segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

São Nicéforo, Mártir ( 259 0U 260)Confessor

São Nicéforo, Mártir e Confessor
 
27/02 Segunda-feira da 1ª Semana da Quaresma
Festa de Terceira Classe
Paramentos Roxos


Quando Valeriano e Galieno eram imperadores, viviam em Antioquia o sacerdote Saprício e seu amigo íntimo Nicéforo. O inimigo de todo o bem semeou cizânia, a amizade dos dois transformou-se em inimizade acérrima. Algum tempo depois Nicéforo, caindo em si, procurou aproximar-se de Saprício, porém não lhe quis perdoar; uma segunda tentativa, feita por intermédio de outros amigos, não teve melhor resultado. Ainda pela terceira e quarta vez Nicéforo procurou o ex-amigo, chegando a prostrar-se diante dele, dizendo: “Pai! Perdoai-me pelo amor de Deus!” Inútil esperança!

Saprício, esquecendo-se por completo do dever de cristão e sacerdote, fechou o coração aos sentimentos de perdão.

Aconteceu que ao mesmo tempo rebentasse em Antioquia uma terrível perseguição da religião cristã. Os cárceres enchiam-se de prisioneiros, cujo único crime consistia em serem cristãos e muitos tiveram a morte gloriosa do martírio. Também Saprício foi preso e levado à presença do governador, o qual fez o seguinte inquérito: “Como te chamas?” – “Chamo-me Saprício”. – “Tua profissão, qual é?” – “Sou cristão”. – “Não és sacerdote?” – “Sou” – “Eis a ordem dos imperadores Valeriano e Galieno, segundo a qual todos aqueles que se dizem cristãos, devem sacrificar aos deuses imortais. Quem se negar a prestar esta homenagem, será condenado a torturas e multas e, se não ceder, será morto”. Saprício responde: “Nosso Rei é Cristo. Só ele é o Deus verdadeiro, Criador do céu, da terra e do mar. Os deuses dos pagãos, porém são ídolos, que devem desaparecer do mundo, pois nenhum poder têm, visto serem feitos por mão humana”.

Em paga desta confissão, Saprício foi cruelmente torturado. O Mártir, porém, ficou firme na fé e disse ao governador: “Tens apenas poder sobre minha carne; minha alma está nas mãos de Jesus Cristo, daquele que a formou”. O governador, vendo que nada conseguia com torturas, condenou Saprício à morte pela espada. O sentenciado foi levado imediatamente ao lugar da execução. Nicéforo, sabendo o que acontecera, veio de encontro a Saprício, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: “Mártir de Cristo, perdoe-me o que contra vós fiz!” Saprício nada respondeu. Nicéforo reiterou o pedido: “Mártir de Cristo – assim falou a Saprício – perdoai-me o que em humana fraqueza contra vós fiz. Eis a coroa que Cristo vos oferece, em recompensa da fé, que corajosamente confessastes, em presença de muitas pessoas”. Saprício ficou inflexível e da boca não lhe saiu a palavra do perdão. Aconteceu então o que era de esperar: Deus, vendo seu preceito desatendido pelo seu ministro, retirou-lhe a graça e assistência na hora da morte. Quando chegaram ao lugar do suplício, Saprício recebeu ordem de ajoelhar-se. “Porque devo ajoelhar-me?” perguntou aos algozes. – “Para levar a efeito a execução”, responderam. – “Que fiz eu, para que deva morrer?” – “Porque negaste sacrificar aos deuses, conforme ordenam os imperadores.” – “Não quero morrer. Farei o que me mandarem e prestarei homenagem aos deuses”. Imediatamente foi posto em liberdade.

