quarta-feira, 25 de março de 2020

Dom Marcel Lefebvre: 28 anos de sua entrada na vida.

Defensor da Verdade Católica.


Quem como Deus!Viva realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria Rainha

 

A VISIBILIDADE DA IGREJA E A SITUAÇÃO ATUAL
 http://www.beneditinos.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17:a-visibilidade-da-igreja-e-a-situacao-atual-&catid=3:dom-marcel-lefebvre&Itemid=59
Apresentamos aqui alguns extratos de uma conferência de Dom Marcel Lefebvre. A dita conferência tem várias qualidades. Além de tratar com profundidade da questão da visibilidade de Igreja em meio à crise terrível que atravessamos, traz o pensamento autêntico de Dom Marcel Lefebvre, tal como ele o expôs aos seus padres pouco tempo depois de Dom Gérard Calvet ter feito seu acordo com o Vaticano, respondendo a alguns argumentos teológicos que este desenvolveu numa publicação do jornal Présent do dia 18 de agosto de 1988. Mesmo se em determinadas cartas, como é natural, S. Exa. tenha falado com maiores cuidados na esperança de mover os adversários a compreender e aceitar a Tradição, não resta dúvida de que seu pensamento estava longe de aceitar o Vaticano II ou a Missa de Paulo VI. Dom Lefebvre responde, assim, com antecedência aos argumentos que tentam justificar a atual posição de Campos. Nossa tradução é tirada da revista Fideliter 66 de novembro/dezembro de 1988, p. 27-31).

Dom Marcel Lefebvre

Meus caros Padres,

Penso que vós que saístes dos seminários e que, estais agora exercendo o ministério e que desejastes guardar a Tradição, vós que desejastes ser padres para sempre, como foram os santos padres de outrora, todos os santos vigários e os santos sacerdotes que nós mesmos pudemos conhecer nas paróquias. Vós continuais e representais verdadeiramente a Igreja Católica. Acredito que é necessário convencer-vos disso: "representais verdadeiramente a Igreja Católica".

A Igreja Visível

Não quero dizer que inexista Igreja fora de nós; não se trata disso. Mas há pouco tempo, disseram-nos que é necessário que a Tradição entre na Igreja visível. Penso que se comete aí um erro muito grave.

Onde está a Igreja visível? A Igreja visível é reconhecida pelos sinais que ela sempre deu de sua visibilidade: ela é una, santa, católica e apostólica.

Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? Estão eles na Igreja oficial (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou conosco, no que representamos, no que somos? É evidente que somos nós que guardamos a unidade da fé, que desapareceu da Igreja oficial. Um Bispo acredita nisso, outro já não acredita, a fé é diversa, seus catecismos abomináveis estão cheios de heresias. Onde está a unidade da fé em Roma?

Onde está a unidade da fé no mundo? Fomos nós que a guardamos. A unidade da fé espalhada no mundo inteiro é a catolicidade. Ora, esta unidade da fé no mundo inteiro, não existe mais, não existe mais catolicidade. Existem tantas Igrejas católicas quantos Bispos e Dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de fazer seu catecismo. Não existe mais catolicidade.

E a Apostolicidade? Eles romperam com o passado. Se eles fizeram algo, foi exatamente isso. Eles não desejam mais o que é anterior ao Concílio Vaticano II. Vede o Motu proprio do Papa que nos condena, ele diz muito bem: "a Tradição viva é o Vaticano II": não se deve reportar mais a fatos anteriores ao Vaticano II, isso não significa nada. A Igreja guarda a Tradição de século em século. O que passou passou, desapareceu. Toda a Tradição encontra-se na Igreja de hoje. Qual é esta Tradição? A que ela se liga? Como ela se liga ao passado?

É o que lhes permite dizer o contrário do que foi dito outrora, sempre pretendendo que somente eles guardaram a Tradição. É o que nos pede o Papa: que nos submetamos à Tradição viva. Nós possuiríamos um conceito equivocado de Tradição, visto que ela é viva e evolutiva. Mas, isto é o erro modernista: o Santo Papa Pio X, na encíclica Pascendi, condenou estes termos: "Tradição viva, Igreja viva, fé viva", etc, no sentido que os modernistas os entendem, ou seja, da evolução que depende das circunstâncias históricas. A verdade da Revelação, a explicação da Revelação, dependeria das circunstâncias históricas.

A Apostolicidade: nós nos vinculamos aos Apóstolos pela autoridade. Meu sacerdócio vem através dos Apóstolos; vosso sacerdócio vem através dos Apóstolos. Nós somos filhos daqueles que nos deram o episcopado. Nosso episcopado descende do Santo Papa Pio V e através dele chegamos até aos Apóstolos. Quanto à Apostolicidade da fé, nós cremos na mesma fé que foi a dos Apóstolos. Nós não mudamos nada e nem queremos mudar nada.

E enfim, a santidade. Não nos faremos louvores e cumprimentos. Se não quisermos considerar a nós mesmos, consideremos os outros, e consideremos os frutos de nosso apostolado, os frutos vocacionais, de nossas religiosas e também dentro das famílias cristãs. Boas e santas famílias cristãs germinam, graças a vosso apostolado. É um fato, ninguém o pode negar. Mesmo nossos visitantes progressistas de Roma constataram a boa qualidade de nosso trabalho. Quando Mons. Perl disse às irmãs de Saint-Pré e às irmãs de Fanjeaux que é com base como a delas que se deverá reconstruir a Igreja, não é um pequeno elogio.

Tudo isso mostra que somos nós que possuímos os sinais da Igreja visível. Se ainda existe uma visibilidade da Igreja hoje em dia, é graças a vós. Estes sinais, não se encontram mais nos outros. Não existe mais neles unidade da fé; ora, é precisamente a fé que é a base de toda a visibilidade da Igreja.

