minha boa vontade.

Imitação de Cristo: III,10.