Outra vez apareceu Nicéforo e vendo o grande escândalo que Saprício acabava de dar, dirigiu-se-lhe dizendo: “Não peques, meu irmão, negando a Nosso Senhor Jesus Cristo. Peço-te não o abandones para que não percas a coroa, que já tinhas segura, como recompensa da tua fidelidade no martírio”. Saprício ficou insensível ainda diante deste último apelo. Para reparar a infidelidade de Saprício, Nicéforo apresentou-se dizendo: “Sou cristão e creio em Jesus Cristo, cujo nome Saprício acaba de negar. Eis-me aqui, pronto para morrer em seu lugar”. Todos os circunstantes se admiraram da coragem de Nicéforo. Os algozes não se atreveram a pôr-lhe a mão, sem autorização do governador. Esta não se fez esperar e poucos minutos depois, rolou a cabeça de Nicéforo na arena, aos pés de Saprício e dos algozes e sua alma, aureolada com a glória do martírio, voou para o céu, para fazer parte do glorioso exército dos Mártires e cantar louvor ao Rei eterno, Jesus Cristo.
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Epístola
Ezequiel, 34, 11-16


11. Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.
12. Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas.
13. Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região.
14. Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel; elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens.
15. Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé.
16. A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.
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Evangelho
São Mateus, 25, 31-46


31. Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
32. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35. porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36. nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.
37. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38. Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39. Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?
40. Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.
46.E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

São Porfírio, bispo de Gaza

 São Porfírio



26/02 Primeiro Domingo da Quaresma
Festa de Primeira Classe
Paramentos Roxos


São Porfírio, o vigoroso destruidor da idolatria, nasceu em Tessalônica, na Macedônia. Instruído nas ciências, tendo a idade de 25 anos, retirou-se para a solidão de Scete, onde passou cinco anos numa gruta, nas proximidades do Jordão. A insalubridade do lugar causou-lhe grande mal à saúde, e doente chegou a Jerusalém, onde teve a notícia da morte dos pais. Em sua companhia achava-se um jovem de nome Marco. A este incumbiu de receber a herança e distribuir o dinheiro entre os pobres, o que se fez. Porfírio, não tendo reservado nada para si, viveu sempre pobre.

Na visita diária aos Santos Lugares teve uma vez um desmaio que se transformou em visão. Apareceu-lhe Nosso Senhor na Cruz e com ele o Bom Ladrão. Jesus Cristo deu a este um sinal de ajudar Porfírio a levantar-se do chão. O Bom Ladrão estendeu-lhe a mão e disse: “Agradece a teu Salvador tua cura”. No mesmo momento Jesus Cristo desceu da Cruz e entregou-lhe a mesma, com a recomendação de guardá-la bem. Quando o Santo voltou a si, notou que estava perfeitamente curado. O sentido das palavras de Cristo, porém ficou-lhe enigmático, até que o Bispo de Jerusalém o ordenou e o nomeou guarda do santo Lenho.

Os sacerdotes da diocese de Gaza, tendo perdido o Bispo, insistiram com Porfírio para que aceitasse a direção da diocese orfanada. Embora sua modéstia quisesse fugir dessa dignidade, à obediência teve de sujeitar-se. Existiam em Gaza muitos pagãos e um templo magnífico para o culto das divindades. Os idólatras, conhecendo já de antemão o zelo do novo Bispo, principalmente seu ódio ao culto pagão, assentaram matá-lo antes de tomar posse do rebanho. Este plano ímpio, por qualquer circunstância imprevista, não pôde ser efetuado. Bem se arrependeram da iniqüidade, pois Porfírio, apesar de inimigo do paganismo, pela modéstia, paciência e caridade, soube ganhar os corações dos próprios pagãos. Um fato extraordinário, que se deu logo no princípio do seu governo, aumentou ainda a confiança e veneração para com o novo Pastor. Uma seca atroz de muitos meses aniquilara as esperanças dos lavradores e o espectro da fome começava a apavorar os ânimos. Nesta expectativa desoladora os sacerdotes de Marnas, a quem era devotado o templo, se dirigiram à sua divindade com preces e sacrifícios, para obter o benefício de uma chuva. Marnas, porém, chuva nenhuma mandou e a seca continuou a assolar a região. Porfírio, condoído com a miséria pública, ordenou um dia de jejum, organizou uma procissão de penitência a uma capela situada fora da cidade. Apenas recolhida à procissão, caiu uma chuva abundantíssima, refrigerando a terra ressecada. Muitos, diante deste espetáculo e vendo nisto o grande poder do Deus dos cristãos, converteram-se. Outros, porém, encheram-se de inveja e forjaram novos planos malignos contra a vida do santo Bispo e de alguns cristãos.