A catolicidade é a fé no espaço. A Apostolicidade é a fé no tempo, e a santidade é o fruto da fé, que se concretiza nas almas pela graça do bom Deus, pela graça dos sacramentos. É completamente falso considerar-nos como se não fizéssemos parte da Igreja visível. É inacreditável. É a Igreja oficial que nos rejeita, não somos nós que rejeitamos a Igreja, longe de nós. Ao contrário, nós estamos sempre unidos à Igreja romana e mesmo ao Papa, evidentemente, ao sucessor de Pedro. Penso que devemos ter esta convicção para não cair nos erros que estão sendo espalhados agora.

Sair da Igreja?

Evidentemente, poderão objetar-nos: “Deve-se, obrigatoriamente, sair da Igreja visível para não perder sua alma, sair da sociedade dos fiéis unidos ao Papa?”

Não somos nós, mas os modernistas que saíram da Igreja. Quanto a dizer "sair da Igreja VISÍVEL" é equivocar-se assemelhando Igreja oficial e Igreja visível.

Nós pertencemos à Igreja visível, à sociedade dos fiéis sob a autoridade do Papa, pois, não recusamos a autoridade do Papa, mas o que ele faz. Nós reconhecemos que o Papa tem autoridade, mas quando ele a usa para fazer o contrário daquilo que lhe é facultado fazer, é evidente que não podemos segui-lo.

Sair, portanto, da Igreja oficial? Em uma certa medida, sim, evidentemente. Todo o livro de Jean Madiran, A Heresia do século XX, é a história das heresias dos Bispos. É necessário, portanto, que saiamos do meio destes Bispos, se não desejamos perder nossa alma.

Mas isso não é suficiente, posto que é em Roma que a heresia se instalou. Se os Bispos são heréticos (mesmo sem tomar este termo no sentido e com as conseqüências do direito canônico), não é sem a influência de Roma.

Se nós nos distanciamos deste tipo de gente, é com a mesma precaução que se toma para com as pessoas que estão com AIDS. Não queremos nos contaminar. Ora, eles estão com AIDS espiritual, uma doença contagiosa. Se quisermos guardar a saúde, não devemos aproximarmo-nos deles.

Sim, o liberalismo e o modernismo se introduziram no Concílio e no interior da Igreja. São idéias revolucionárias e a Revolução, que encontrávamos na sociedade civil, passou para dentro da Igreja. O Cardeal Ratzinger não mais esconde esse fato: eles adotaram as idéias não da Igreja, mas do mundo e eles acham que devem fazê-las entrar na Igreja.

Ora, as autoridades não mudaram sequer uma vírgula de suas idéias sobre o Concílio, o liberalismo e o modernismo. Eles são a anti-Tradição, Tradição como a Igreja compreende e como entendemos. Essa noção não entra no conceito deles. Pois sendo o conceito deles evolutivo, eles são contra essa Tradição fixa, na qual nós nos mantemos. Estimamos que tudo aquilo que nos ensina o catecismo nos vem de Nosso Senhor e dos Apóstolos e que nada mudou. Isto é claro. As três partes do catecismo nos vêm de Nosso Senhor. Por que mudá-las? Nós não podemos evoluí-las. O Credo, os Mandamentos de Deus, os meios de nos salvar, os Sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa e a oração, tudo isso, vem diretamente de Nosso Senhor. Tudo isso, é nosso catecismo, que nos é dado, geralmente, com nosso batismo, que nos é colocado entre nossas mãos. Tudo isso é nosso estatuto, desde o momento que Nosso Senhor desejou que todos fossem batizados, que todos adotassem o Credo, o Decálogo, os Sacramentos que Ele instituiu, bem como o Santo Sacrifício da Missa e as orações. Para eles, não, tudo isso evolui e evoluiu com o Vaticano II. O fim atual da evolução é o Vaticano II. É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma. Teria sido possível, se tivéssemos podido nos proteger completamente como, de fato, pedíamos. Mas eles não quiseram. Eles recusaram os membros que pedíamos para a comissão, eles recusaram o número de Bispos que pedíamos, recusaram o número de Bispos que eu lhes apresentei. Estava claro: eles não queriam que estivéssemos protegidos. Eles queriam ter-nos diretamente debaixo de seus golpes e poder, assim, impor-nos esta política anti-Tradição da qual eles estão imbuídos.

Roma não mudou

Um exemplo mostra-nos que nada mudou no espírito dos que estão em Roma: em 1º de maio (1988), em Veneza realizou-se um importante congresso sobre a liberdade religiosa nas atuais situações políticas. Esse congresso foi dirigido pelo reitor da Universidade de Latrão, Mons. Pierre Rossano, famoso por suas idéias liberais, e Mons. Pavan, que é o autor de, praticamente, todos os documentos sociológicos publicados desde o Papa João XXIII, de todos os documentos que dizem respeito à sociedade. As encíclicas dos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II foram praticamente redigidas por ele. É o grande pensador do Vaticano.

Foram estes dois prelados que fizeram e dirigiram essa reunião de Veneza sobre a liberdade religiosa dentro das situações políticas. É muito interessante notar o que eles dizem a respeito da liberdade religiosa: "Mudança da concepção da liberdade religiosa". Eles não se escondem. Eles falam da influência da Segunda Guerra mundial. Eles buscam motivações longínquas: já sob Pio XII realiza-se uma tomada de consciência da liberdade religiosa, realizada na tragédia da Segunda Guerra mundial. Isso permitiu, para utilizar uma frase estereotipada, A PASSAGEM DO DIREITO DA VERDADE AO DIREITO DA PESSOA.