Entretanto, veio um édito do imperador Arcádio, ordenando o fechamento dos templos pagãos. Esta ordem foi por muitos funcionários obedecida, por outros não. Assim ficou aberto o templo de Marnas. Porfírio, desejando ardentemente a execução da ordem imperial, conseguiu em Constantinopla a autorização para derrubar o templo em Gaza.

A influência, porém, de ministros subornados pelos sacerdotes pagãos, fez com que o imperador revogasse a autorização exarada. Não obstante, algum tempo depois, foi publicada nova ordem no mesmo sentido de fechar os templos pagãos, sob pena de os refratários perderem a colocação; mas mesmo assim, o templo não se fechou. A imperatriz Eudóxia prometeu a Porfírio empregar toda a influência junto ao imperador, para conseguir o fechamento e a destruição do templo. Porfírio, inspirado por Deus, predisse à imperatriz o advento de um filho. Logo que esta profecia se cumpriu, dirigiu-se o Bispo a Constantinopla, para administrar o sacramento do Batismo ao príncipe herdeiro. Aconselhado pela imperatriz, Porfírio redigiu novamente o requerimento ao imperador.

A petição foi entregue ao monarca logo depois do ato religioso, por assim dizer, pela criança recém – batizada. Arcádio achou-a depositada sobre o peito do filhinho. No momento em que a abria, a pessoa que segurava nos braços a criancinha disse-lhe:

“Digne-se Vossa Majestade de deferir o requerimento apresentado por seu filho”. O imperador respondeu com sorriso nos lábios: “Como poderia eu negar o primeiro pedido de meu filhinho?” – Imediatamente foi mandado para Gaza um oficial do exército, com ordem estrita de demolir o templo de Marnas. Poucos dias depois, quando Porfírio se aproximou da cidade, os cristãos, seus diocesanos, receberam-no com muita solenidade. O préstito havia de passar por um lugar onde se achava uma imagem de Vênus, ponto predileto para reuniões de mulheres, que costumavam encontrar-se lá, para tratar projetos de casamentos. Mal o Bispo se achava defronte daquela estátua, quando esta, sem que pessoa alguma lhe tivesse tocado, ruiu por terra, fazendo-se em pedaços. Este fato causou grande sensação e foi o início de muitas conversões. O templo de Marnas desapareceu e em seu lugar se ergueu uma belíssima Igreja, dedicada a Deus vivo e verdadeiro.

O triunfo de Porfírio sobre a idolatria foi completo. Quando, em 421, Deus o chamou para o descanso eterno, o santo Bispo teve a grande satisfação de ver muito reduzido o número de pagãos em sua diocese.
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Epístola
II Coríntios, 6,1-10


1. Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão.
2. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação.
3. A ninguém damos qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja criticado.
4. Mas em todas as coisas nos apresentamos como ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias,
5. nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações;
6. pela pureza, pela ciência, pela longanimidade, pela bondade, pelo Espírito Santo, por uma caridade sincera,
7. pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas da justiça ofensivas e defensivas,
8. através da honra e da desonra, da boa e da má fama.
9. Tidos por impostores, somos, no entanto, sinceros; por desconhecidos, somos bem conhecidos; por agonizantes, estamos com vida; por condenados e, no entanto, estamos livres da morte.
10. Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!
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Evangelho
São Mateus, 4,1-11


1. Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.
2. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.
3. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).
5. O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:
6. Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).
7. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
8. O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:
9. Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.
10. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).
11. Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

São Tarásio, Patriarca de Constantinopla

São Tarásio


25/02 Sábado depois de cinzas
Festa de Segunda Classe
Paramentos Vermelhos


São Tarásio, natural de Constantinopla, foi um dos Patriarcas mais célebres da Igreja oriental. O pai, nobre patrício e bom cristão, teve todo empenho em proporcionar-lhe uma boa educação. O filho satisfez perfeitamente aos desejos e esperanças do progenitor, tanto que, uma vez conhecido na sociedade, era objeto da admiração de todos, por causa do seu saber e belo caráter. Abriam-se-lhe ao futuro as perspectivas mais risonhas e prometedoras. Convidado pelo imperador Constantino V e sua esposa Irene, ocupou o cargo de cônsul e mais tarde de secretário do Estado. Os atrativos do mundo, o brilho de posições elevadas não conseguiram entretanto, ofuscar-lhe a vista. A vida na corte, tão cheia de seduções e escolhos para a virtude, em nada lhe modificou os sentimentos de piedade e a sobriedade de seu caráter. A todos e em todas as emergências, dava o exemplo de cristão reto.

Havia no Oriente uma seita, que combatia o culto das imagens, chamada a dos iconoclastas. Paulo III, Patriarca de Constantinopla embora merecedor dos maiores elogios, como Prelado virtuosíssimo e caridoso que era, teve a fraqueza de não se opor à perniciosa seita, com a energia que as circunstâncias exigiam, tanto que a opinião de muitos católicos o acoimava como fautor da mesma. Uma doença grave, que Deus lhe mandou, abriu-lhe os olhos. Muito arrependido do erro que cometera, renunciou o cargo e retirou-se para a solidão, a fim de fazer penitência. Tão firme ficou nesse propósito, que amigos íntimos não o puderam demover do intento. Uma visita da própria imperatriz Irene, (esposa de Leão IV) e suas insistências para que voltasse ao cargo, não tiveram melhor resultado.

Paulo tomou o hábito de monge e propôs Tarásio para seu sucessor. A indicação não podia ser mais acertada, apesar de Tarásio se opor com toda a força. Paulo morreu pouco depois e Tarásio recebeu a sagração patriarcal, na festa de Natal de 784. Uma das condições principais, sob as quais Tarásio tinha aceito o cargo de Patriarca, fora a convocação de um Concílio, que decidisse a questão do culto das imagens. O Concílio realizou-se em Nicéia, na Bitinia, e o resultado foi à anatematização da heresia dos iconoclastas.

Tarásio, na compreensão nítida da alta missão de Bispo e Patriarca, praticou as virtudes cristãs, procurando ao mesmo tempo implantá-las na alma do povo. A todos dava o exemplo da caridade prática, convidando a pobreza para com ele partilhar as refeições em palácio. Esta praxe não teve a aprovação de todos, e houve quem o censurasse por isso, querendo fazer-lhe ver que a caridade assim compreendida e efetuada, não conduzia a dignidade que representava, como Patriarca. “Minha ambição única, respondia Tarásio, é imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, que viveu para servir aos outros e não para ser servido”.

Para que o povo tivesse sempre mestres que o instruíssem na religião e o defendessem contra as heresias, Tarásio fundou alguns conventos e tudo fez para que nada faltasse ao rebanho, que a Divina Providência aos seus cuidados confiara.

Tanto zelo, tanta dedicação não podia subsistir, sem que o inferno contra eles se enfurecesse. Não só iconoclastas, como também maus católicos, moveram uma campanha atroz contra o Prelado. À campanha aberta preferiram a encoberta, e muitos meses não se passaram, sem que Tarásio se visse emaranhado nas malhas de calúnias de toda espécie.