Examinemos um pouco melhor essa frase. O direito da verdade nos ensina que existe a liberdade da verdadeira religião, mas que o homem não possui a liberdade de escolher a sua religião, de escolher a verdade. Somos feitos e criados com inteligência e vontade livres, não resta a menor dúvida, mas essa liberdade só deve servir para nos fazer aderir à verdade e não a outra coisa. Pois um laço fundamental, essencial, une a liberdade e a verdade. Romper este laço para dizer: a partir de agora, compreendemos que não se trata mais de ligar liberdade com verdade, mas liberdade e natureza humana, é um erro fundamental. Nossa própria natureza, com a inteligência e a vontade, é feita para aderir à verdade. E, eis que agora (e os autores do congresso de Veneza o escreveram em seus relatórios) suprime-se o direito da verdade (que é o laço que por natureza une o sujeito à verdade) para colocar em seu lugar o direito da pessoa, um direito inteiramente independente. Esse direito estaria fundado sobre a natureza, mas considerada dentro de sua dignidade de sujeito livre, ou seja, autônomo e sem laços. E os ditos autores precisam que isso deve ser particularmente verdadeiro em matéria religiosa, que trata da orientação da vida. É preocupante. Como se pudéssemos mudar coisas tão profundas na natureza. Deus nos criou para a verdade, Ele não nos deu a liberdade para escolhermos o erro. Não é possível. Não temos o direito ao erro. Ora, praticamente, é a isto que conduz a liberdade religiosa: permitir à natureza de escolher livremente a sua verdade, é dar-lhe direito ao erro.

E, segundo essa teoria, todos os países deveriam aceitar isso, sem se lhe opor no limite da ordem pública. Mas a ordem pública é muito extensa! Estas sociedades deveriam aceitar o ecumenismo, a laicização dos estados, a liberdade de culto. Elas deveriam reconhecer como diretivas tudo aquilo que o homem pode retirar de si mesmo, as idéias que puderem conceber, os conceitos religiosos forjados por eles mesmos.

Depois da afirmação da liberdade religiosa, eles reafirmam o princípio absolutamente revolucionário da Declaração dos Direitos do homem. É verdadeiramente um princípio satânico: "non serviam", “eu não quero servir”, não quero ser submisso à verdade. Mas se Deus nos impõem uma verdade, assim será. "Aquele que não crer será condenado". Que exista a tolerância religiosa pelo fato das pessoas enganarem-se, é admissível, mas o princípio da liberdade religiosa não existe e não pode existir.

Eu tinha que vos dizer isso, para que vejais bem, que Roma não mudou em nada. Não é uma acusação vazia, mas retirada dos relatórios oficiais da reunião de Veneza, que aconteceu recentemente: 1º de maio. O reitor da universidade de Latrão é a cabeça de toda a formação universitária da Igreja de Roma. São os representantes oficiais de Roma. E eis o que eles reafirmam. Nada mudou. Não podemos seguir pessoas como estas. São erros graves, profundos.

Aconteça o que acontecer, devemos continuar, e o bom Deus nos mostra que seguindo esta via nós cumprimos o nosso dever. Não negamos a Igreja Romana. Não negamos a sua existência, mas não podemos seguir suas diretivas. Não podemos seguir os princípios do pós-Concílio. Nós não podemos ligar-nos a eles.

Só existe uma Igreja,... a Igreja conciliar!

Percebo a vontade de Roma de nos impor suas idéias e suas maneiras de ver. O Cardeal Ratzinger sempre me diz: "Mas Excelência, existe apenas uma Igreja, não se deve fazer uma Igreja paralela". Qual é esta Igreja, para ele? A Igreja conciliar, é evidente. Quando ele nos disse explicitamente: "Evidentemente, se lhe damos, neste protocolo, alguns privilégios, o senhor deve, também, aceitar o que fazemos; e conseqüentemente, na Igreja São Nicolas-du-Chardonnet deve-se celebrar uma Missa Nova todos os domingos", vós bem vedes que eles querem nos arrastar para a Igreja conciliar. Isso não é possível, pois, é claro que eles querem nos impor essas novidades para acabar com a Tradição. Eles não concederão nada por estima pela liturgia tradicional, mas, simplesmente, para enganar aqueles a quem eles o oferecem e para diminuir nossa resistência, encontrar uma brecha no bloco tradicional para destruí-lo. É a política deles, sua tática consciente. Eles não se enganam, e vós conheceis a pressão que eles fazem. Entre vós, alguns já foram pressionados pelo Bispo ou por outrem para deixardes a Tradição. Eles fazem esforços consideráveis em todos os lugares.

As irmãs de Saint-Pré foram visitadas pelo Pe. Philippe que tentou doutriná-las. Mas vos asseguro que ele não foi recebido de braços abertos. O Bispo de Carcassonne ofereceu amizade e compreensão para com as irmãs de Fanjeaux e ao nosso Pe. Pozzera. E o bispo também foi devidamente convidado a se retirar. Mas eles continuam. Eles voltarão. O Pe. Innocent-Marie telefonou-me recentemente e me disse que ele estava sendo vítima de pressões do Bispo de Angers. Agora eles não cessarão de tentar nos capturar. É verdadeiramente incrível essa guerra movida contra a Tradição. [...]