O Bispo opôs à vil campanha as armas da fé em Deus, da paciência e da caridade.

O imperador, tomado de amores ilícitos por uma dama da corte, acusando a esposa de tentativa de morte por veneno, requereu do Patriarca o divórcio, para contrair matrimônio com Teodata, era esse o nome da adúltera. Tarásio opôs-se ao alvitre do monarca, pediu-lhe que desistisse do ímpio projeto e ameaçou-o com os efeitos da vingança divina. Constantino, cego de paixão, não tomando em consideração as advertências e conselhos do Patriarca, exigiu-lhe a aprovação do casamento com Teodata, alegando – infelizmente com razão – a atitude de Patriarcas anteriores, em condições idênticas. Tarásio, porém, ficou firme e disse: “Mais temo cair em desagrado do Rei dos reis, que perder as boas graças de um rei mortal”. Constantino, uma vez no caminho dos desregramentos, adotou o sistema monárquico absoluto, afastando a mãe da gerência nas coisas de política. Irene soube vingar-se. Se no princípio disfarçadamente, mais tarde fez guerra aberta ao filho; moveu contra ele elementos poderosos militares. Constantino foi preso; por ordem da mãe arrancaram-lhe os olhos, com tanta crueldade, que morreu em conseqüência disso. Irene subiu novamente ao trono, mas seu governo pouca duração teve. Vento semeara, tempestade havia de colher e colheu. Em 802 foi derrubada do poder e desterrada para Lesbos, onde morreu desgostosa.

Pela morte de Constantino, voltaram para Tarásio dias de sossego, que não mais foi perturbado por novas lutas. Tanto Irene, como seu sucessor Nicéforo, deixaram a Igreja em paz. Vinte e dois anos pode Tarásio governar o patriarcado, dedicando-se de corpo e alma aos trabalhos na vinha de Cristo.

Embora já velho e doente, celebrava todos os dias o santo sacrifício da Missa, preparando-se assim santamente para a morte.

Antes de entregar a alma ao eterno repouso o demônio armou-lhe uma luta terrível, molestando e martirizando-o com pensamentos de desespero. Pessoas que o puderam observar de perto, viram-no tremer no corpo todo, acusando sinais de temor e de angustia. Uma outra vez ouviram exclamar: “Não fiz tal coisa! É mentira!” – “Sim, isto eu fiz, mas confessei-me sinceramente e espero de Deus misericórdia”. – Os circunstantes, observando esta luta entre a alma e o demônio, puseram-se a rezar fervorosamente. Tarásio, livre daquele pesadelo terrível, serenamente entregou a alma a Deus em 806.

Quatorze anos depois da morte de Tarásio, o imperador Leão, amigo dos iconoclastas, viu em sonhos o falecido Patriarca que lhe lançava olhares ameaçadores, dando a um tal Miguel ordem para que o matassem. Em vão procurou Leão descobrir esse Miguel. Seis dias depois foi assassinado por Miguel, o Gago, que se apoderou do trono imperial.
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Epístola
Isaías, 58, 9-14


9. Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: Eis-me aqui! Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações;
10. se deres do teu pão ao faminto, se alimentares os pobres, tua luz levantar-se-á na escuridão, e tua noite resplandecerá como o dia pleno.
11. O Senhor te guiará constantemente, alimentar-te-á no árido deserto, renovará teu vigor. Serás como um jardim bem irrigado, como uma fonte de águas inesgotáveis.
12. Reerguerás as ruínas antigas, reedificarás sobre os alicerces seculares; chamar-te-ão o reparador de brechas, o restaurador das moradias em ruínas.
13. Se te abstiveres de calcar aos pés o sábado, de cuidar de teus negócios no dia que me é consagrado, se achares o sábado um dia maravilhoso, se achares respeitável o dia consagrado ao Senhor, se tu o venerares não seguindo os teus caminhos, não te entregando às tuas ocupações e às conversações,
14.então encontrarás tua felicidade no Senhor: eu te farei galgar as alturas da terra, e gozar a herança de Jacó, teu pai; porque a boca do Senhor falou.
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Evangelho
São Mateus, 11,25-30