Penso que se deve evitar tudo aquilo que puder manifestar, por meio de expressões muito duras, nossa desaprovação àqueles que nos deixam. Não devemos enchê-los de epítetos que podem ser vistos como injuriosos. Isso de nada nos serve, pelo contrário. Pessoalmente, sempre tive essa atitude para com aqueles que nos deixam - e Deus sabe quantas vezes isso aconteceu durante a história da Fraternidade; a história da Fraternidade é quase que a história das separações - Sempre tive como princípio: não mais ter relações, acabou. Eles nos deixaram, eles irão a outros pastores, a outros rebanhos: nenhuma relação mais. Tanto aqueles que partiram como "sedevacantistas" quanto aqueles que nos deixaram por não sermos suficientemente papistas, todos tentaram engolfar-nos em uma polêmica. Eu nunca respondi uma palavra. Rezo por eles, é tudo. [...]


Não Morro entro na Vida.
Santa Teresinha.

Obrigado por tudo Monsenhor.

 REZEM TODOS OS DIAS O SANTO ROSÁRIO,

façam penitência.

 

terça-feira, 17 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLVI (656) – (8 de fevereiro de 2020):





PAPA INDISPENSÁVEL - II



Tradicionalistas, a Tradição não dá esperanças,
De sua união sob um Papa sem verdade.

Foi à infidelidade da Autoridade Católica à Verdade Católica no Concílio Vaticano Segundo que estes “Comentários” na semana passada (DCLV, 1º de fevereiro) atribuíram a crise sem precedentes da Igreja Católica, que já dura mais de 50 anos. A conclusão lógica foi que a crise só chegará ao fim quando a Autoridade Católica retornar à Verdade, porque esta não muda, e, portanto, não pode mover-se para voltar a unir-se ao Papa e aos Bispos que se supõe que a defendam. Além disso, declarou-se que o Papa deve restaurar os Bispos, e que somente Deus Todo-Poderoso pode restaurar o Papa, e que Deus porá este novamente de pé somente "quando tivermos aprendido a lição". Porque se Deus nos tirasse muito cedo da lama, nós, seres humanos maus, nos beneficiaríamos somente para voltarmos a cair. Deus não pode permitir-se ser muito generoso com nossa perversa geração. Então, que lição, ou lições, precisamos que nos ensinem?

Entre outras, que o mundo não pode prescindir de uma Igreja sã, e a Igreja, para ser sã, deve ter um Papa são, e o Papa são deve ser obedecido. Por exemplo, quando o Vaticano II chegou ao fim, no final de 1965, os clérigos estavam em plena apostasia. Ainda assim, Deus deu à humanidade outra chance. Diante de Paulo VI, havia a questão premente de meios artificiais de controle de natalidade, ou seja, de contracepção. As condições nas cidades modernas estavam convencendo uma multidão de Bispos, sacerdotes e leigos católicos de que se tinha de relaxar a estrita e antiga condenação da Igreja, de que a cidade moderna estava certa, e que o governo imutável da Igreja, ou seja, Deus, estava equivocado. Paulo VI também queria tornar a regra mais fácil.

No entanto, quando a comissão de especialistas que ele havia designado para estudar a questão apresentou seu relatório, ele mesmo viu que a regra não podia ser relaxada. Seus últimos argumentos para manter a regra não têm a força dos antigos argumentos baseados na lei natural imutável, mas, ainda assim, Paulo VI defendeu a lei essencial em sua Encíclica “Humanae Vitae” de 1968. Mas quando ele a publicou, todo o inferno prontamente foi solto na Igreja. E, em 1969, ele impôs a toda a Igreja a missa do Novus Ordo. Seria vã a especulação de que se os Bispos e sacerdotes tivessem obedecido ao Papa, em vez de rejeitar a lei imutável de Deus, Deus poderia tê-los poupado da missa nova? Ao desobedecerem o Papa quando ele estava sendo fiel à lei de Deus, todos eles contribuíram para a ruptura da Autoridade na Igreja. Todas as apostas foram canceladas, e o caos tomou conta da Igreja.

Eis aqui um exemplo clássico de que a Verdade precisa da Autoridade, de que o mundo precisa da Igreja e de que a Igreja precisa do Papa. Especialmente nas cidades grandes de hoje, os homens não conseguem ver o que há de errado com a contracepção; pelo contrário, parece ser mero senso comum. Assim, se não há uma autoridade divina que proíba a contracepção, nada nem ninguém mais poderá resistir às paixões humanas que a impulsionam. Dessa maneira, o Vaticano II (Gaudium et Spes n. 48) sugeriu que, no ato do matrimônio, a recreação vem antes da procriação, e abriu as comportas para o divórcio, o adultério, o aborto antes do nascimento, e então o chamado aborto pós-parto, a eutanásia, a homossexualismo, a mudança de gênero e para horrores ainda desconhecidos, mas todos implícitos na ruptura da subordinação da recreação à procriação. A Santa Madre Igreja sempre soube que destroçar o ato do matrimônio é destroçar sucessivamente o próprio matrimônio, a pessoa individual, a família, a sociedade, a nação e o mundo. Esse é o caos onde estamos hoje. Essa é a necessidade da autoridade.

E a Autoridade mais importante é a da Igreja, para impor às mentes errôneas dos homens a Verdade infalível de Deus, e sobre suas vontades rebeldes a Lei eterna de Deus, para que possam chegar ao Seu Céu e evitar o seu Inferno. E para incorporar essa Autoridade e projetá-la diante dos homens, o Deus Encarnado instituiu Sua Igreja Católica Única como uma monarquia cujo único governante é o Papa Romano, que é o único que tem a missão e a graça de governar e manter unidos, na Verdade Católica, todos os membros da Igreja. Segue-se disto que, quando ele abandona a Verdade – como no Vaticano II –, as ovelhas são necessariamente dispersas, porque ninguém mais do que o Papa tem de Deus a missão ou a graça de uni-las (cf. Lc. XXII, 32).


Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

domingo, 15 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLV (655) – (1 de fevereiro de 2020):

PAPA INDISPENSÁVEL - I


Por mais que as ovelhas estejam largadas,
Ninguém, a não ser o Papa, pode unir a Igreja.


À medida que passam os anos, um após o outro, sem que a situação insana da Igreja pareça melhorar, católicos que seguem a Tradição continuam perguntando-se: por que ao menos os nossos sacerdotes tradicionais não se reúnem e param de brigar entre si? Todos eles acreditam na mesma Tradição da Igreja, todos concordam que o Concílio Vaticano II foi um desastre para a Igreja. Todos sabem que a briga entre os sacerdotes não é edificante, e é desanimadora para os seguidores da Tradição. Por que, então, eles não podem esquecer suas diferenças e concentrar-se no que os une, isto é, no que a Igreja ensina e faz, e sempre ensinou e fez, para salvar almas? Esta pergunta tem uma resposta, e para ajudar os católicos a perseverarem na Fé, pode ser necessário recordá-los dela em intervalos regulares.

Assumindo sempre que esta crise da Igreja não é nada normal na história da Igreja, mas é parte integrante do primeiro e único percurso que leva ao primeiro e único fim do mundo, se há nestes "Comentários" um par de palavras frequentemente escolhidas para precisar a estrutura dessa crise, este par é "Verdade" e "Autoridade". A crise tem suas origens em um momento muito anterior ao do Vaticano II, na “Reforma” deslanchada por Lutero (1483-1546); mas enquanto até o Vaticano II a Igreja Católica lutava para manter o veneno protestante fora dela, no Vaticano II a mais alta Autoridade Católica, dois Papas e 2.000 Bispos, desistiu da luta e deixou o veneno entrar. Isso significa que os textos do Concílio se caracterizam por sua ambiguidade, porque as aparências católicas tinham de ser mantidas, mas por baixo das aparências o verdadeiro impulso dos textos, o "espírito do Concílio", vai na direção da assimilação do liberalismo e do modernismo que se seguiram ao protestantismo, que esvaziará qualquer catolicismo remanescente tão logo seja permitido.

Isso significa que, no Concílio, a Autoridade Católica abandonou essencialmente a Verdade Católica para adotar uma doutrina mais afinada com os tempos modernos. E posto que a Autoridade Católica e a Verdade Católica agora se separaram, os católicos, para permanecerem católicos, tiveram – e ainda têm – de fazer uma escolha terrível: ou se apegam às autoridades da Igreja desde o Papa para baixo e abandonam a doutrina católica, ou se apegam à doutrina e abandonam a Autoridade Católica, ou escolhem um dos muitos compromissos possíveis em qualquer lugar entre os dois polos. De qualquer forma, as ovelhas estão dispersas, praticamente sem ter culpa quando se compara com a culpa dos dois Pastores maiores e dos 2.000 pastores menores que foram responsáveis pela Autoridade da Igreja ter traído a Verdade da Igreja no Concílio. Nesta divisão entre Verdade e Autoridade está o coração da crise atual que já dura meio século.

E como a Verdade é vital para a única religião verdadeira do único Deus verdadeiro, e Sua própria Autoridade é essencial para a proteção dessa única Verdade de todos os efeitos nos homens do pecado original, então a única solução possível para a crise que porá fim à esquizofrenia e à dispersão das ovelhas é o Pastor e os pastores, Papa e  Bispos, retornarem à Verdade Católica. Certamente isso ainda não está acontecendo na Igreja ou na Fraternidade de São Pio X, que ainda está – segundo todas as aparências – lutando para voltar a ficar sob a autoridade dos clérigos conciliares. (E o Arcebispo Lefebvre? "Ele está morto", dirão alguns!).

Portanto, até Deus Todo-Poderoso – ninguém mais pode fazê-lo! – colocar o Papa de pé novamente, e até que o Papa, por sua vez, “uma vez convertido, confirme seus irmãos” (Lx.XXII, 32), em outras palavras, endireite os Bispos de todo o mundo, até que isso aconteça essa crise só pode piorar, até que tenhamos aprendido a lição e Deus tenha misericórdia de nós. Até então, como diz o provérbio inglês: "O que não se pode curar, se deve suportar".
                                                                                                                                
         Kyrie eleison.
Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

sábado, 14 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLIV (654) - (25 de janeiro de 2020)

“... EM TENTAÇÃO ...”?


Deus, testai-me, castigai-me ou humilhai-me,
Mas que cair em pecado não seja meu destino.

Um leitor fez uma pergunta clássica sobre o Pai Nosso, onde diz: "E não nos deixes cair em tentação", que em latim é “Et ne nos inducas in tentationem”. A tentação frequentemente leva ao pecado, que é certamente um mal. Como pode o Deus infinitamente bom induzir-nos a um mal? No entanto, se rezamos para Ele pedindo para que não nos induza ao mal, é lógico que Ele pode fazê-lo. Mas como é possível? Pois “E não nos induzas à tentação” é a tradução literal do texto em latim e do texto original em grego – “μη εισενεγκης ημ ας εις πειρασμον” –, e a Igreja ensina que o texto original em grego foi inspirado pelo próprio Deus. Como o próprio Deus pode declarar que pode induzir-nos à tentação? É necessário, assim, que se estabeleçam quatro verdades.