25. Por aquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.
26. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
27. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.
28. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
29. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
30. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

OBS.: NESSE ANO, POR SER ANO BISSEXTO, COMEMORA-SE NO DIA 25, HOJE, O DIA DE SÃO MATIAS CELEBRADO ONTEM.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Para o Domingo

Santo Fotini, Santa Zoé e São Martiniano


Como bem poucas, a vida de São Martiniano é um exemplo da fraqueza humana, como também de sincera penitência. Martiniano, natural de Cesaréia, na Palestina, nasceu no tempo do imperador Constantino. Bem jovem ainda escolheu para si a vida de eremita e retirou-se para uma montanha, nas proximidades da cidade natal. Durante vinte e cinco anos viveu em completa separação do mundo, entregue às práticas de uma vida religiosa austera. De todos os pontos da Palestina ia o povo procurar o santo eremita, ou fosse para se lhe recomendar às orações, ou para obter a cura de doente, ou ainda a expulsão de maus espíritos. A fama de Martiniano era geral e todos o tinham no conceito de grande Santo. Uma mulher de maus costumes, chamada Zoé, propôs-se a perder o santo homem e combinou com outros indivíduos de sua laia o plano diabólico. Disfarçando-se em pobre abandonada, chegou pela tardinha à casa de Martiniano e pediu agasalho: “Tende compaixão de mim, homem de Deus! Não permitais que eu seja presa das feras. Perdi-me na floresta e sem orientação, não sei para onde me dirigir”. O bom do eremita levantou as mãos ao céu, chamou a Deus em auxílio, e só depois de muitos rogos da parte da mulher, consentiu que lhe entrasse na gruta. Para si procurou um outro abrigo e passou a noite toda em oração.

Zoé, porém, trocou os andrajos enganosos por um vestido sedutor. Quando, na manhã seguinte, Martiniano chegou à gruta, Zoé se apresentou em todo o esplendor e grande foi a surpresa do santo homem, pois não a conhecia. Zoé deu-se a conhecer, manifestou ao eremita sua verdadeira intenção e com maneiras blandiciosas e afáveis, tentou-o ao pecado. A proposta, disse-lhe, que te faço não te deve ser estranha e é bem compatível com teu modo de vida. Sabes que os santos do antigo testamento eram favorecidos pela fortuna e casados. Eis me aqui para oferecer-te, junto com minha pessoa os meus grandes bens.

Martiniano, em vez de enxotar a sedutora, mostrou-lhe simpatia e fraqueou. Deus permitiu esta fraqueza, talvez para lhe castigar o orgulho, que não o deixou enxergar o perigo e fê-lo confiar em si. À hora em que, por costume, pessoas vinham para ouvir-lhe os conselhos e receber-lhe a benção, Martiniano saiu da gruta. Mal ficou sozinho, caiu em si e a consciência começou a atormentá-lo com suas acusações. O arrependimento foi tão grande, que mal podia sustentar-se. Depois juntou alguma lenha, acendeu-a e quando tinha boa brasa, meteu os pés dentro e disse: “Martiniano, se agüentares este fogo, continua a pecar; do contrário, como poderás sofrer o fogo eterno, que mereceste pelo pecado?”

Chamando a mulher, disse-lhe: “Vem ponha aqui teus pés, se queres pecar”. Zoé, vendo o espetáculo que se lhe desenrolava diante dos olhos, impressionou-se grandemente e o coração tomou-se-lhe de profunda contrição. Imediatamente tirou a roupa escandalosa, meteu-a no fogo, pediu perdão e conselho ao eremita sobre o que havia de fazer, para obter remissão dos pecados. Martiniano ordenou-lhe que fosse para o convento de Santa Paula, em Belém e lá passasse o resto da vida em penitência. Zoé obedeceu, pediu e obteve a admissão no convento indicado e tão radical foi sua conversão que de pecadora tornou-se grande penitente e Santa.