1 Em primeiro lugar, Deus pode querer um mal físico, como, por exemplo, uma doença, para castigar os seres humanos moralmente maus, mas é absolutamente impossível que Deus queira um mal moral, porque isso é pecado, e não é possível que Deus peque, porque Ele é a própria Bondade, porque Ele é o próprio Ser. Pois, se algo existe, então tem de existir uma Primeira Causa, e essa Primeira Causa não pode ter limites finitos estabelecidos para o seu Ser por nenhuma causa anterior ao Seu Primeiro Ser, sendo, portanto, um Ser Infinito. Ora, onde há ser, há bondade, e vice-versa; de fato, os dois são intercambiáveis ​​– o mal é sempre a falta, em um ser, de algo devido a ele; por exemplo, a cegueira não é um mal em uma pedra, mas é um mal em um animal que normalmente tem visão. Portanto, o Ser Infinito é infinitamente bom, ou a Bondade Infinita, incapaz de querer ou de causar diretamente o mal moral. Poucas coisas são mais absolutamente certas do que isso.

2 No entanto, Deus pode permitir o mal moral, porque Ele pode tirar, e sempre tira, dele um bem maior. Nós, seres humanos, não podemos de forma nenhuma ver sempre em que consiste esse bem maior, mas no Juízo Geral, no mais tardar, todos nós veremos claramente a Sabedoria suprema de cada mal moral que Ele permitiu. Eis uma comparação útil: na parte de baixo de um tapete tecido, eu posso apenas adivinhar a beleza do padrão na parte de cima do tapete. Mas essa beleza existe, e sem ela eu não estaria vendo na parte de baixo, o que me permite pelo menos adivinhar a beleza que não é visível dessa mesma parte de baixo.

3 Objeção: mas Deus ainda está agindo para permitir o mal moral, e. g., a tentação de pecar. Por exemplo, em vários versículos de Êxodo VII-XIII, as Escrituras dizem que Deus "endureceu o coração do Faraó", para que ele pecasse contra os israelitas. Solução: não, pois sempre que Deus permite um mal moral, Ele não está cometendo nenhum ato positivo, mas simplesmente se abstendo de conceder a graça ou ajuda com a qual o pecador não teria pecado. Mas ao optar por permitir que o Faraó pecasse, ele estava positivamente induzindo o Faraó à tentação e ao pecado. Não, porque as Escrituras dizem: “Deus é fiel, o qual não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças, antes, fará que tireis ainda vantagens da mesma tentação, para a poderdes suportar” (I Cor. X, 13). Portanto, os pecadores sob a tentação recebem de Deus toda a graça de que precisam para não pecar, desde que eles mesmos queiram não pecar. Se caem na tentação, a culpa é deles mesmos.

4 Mas sempre que os pecadores caem na tentação, Deus previu que eles o fariam. Por que, então, Ele os induziu a ela, permitindo-a e abstendo-se de dar a graça necessária para que não caíssem nela? Negativamente, porque se os pecadores caem na tentação, a culpa é somente deles mesmos. Positivamente, Santo Inácio, em seus Exercícios Espirituais (n. 322), apresenta três razões positivas pelas quais Deus pode permitir a desolação espiritual de uma alma, e as mesmas razões se aplicam à tentação espiritual: Deus pode fazer bom uso da tentação moral para castigar-nos ou para provar-nos, ou para ensinar-nos. Ele pode castigar-nos com a tentação seguinte pelo último pecado que cometemos. Então, ao pôr-nos à prova por uma tentação, Ele possibilita que obtenhamos grandes méritos, desde que resistamos e não caiamos. Padre Pio disse: “Se as almas soubessem o quanto podem merecer resistindo às tentações, pediriam positivamente para serem tentadas”. E, finalmente, Deus pode ensinar-nos o quão verdadeiramente dependentes somos de Sua ajuda por uma tentação que nos mostra quão humildes e fracos somos sem a Sua ajuda.

Concluindo, há tanto bem para nós, pecadores, que Deus pode tirar ao permitir que sejamos tentados, que nem sequer somos obrigados a pedir para não sermos tentados, mas antes devemos pedir pela graça de não cairmos quando estamos sendo tentados. Senhor, que o fogo me aqueça, mas nunca me queime. Que pela tentação eu tenha méritos, mas não caia jamais.

Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLIII (653) - (18 de janeiro de 2020)

PROFESSOR DREXEL – III


“Mas, até lá, esteja tranquila, alma minha. As ações más revelar-se-ão,
Ainda que o mundo inteiro tente ocultá-las, aos olhos humanos” (Hamlet, I, 2).

Na terceira e última parte destes “Comentários” do admirável livro do Professor Drexel escrito na década de 1970, na Áustria, “Faith is greater than obedience [A fé é maior que a obediência]”, temos o direito de pensar que é Nosso Senhor quem fala, porque em si mesma a mensagem é inteiramente ortodoxa, e no contexto da confusão na Igreja que se seguiu ao Vaticano II (1962–1965), é um claro sinal de que a Igreja oficial estava indo pelo caminho errado no século XX, tal como ainda o faz. Para os clérigos católicos, a mensagem é uma clara advertência: se eles insistem em seguir a nova direção dos homens para o abandono da verdadeira religião de Deus, encaram uma condenação assustadora no inferno quando morrem. Para os leigos católicos, o livro é um incentivo igualmente claro: se com fé e coragem permanecem fiéis à verdadeira Igreja, sua recompensa será grande no céu. Tanto para os clérigos como para os leigos, a mensagem continua completamente atual em 2020.

MAIO DE 1974.

Não te deixes abater por causa da confusão e das heresias de sacerdotes infiéis e apóstatas, cujo corpo e prazer sensual contam mais do que o amor de Minha Igreja e das almas imortais. Que todos os verdadeiros, autênticos crentes saibam que os inimigos interiores e exteriores da Igreja perecerão – para sempre –, a menos que retornem com arrependimento interior à única doutrina da Igreja.

Digo-te: surgirão sacerdotes, que estão agora sendo treinados, escondidos em silêncio para o futuro e para o tempo – que logo virá –, os quais, com espírito apostólico, seguindo os passos dos santos, por essa ordem divina e por essa unidade da Minha Igreja Católica que desejo, avançarão com uma santa reverência pelo mistério e pelo milagre da Santa Eucaristia. (Esta é certamente uma profecia referente aos jovens sacerdotes da Tradição que começariam a sair de Écône em pequenos, mas significativos números, em 1976.)

JULHO DE 1975.

Minha igreja vive em meio à apostasia e à destruição. Ela vive entre inúmeras pessoas fiéis e leais. Na história de Minha Igreja, sempre houve tempos de decadência, deserção e devastação, por causa de maus sacerdotes e pastores tíbios. Mas o espírito de Deus é mais forte, e sobre as ruínas e o cemitério da infidelidade e da traição, levantou a Igreja e a fez florescer novamente, só que menor que antes. O trabalho do meu servo Marcel em Écône não está prestes a perecer! (O “Marcel” aqui mencionado é, obviamente, o Arcebispo Lefebvre, que fundou em 1970 o seminário tradicional de Écône.)

MARÇO DE 1976.

Meu fiel filho Marcel, que está sofrendo tanto por causa da Fé, está no bom caminho. Ele é como uma luz e um pilar da verdade, que muitos dos Meus sacerdotes ordenados estão traindo. A Fé é maior que a obediência. Portanto, é Minha vontade que o trabalho para a educação teológica dos sacerdotes continue, no espírito e de acordo com a vontade de Meu filho Marcel, de modo a contribuir poderosamente para o resgate de Minha única e verdadeira Igreja. (Quem tem ouvidos para ouvir, eis aqui o mais claro respaldo da Tradição Católica.)

DEZEMBRO DE 1976.

Aqueles que se preparam para o sacerdócio e entram nos seminários sob os Bispos diocesanos, entram sem ter uma fé íntegra e profunda na Transubstanciação; e não poucos candidatos ao sacerdócio flertam com a ideia de algum dia casar-se. Portanto, não está longe o tempo em que as pessoas estarão sem sacerdotes em muitos lugares.

No entanto, aqueles sacerdotes que veem no sacrifício sacramental da Missa o mais verdadeiro e santo dos sacrifícios, e que celebram com santa reverência o mistério de Meu Corpo e Sangue, assim como meu digno servo Marcel, são perseguidos, desprezados e banidos.

Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLII (652) - (11 de janeiro de 2020)

PROFESSOR DREXEL – II


Quanto mais aguda for a dor, a angústia aqui na terra,
Mais doce será a incomparável recompensa no Céu!

Tal como acontece com muitas supostas mensagens do Céu, se alguém dissesse que a essência das mensagens dadas ao professor Drexel de 1970 a 1977 já está no Evangelho, a saber: “Bem-aventurado sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem... porque é grande a vossa recompensa nos Céus” (Mt. V, 11–12), teria toda a razão. Mas se prosseguisse, dizendo que suas mensagens não são necessárias porque já estão no Evangelho, estaria bastante equivocado. Nos anos de 1970, começou a tortura moral de muitos bons católicos desgarrados, promovida pelos sacerdotes do Vaticano II, entre sua fé católica e sua obediência católica. Foi necessário que Nosso Senhor dissesse a almas como o Prof. Drexler, reiteradamente, que aqueles que traíam eram Seus próprios sacerdotes.

De fato, os católicos que durante 400 anos foram salvos por sua obediência ao fiel Concílio de Trento (1545-1563), não podiam, para começar, compreender que não se podia mais prestar a mesma obediência ao infiel Concílio Vaticano II (1962-1965). Para o ano de 2020, a fidelidade do Arcebispo Lefebvre à fé pré-conciliar imutável e à Missa ​​teve tempo de levantar a tradição em toda a Igreja (embora ainda haja um longo caminho por percorrer), mas em 1970 era simplesmente inconcebível, exceto para umas poucas almas, que o Papa católico, os Bispos e os padres poderiam estar demolindo a Igreja. Daí a necessidade de mensagens como esta do dia 3 de julho de 1970 de Nosso Senhor (como bem se pode crer) ao Professor Drexel:

Tenham bom ânimo e não se deixem desencorajar pelos distúrbios e tentativas de demolição de Minha Igreja, nem pela subversão da ordem do mundo. É verdade que Satanás e seus poderes demoníacos estão em ação como nunca antes na história da humanidade e da Igreja. Mas, através da influência de Deus e da ação do Espírito Santo, não se está criando uma Obra que, mais do que qualquer outra obra, exige a ajuda dos anjos, das potências sobrenaturais e dos bons espíritos? Esta obra é de origem divina!

Que todos os fiéis de Minha Igreja caminhem em paz e com firmeza para o futuro.

Satanás enfurecer-se-á, e seus melhores ajudantes são os sacerdotes que se afastaram, interior e exteriormente, de sua fé e de sua consagração. Maria Imaculada, nunca tocada pelo pecado, será vitoriosa. Embora Meu rebanho que Me segue e segue a Minha cruz, e que é fiel e crê com amor na santa presença de Meu Corpo e Sangue, possa reduzir-se, no entanto, a fé e a oração, a profissão de fé e a esperança e o amor à verdade triunfarão no final. As tempestades podem vir com mais fúria. Na natureza, elas podem quebrar rochas e estourar represas. Mas Deus é todo-poderoso, a verdade é mais forte, a graça é mais rica e mais abundante, e, portanto, a Rocha que fundei durará até o fim!