Martiniano julgou ser vontade de Deus abandonar o lugar de sua infelicidade e procurou uma ermida, situada, numa ilha e lá ficou durante seis anos, constando-lhe a alimentação de pão, água e palmitos, que pescadores de vez em quando lhe traziam. Pelo fim do sexto ano de desterro, naufragou naquela ilha um navio. Dos náufragos sobreviveu uma jovem de vinte e cinco anos que pediu auxílio a Martiniano; este lhe fez a caridade, que as circunstâncias exigiam. Para não se expor novamente ao perigo, resolveu fugir. Confiado no auxílio divino atirou-se na água para, a nado, ganhar o continente. Deus o protegeu visivelmente, mandando dois delfins que o levaram à terra. A donzela ficou na ilha, levando vida santa. Martiniano, porém tomou a resolução de não mais ter domicílio fixo. Fiel a este propósito, andava de um lugar a outro, implorando a caridade dos cristãos. Nessas viagens chegou a Atenas, onde entrou numa Igreja, quando sentiu as forças o abandonarem. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos. Poucos dias depois entregou a alma ao Criador. As suas últimas palavras foram: “Senhor, em vossas mãos recomendo o meu espírito”. Martiniano morreu no ano de 400. A Igreja oriental presta-lhe grandes homenagens. Os restos mortais acham-se depositados numa Igreja de Constantinopla, situada perto da mesquita de Santa Sofia.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Santa Escolástica, Virgem

10/02 Sexta-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos


Santa Escolástica era irmã de São Bento, o fundador dos monges beneditinos. Escolástica nasceu na Ümbria por volta do ano 480. Juntamente com São Bento, consagrou sua vida a Deus e acompanhou o irmão ao Monte Cassino, onde foi construído o célebre Mosteiro Monte Cassino, berço do monarquismo do Ocidente. São Bento costumava visitar anualmente Santa Escolástica, que muitos afirmavam ser sua irmã gêmea. Conta-se que, por ocasião de uma dessas visitas, Escolástica queria que o irmão permanecesse com ela, conversando sobre as coisas de Deus. São Bento, entretanto, era rigoroso e intransigente quanto à observância da Regra. Deus, porém, quis mostrar-lhes que mais vale o amor que o legalismo. Uma forte tempestade caiu naquela noite. Bento culpava a irmã por estar transgredindo a Regra, pousando fora do mosteiro. Ela, entretanto, disse: Pedi a você e você não me ouviu. Pedi ao Senhor e ele me ouviu. Pode ir embora para o seu mosteiro. Vá, se você puder! Três dias depois, morria Santa Escolástica e, passados 40 dias, São Bento também entregou sua alma a Deus. Era o ano 547. Santa Escolástica é invocada contra raios e para obter chuva. 
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Epístola
II Coríntios 10,17 -18
II Coríntios 11,1-2

I-
17. Ora, quem se gloria, glorie-se no Senhor.
18. Pois merece a aprovação não aquele que se recomenda a si mesmo, mas aquele que o Senhor recomenda.
II-
1. Oxalá suportasse um pouco de loucura de minha parte! Oh, sim! Tolerai-me.
2. Eu vos consagro um carinho e amor santo, porque vos desposei com um esposo único e vos apresentei a Cristo como virgem pura.
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Evangelho
São Mateus 25, 1-13


1. Então o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo.
2. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes.
3. Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo.
4. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas.
5. Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram.
6. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro.
7. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas.
8. As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando.
9. As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.
10. Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta.
11. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Senhor, senhor, abre-nos!
12. Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço!
13. Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.