Na mesma linha estão as palavras da mensagem de 5 de março de 1971 ao professor Drexel:

Não se desencorajem com a atual opressão interna e externa de Minha Igreja. É desde dentro que os servos de Deus se tornaram infiéis à sua vocação e à sua graça [...] Estes são os sacerdotes e teólogos, como se chamam a si mesmos, que me abandonaram e me traíram, e que ainda me perseguem. O número deles aumenta [...] Desde que caminhei visivelmente entre os homens, nunca os problemas da Minha única e verdadeira Igreja foram tão grandes como neste momento – e a angústia segue crescendo.

No entanto, não se desesperem. Mesmo que o rebanho do qual falei como Divino e Bom Pastor se torne muito pequeno, a Igreja que fundei sobre Pedro e que comparei a uma rocha não será destruída nem por fora nem por dentro. Mas tu e todas as almas que te foram confiadas pelo Pai deveis continuar trabalhando pela Igreja, pela fé e pelas almas. As pessoas que te ajudarem colherão bênçãos por suas boas obras, e essa bênção não pode ser comparada a nada neste mundo.

Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.

terça-feira, 10 de março de 2020

Comentários Eleison – por Dom Williamson Número DCLI (651) - (4 de janeiro de 2020)

PROFESSOR DREXEL - I

Benditas as almas que perseveram na tribulação,
Especialmente quando as provas são mais severas.

Enquanto a crise da Igreja e do mundo continua incessantemente de um ano para o outro, mais um início de Ano Novo pode ser um momento de retornar às mensagens de Nosso Senhor de princípios dos anos 70, quando inúmeros bons católicos começavam a sofrer seriamente com a confusão e a angústia que se seguiram à imposição sobre eles da nova religião do Concílio Vaticano II, que terminou em 1965. Uma dessas vítimas do Vaticano II foi o Pe. Albert Drexel (1889–1977), um prestigioso professor de filologia de Vorarlberg, na Áustria, mas também um sacerdote católico devoto, a quem Nosso Senhor passou a aparecer, a partir de 1922, com uma mensagem em todas as primeiras sextas-feiras do mês, para guiar sua devoção.
Contudo, somente a partir de 1970 as mensagens foram escritas, para serem reunidas até sua morte, depois da qual foram publicadas em um pequeno livro, ainda hoje disponível, intitulado "A fé é maior que a obediência". Nenhum católico é obrigado a acreditar que estas são palavras de Nosso Senhor mesmo, mas as mensagens da Primeira Sexta-Feira de 1970 a 1977 são sua própria validação para muitas ovelhas que reconhecem nelas a voz do Mestre. Aqui está, por exemplo, a mensagem de 5 de março de 1976, da qual as palavras acima são tiradas, justamente quando a fé da verdadeira Igreja e a obediência à falsa Igreja estavam entrando em uma fase mais aguda de conflito:
O futuro parece obscuro para ti. Conheço tua luta interior pela verdadeira percepção e a maneira de enfrentar a confusão. E assim eu vou esclarecer-te. Meu fiel filho Marcel (Arcebispo Lefebvre), que sofre muito pela fé, está indo pelo bom caminho. Ele é como uma luz e um pilar da verdade, que muitos dos meus sacerdotes ordenados estão traindo. A fé é maior que a obediência. Portanto, é minha vontade que a obra de educação teológica para os sacerdotes continue no espírito e na vontade de meu filho Marcel, para prestar grande ajuda à minha única e verdadeira Igreja e para a salvação dela.
O espírito do mundo se infiltrou na Igreja, e o Espírito de Deus abandonou muitos corações que foram chamados a proclamar Seu Espírito. Eles falam sobre outras coisas e se perdem nos truques e armadilhas de Satanás. E assim corrompem as pessoas e até as crianças [...] Esse espírito penetrou no clero, nos mosteiros e nos conventos, porque os monges e as freiras perderam e abandonaram o espírito dos Fundadores de suas Ordens. Eles se tornaram um escândalo para as pessoas e para o mundo. Eles perderam não apenas o amor pela Minha Santíssima Mãe, mas também a reverência pela Minha presença sacramental. Em contrapartida, os monges pregam sobre as coisas do mundo, do luxo, de uma vida de prazer, e as freiras não falam sobre os santos anjos, e muitas nem sequer sobre a Santíssima Virgem e Mãe Maria. Ainda assim, existem lugares de quietude e de oração, santuários especiais nos quais se honra Maria, Minha Mãe e Mãe da graça.
Talvez essa mensagem de 1976 seja um pouco antiquada, na medida em que a diferença entre os frutos do Vaticano II e aqueles do Arcebispo Lefebvre tiveram tempo de esclarecer muitas almas sobre onde o verdadeiro Espírito de Deus se encontra. Hoje, de fato, o Arcebispo está dando cada vez mais frutos fora dos limites da Fraternidade que ele fundou. No entanto, a verdadeira Igreja de Deus continua sendo despedaçada pelos lobos modernistas em pele de cordeiro, e muitas almas ainda estão sendo tentadas a abandonar a verdadeira Fé e a verdadeira Igreja. Que prestem atenção a um dos muitos trechos das mensagens ao Pe. Drexel, p. e., do dia do Ano Novo de 1971:
Uma escuridão paira sobre minha santa Igreja. A confusão está crescendo; cada vez mais sacerdotes se tornam infiéis à sua missão e à graça [...], mas enquanto o fruto dos malvados e dos ímpios termina na corrupção, o fruto das almas fiéis florescerá em uma Igreja mais pura e mais bela. Salve aqueles que entendem a hora e permanecem no meu amor, confessam Minha Mãe, seguem o caminho dos santos, e que confiam na orientação dos anjos; essas almas fiéis brilharão nas trevas, não vacilarão sob ataques e não desmoronarão em meio às provações...
Kyrie eleison.

Viva Cristo Rei e Maria Rainha.
Rezem todos os dias o Santo.